| PÁGINA DO EMPREENDEDOR | |
| No fio da navalha Motorista arriscou tudo que tinha em negócio que não conhecia, “correu atrás do prejuízo” e agora é sucesso |
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Depois de trabalhar dois anos e meio como motorista do Ministério Público Estadual, Luciney de Oliveira Marcelino, 30, resolveu que iria realizar o sonho de montar seu próprio negócio, e mesmo sem nunca ter feito um único pão, decidiu montar a primeira padaria do bairro Eldorado. Alugou um ponto que considerou ideal, comprou máquinas a prestação e enquanto as obras da reforma aconteciam passou 15 dias trabalhando na padaria de seu amigo Carlos, no bairro Adalberto Sena. “Moro na colônia e entregava leite em algumas padarias, assim conhecia vários padeiros. Quando pedi ao Carlos que me ensinasse, ele me falou para procurar outro ramo porque padaria é negócio que dá muito trabalho e pouco lucro, mas quando viu que eu estava mesmo decidido a fazer isso, ele me ensinou o que sabia”. Quinze dias depois, Luciney amassava três quilos de massa de pão salgado e dois de pão doce para o primeiro dia de funcionamento de sua padaria. “Com uma semana já amassava 20 quilos de trigo e com um mês eram mais de 50 quilos por dia. Matriculou-se para fazer dois cursos de panificação no Senac e assim foi buscando cada vez mais conhecimento para o aperfeiçoamento do sistema de produção das padarias. “O negócio tomou ritmo e eu me empolguei. Tanto que com seis meses comprei mais máquinas e montei minha segunda padaria já no bairro Montanhês. Mais dois meses e montava a terceira no Jorge Lavocat. Era um movimento doido, trabalhava de dia e de noite, mas o dinheiro não aparecia”. Em novembro do ano passado Luciney participou dos nove dias de seminário do Empretec. “Me disseram que o treinamento era bom, mas para mim foi um assombro. Ouvindo as histórias de cada um e comparando com o meu comportamento fiquei surpreso com a quantidade de erros e de como eu tinha sorte de minha empresa ainda estar funcionando. O Empretec me mostrou que era preciso mudar muita coisa e se não tomasse uma atitude naquela mesma hora, a firma não agüentaria”.
O resumo do problema é que ele não mantinha contabilidades separadas para cada uma das padarias, também não fazia controle da entrada e saída dos estoques de matéria prima, não controlava fluxo de caixa e, para piorar as coisas, misturava o dinheiro dos negócios com sua conta pessoal e já não sabia mais o que era de quem. “Eu não tinha controle de nada, foi no treinamento que fui entender que com 15 pessoas dentro da empresa eu tinha mão de obra demais e produção de menos. Por isso corria de um lado para o outro, vendia muito, mas o lucro era gasto só com o pessoal e alguns desperdícios”. Diante desse quadro, Luciney teve que tomar a decisão mais difícil e radical de sua vida. “Saí do seminário do Empretec com um plano de negócios já elaborado na cabeça, demiti nove dos 15 empregados, quase quebrei pagando mais de R$ 10 mil em indenizações”, confessa. “Vendi às pressas, a prazo e quase pela metade do preço as padarias do Montanhês e Jorge Lavocat. Peguei o dinheiro e montei outra padaria no bairro Vitória, já bem perto da minha porque facilitava a administração. Além do mais, se eu não fizesse isso algum concorrente faria, agora uma protege a outra”. Aprendendo com os erros Buscando orientação de outros padeiros mais experientes, Luciney compreendeu que a margem de lucro sobre o pão é muito baixa e atinge no máximo 20%, por isso dentre as chaves do sucesso está o corte dos desperdícios e o bom atendimento aos clientes para garantir o crescimento constante do movimento e dos lucros com ele. “Com apenas duas padarias para cuidar, fiquei atrás do balcão atendendo os clientes, ouvindo reclamações, elogios e sugestões e, conforme a condição fui atendendo cada uma delas. Aprendi a pechinchar na hora de comprar farinha e outras matérias primas, as despesas diminuíram, a qualidade melhorou e os lucros aumentaram”. Hoje sua padaria vende 15 tipos de pão salgados e doces, dez tipos de bolo, salgadoinhos, pudins, pavês doces e sucos variados. Descobriu que o consumo de doces e salgados direto no balcão e mais lucrativo que o movimento do pão, mas que uma coisa atraia a outra e, nesse sentido ampliou o movimento acrescentando uma mercearia à panificadora. “Hoje a empresa funciona com segurança e está em pleno crescimento, minha meta é encher de mercadoria o espaço que construí para a mercearia. Acabo de fechar convênio com a Coopaserg para fornecer alimentos por mês, para garantir isso já me acertei com os fornecedores de matéria prima, porque o bom negócio começa na compra e se consolida na venda deixando todo mundo contente”. * Estão abertas as inscrições para o novo seminário Empretec que estará acontecendo de 14 a 22 de julho no Centro Empresarial do Sebrae, sempre das sete da manhã às cinco da tarde com intervalo para o almoço. |
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