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Governador inaugura ETA para aeroporto e autoriza ampliação da rede de água e eletricidade no Bujari

Sistema conta com açude de 200 milhões de litros, garantindo abastecimento pelos próximos 20 anos

Mauro Maciel/Secom
Governador Jorge Viana e o
prefeito de Bujari, Michel Oliveira, descerram placa comemorativa de inauguração da ETA do município


Edmilson Ferreira

Uma solução simples e barata foi encontrada pelo governo do Acre para enfrentar a drástica falta de água na região do aeroporto internacional de Rio Branco e na cidade do Bujari. Um açude de 200 milhões de litros de água foi construído na BR-364 e, interligado a uma estação de tratamento de água (ETA), assegura que pelos próximos vinte anos não faltará água naquela região. A obra foi construída com a ajuda do governo federal e custou cerca de R$ 1,6 milhão. A produção chega a 30 litros de água por segundo ou 2,4 milhões de água tratada por dia. O reservatório tem capacidade para 500 mil litros.

Esse conjunto de equipamentos foi inaugurado nesta segunda-feira pelo governador Jorge Viana e o presidente do Departamento de Águas e Saneamento do Acre (Deas), Tácio de Brito, em cerimônia realizada na própria ETA.

O aeroporto estará de fato suprido, reconhecem os responsáveis pelo terminal. O movimento de passageiros no aeroporto cresce mais de 20% ao ano e o consumo de água atual é de 70 mil litros por dia. Entre 1999 e 2006, o Deas ampliou em mais de cinco vezes a capacidade de abastecimento no Bujari, saltando de 414 m³ ao dia para 2,5 mil m³/dia. Iniciada em 2005, a ETA capta água em um açude de 200 milhões de litros construído pelo Deas. A obra acaba, por pelo menos duas décadas, com o desabastecimento no aeroporto e no Bujari.

A ETA e o açude foram construídos em uma área de 20 hectares, dos quais a metade é ocupada pelo lago, adquirido pelo governo do Acre como meio de solucionar o drama da falta de água potável naquela região. A Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) é parceira no projeto. “Tive a honra de poder, junto com nossa equipe, resolver o problema de abastecimento no aerporto e no Bujari”, reafirmou Tácio de Brito. Paulo Mendes, um dos técnicos que ajudaram na implantação da ETA e do açude, lembrou que tanto a água subterrânea quanto superficial eram muito difíceis naquela região. “O açude foi a melhor alternativa”, disse Mendes.

Servidor há trinta anos do Deas (antes da criação do departamento, trabalhou para a extinta Sanacre), Raimundo Viana é o pioneiro no abastecimento de água para o Bujari. “Tudo ficou mais fácil agora”, disse, lembrando o período em que atuar no sistema era complicado pela falta de estrutura. “Muita coisa mudou, não só na questão do trabalho como no trato com o servidor. No Deas, todo mundo é respeitado.”

Viana decreta fim das ligações clandestinas, mais energia rural e diz que nada faria sem apoio do governo federal

Em Bujari, o governador Jorge Viana, o prefeito Michel Oliveira e o presidente da Companhia de Eletricidade do Acre (Eletroacre), Celso Matheus, assinaram ordem de serviço para início das obras do programa de regularização das redes urbanas, que põe fim às ligações clandestinas, os conhecidos “rabichos”. A rede terá quatro quilômetros, beneficiando 290 famílias, com instalação de 356 luminárias ao custo total de R$ 190 mil. Viana foi recebido com festa pela fanfarra da escola São João Batista. “Todo domicílio na área urbana terá iluminação segura”, afirmou Celso Matheus. Devem ser imediatamente beneficiadas as comunidades dos bairros Raimundo Lemos, Seringueira, João Gama e Raimundo Vieira.

“Quando assumi a prefeitura, tive de interromper o abastecimento com carro-pipa ao aeroporto porque a situação estava difícil na cidade. Agora é excelente, a população não reclama mais”, disse o prefeito Michel Oliveira.

Com o Deas, Viana assinou ordem de serviço para expansão da rede de água: serão mais 4.794 metros de rede e 317 novas ligações, no valor de R$ 161 mil. Os recursos de ambos os programas são provenientes do governo federal, através do Ministério da Saúde e Fundação Nacional de Saúde (Funasa) em parceria com o governo do Estado. As obras devem ser concluídas ao longo dos próximos meses.

