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Paulo Coelho |
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Ensinando o cavalo a voar Vamos dividir a palavra preocupação em duas: pré-ocupação. Ou seja, ocupar-se de algo antes que aconteça. Tentar resolver problemas que ainda não tiveram tempo de se manifestar. Imaginar que as coisas, quando chegam, sempre escolhem seu pior aspecto. Há, é claro, muitas exceções. Uma delas é o herói desta pequena história: Um velho rei da Índia condenou um homem a forca. Assim que terminou o julgamento, o condenado pediu: - Vossa Majestade é um homem sábio, e curioso com tudo que os seus súditos conseguem fazer. Respeita os gurus, os sábios, os encantadores de serpentes, os faquires. Pois bem: quando eu era criança, meu avô me transmitiu a técnica de fazer um cavalo branco voar. Não existe mais ninguém neste reino que saiba isto, de modo que minha vida deve ser poupada. O rei imediatamente mandou trazer um cavalo branco. - Preciso ficar dois anos com este animal – disse o condenado. - Você terá mais dois anos – respondeu o rei, a esta altura meio desconfiado. – Mas se este cavalo não aprender a voar, será enforcado. O homem saiu dali com o cavalo, feliz da vida. Ao chegar em casa, encontrou toda a sua família em prantos. - Você está louco? – gritavam todos – Desde quando alguém desta casa sabe como fazer um cavalo voar? - Não se preocupem – respondeu ele. – Primeiro nunca alguém tentou ensinar um cavalo a voar, e pode ser que ele aprenda. Segundo, o rei está muito velho, e pode morrer neste dois anos. Terceiro, o animal também pode morrer, e eu conseguirei mais dois anos para treinar um novo cavalo. Isso sem contar a possibilidade de revoluções, golpes de estado, anistias gerais. “Finalmente, se tudo continuar como está, eu ganhei dois anos de vida, onde posso fazer tudo o que tenho vontade: vocês acham pouco?” Três provérbios chineses sobre a arte de aprender Somente os mais sábios e os mais estúpidos nunca mudam de idéia (Anônimo) Aprender é como remar contra a corrente: sempre que se para, anda-se para trás (Confúcio). Quem pergunta, é idiota por cinco minutos. Que não pergunta, é idiota para sempre (Wang-Wei) Reflexão De Dom Rafael Llana Cinfuentes (adaptado livremente do livro “Insegurança, Medo e Coragem”, Ed. Quadrante): “Sabemos que nem toda ação audaciosa corresponde a uma conduta corajosa. Há ações que são fruto de atitudes reprováveis. Como podemos distinguir o que é imprudência do que é a coragem?”. “Aristóteles nos dá uma definição muito apropriada dessa distinção:” O bravo é corajoso. O temerário deseja apenas parecer corajoso ““. “E Torelló escreve:” O homem intrépido e forte expõe-se consciente e livremente ao perigo, e até ao perigo da morte, mas sempre a serviço de valores superiores; terá que ser razoável se quiser ser forte. A estupidez nunca é uma virtude. “Todos sentimos medo da dor, do fracasso, da crítica maldosa, da doença, da morte, mas todos nós soubemos defender, alguma vez, nossos pais ou nossos direitos. Não há, pois, ninguém que possua a coragem em estado puro. Não se encontra a coragem na palma da mão: está escondida nos mais profundos recantos do coração, como uma mina oculta que deve ser descoberta e explorada”. Um homem valente é aquele em quem a coragem acaba por prevalecer sobre o medo. |
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