MARCELA BARROZO
No que depender do otimismo do empresariado acreano, a crise econômica passará longe do mercado local neste segundo semestre. De acordo com pesquisa realizada pela Federação do Comércio do Acre (Fecomércio-AC), através do Instituto de Pesquisa (Ifepac), 83% dos entrevistados vêem o segundo semestre de 2008 como um período com boas perspectivas para os negócios empreendidos no setor comercial de varejo.
O levantamento foi realizado no período de 16 a 26 de junho, com 339 empresários das diversas atividades econômicas do comércio varejista da capital. Foi constatado ainda o crescimento das vendas no primeiro semestre para 58% deles - esta era a estimativa de 65,8% num universo de 395 empresários pesquisados no início do semestre.
Mesmo com cenários de inibição do consumo geral de bens e serviços, em função do processo inflacionário observado sobre os níveis de preços da economia, o empresário acreano ainda demonstra otimismo com relação às possibilidades de vendas até dezembro deste ano: 55% dos entrevistados acreditam que haverá crescimento.
Situação financeira - A liquidez do mercado demonstra satisfação para os agentes envolvidos. Os empresários do comércio local afirmam conduzir as atividades econômicas de suas empresas com uma situação de liquidez relativamente adequada às respectivas necessidades operacionais.
Em relação ao segundo semestre de 2007, 36% dos 339 entrevistados conduziram seus negócios sem alteração sobre as condições financeiras de suas empresas e 30% tiveram a necessidade de aumentar essa capacidade em até 10% no primeiro semestre deste ano.
Por outro lado, 29% dos entrevistados afirmaram ter mantido os negócios com situação financeira deficitária em até 10%, se comparada com o último semestre do ano passado.
Falta de treinamento – Na contramão do otimismo para as vendas, os empresários se esquecem de investir em um item importante para alcançar este objetivo – o treinamento de pessoal. A maioria, 39%, diz realizar treinamento no próprio ambiente de trabalho e outros 31% não patrocinam qualificação alguma para o seu quadro de funcionários. Somente 15% dizem procurar serviços através de instituições como Senac, Senai, Sesc e Sebrae.
Somente 22% dos entrevistados demonstraram maior preocupação em melhorar o atendimento ao cliente ao passo que a maioria, 38%, acredita que o mais importante é investir no espaço físico do estabelecimento. É importante que os empresários acreanos nunca percam de vista que, apesar da maior parcela de seus clientes ser de baixa renda, se não forem desenvolvidas estratégias que assegurem a fidelização e a lealdade deles, uma loja linda pode perfeitamente se transformar em um elefante branco. |