Viana anunciou que no próximo dia 28 estará iniciando o processo de implantação de mais 200 quilômetros de rede de eletrificação rural, ao custo de R$ 4 milhões e meta de beneficiar 800 famílias. Bujari possui até agora 95,8 quilômetros de energia no campo, recebendo R$ 2.098.000 em investimentos. Apenas o que foi construído pelo Programa Luz Para Todos, o município já possui mais que o Estado inteiro tinha de eletrificação rural quando o programa começou se comparado à quantidade de ramais.

Ao final da cerimônia, o pastor Sergio Melo fez uma oração abençoando o governador e seu trabalho.

EVOLUÇÃO DO ABASTECIMENTO DE ÁGUA NO BUJARI
1999 2006

População urbana (hab)                                      1.478 3.289
População atendida (hab)                                    291 3.132
Capacidade de produção (m3/dia)                    414 2.592
Ligações existentes                                              78 1.044
Rede de distribuição (m)                                      6.000 22.000
Capacidade de reservação (m3)                         250 750

ETA e açude, a solução viável contra a falta de água

A opção pelo açude é a alternativa mais viável e econômica porque utiliza conceitos peculiares ao Acre na questão da reservação de água. “Aqui, todo mundo sabe fazer açude”, disse o governador Jorge Viana. “Nós e a equipe do Deas encontramos uma solução acreana”, completou.

No entanto, o projeto enfrentou problemas. Há alguns anos, o projeto para levar água ao aeroporto - e somente para o aeroporto - chegou a ser orçado em R$ 4,5 milhões. O governador viajou a Brasília e conseguiu convencer de que o projeto do açude seria mais eficaz e muito mais barato que a adutora proposta. Ao custo de R$ 1,5 milhão - três vezes menos que o valor apresentado pela prefeitura na gestão passada -, o Deas montou a ETA captando água do açude, pondo fim à agonia da Infraero, que tinha de abastecer o aeroporto com água de carro-pipa, e beneficiando o povo de Bujari, cuja boa parte vinha sendo obrigada a buscar água longe de casa. “O açude é uma solução ao mesmo tempo simples e sofisticada para o abastecimento de água nas cidades”, disse Jorge Viana, criticando o descaso imposto aos moradores de Bujari durante vários anos. “Entrava ano e saía ano e esqueciam da água, mas, se Deus quiser, Bujari terá água todos os dias”, completou.

Centro de Cultura e Florestania – Viana, Michel e lideranças comunitárias visitaram o Centro de Cultura e Florestania, que deve ser inaugurado em breve pelo governador. Construído em madeira, o centro terá espaço de leitura, auditório para cem pessoas e estrutura para manifestações artísticas e culturais.

Infraero ressalta parceria de resultados com o governo

Quando o aeroporto estava sendo construído, pouca atenção se deu à questão da água. Inaugurado, descobriu-se que não havia água de qualidade à flor da terra ou nos lençóis freáticos: poços de até 450 metros de profundidade chegaram a ser cavados, mas o resultado foi lamentável porque a água era enferrujada e cujo tratamento seria, além de complicado, muito dispendioso.

O superintendente regional da Infraero, Gilson Mendes, reconheceu que a parceria estabelecida com o governo do Estado trouxe solução praticamente definitiva ao desabastecimento do aeroporto, cujo consumo de água não pára de crescer como reflexo do aumento no fluxo de pessoas no terminal, além do sobe-e-desce de passageiros.

EVOLUÇÃO NO FLUXO DE PASSAGEIROS NO AEROPORTO DE RIO BRANCO *

Número de pessoas que usam o terminal para viajar, sem contar acompanhantes, estimados em média de três por passageiro

2003.......................................................................120 mil
2004.......................................................................169 mil
2005.......................................................................204 mil
2006 ..................................................................... 250 mil *

* Fonte: Infraero
** Estimativa

DEPOIMENTOS

“Lembro-me do tempo em que carregava lata d’água na cabeça para casa. Este governador não passa pela nossa cidade só por passar, mas vem trazer melhorias. São pessoas como ele que devemos ter no coração.”
Francisco Bessa, vereador em Bujari

“Agradeço a todos que atenderam aos nossos pedidos melhorando o fornecimento de água.”
Zaqueu, presidente da Associação Unidos Pela Fé

 
 
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Rio Branco-AC, 8 de agosto de 2006
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