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Modelo político defendido por oposição acreana atrás das grades Partidários do PPS trouxeram Ivo Cassol ao Acre para falar mal do Governo da Floresta em setembro do ano passado |
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Semana passada, o Brasil inteiro ficou chocado com o desfecho da “Operação Dominó” deflagrada pela Polícia Federal em Rondônia, quando foram presas 23 pessoas. Dos 24 deputados, 23 foram denunciados por envolvimento num esquema de corrupção que teria desviado mais de R$ 70 milhões dos cofres públicos nos últimos três anos. As 23 prisões ganharam um contorno mais grave porque entre elas foram presas, algemadas e expostas publicamente o presidente do Tribunal de Justiça, o presidente da Assembléia Legislativa, conselheiros do Tribunal de Contas do Estado, membros do Ministério Público Estadual, o procurador-geral do Estado e assessores parlamentares. Também foi preso o candidato a vice-governador na chapa do governador Ivo Cassol (PPS), Carlos Magno, que exerceu a chefia da Casa Civil até abril deste ano, quando se desincompatibilizou para se candidatar à vice-governadoria. Aparentemente, o que acontece em Rondônia não tem qualquer efeito na política acreana. Afinal, há muito tempo o Acre deixou de ocupar as páginas policiais da grande imprensa brasileira. Ao contrário do seu vizinho, o momento vivido por aqui é outro, com as instituições funcionando plenamente sem a necessidade de negociatas espúrias e incestuosas para a liberação de recursos. Mas os erros e acertos das autoridades rondonienses interessam à sociedade, principalmente agora, quando estamos há menos de dois meses para eleger o governador que irá comandar o Acre nos próximos anos. A crise que está bem próxima serve para que a população acreana avalie os projetos de desenvolvimento apresentados pelos grupos políticos que estão na disputa, apesar de as diferenças serem visíveis e quase palpáveis. Por um lado, o grupo que está no poder há sete anos e sete meses, representado pelo governador Jorge Viana e demais lideranças dos partidos que formam a Frente Popular, defende o desenvolvimento sustentável com o aproveitamento das riquezas naturais com sabedoria. Esse grupo conseguiu resgatar a imagem do Acre, devolvendo à população o orgulho de ser acreano. Os mais velhos devem lembrar que o Estado já viveu situação parecida com a de Rondônia. Aqui já houve tabela de preços para que os deputados aprovassem projetos do Executivo. O Judiciário ficou praticamente amarrado e vendado pelo poder paralelo do crime organizado, que tinha braços em todos os segmentos da sociedade. Não foi fácil tirar o Estado do fundo de um poço cavado ao longo de anos. A situação era tão complicada a ponto de os rondonienses tripudiarem da situação vivenciada pelos acreanos. Na outra ponta, concorrendo diretamente contra a Frente Popular, há um outro grupo capitaneado pelo ex-deputado federal Marcio Bittar, que também é do PPS, mesmo partido do governador rondoniense Ivo Cassol. Marcio Bittar nunca escondeu de ninguém que enxerga no modelo de Rondônia o mais apropriado para ser implantado no Acre. Fazendeiro, o pepessista e seu grupo político são identificados pela sociedade civil organizada como defensores da soja e do pasto ocupando o lugar da floresta. A admiração é tanta pelo jeito Cassol de governar que, em setembro do ano passado, quando o Acre estava praticamente coberto pela fumaça das queimadas nos pastos rondonienses e mato-grossenses, defensores da candidatura Bittar trouxeram os governadores de Rondônia e do Mato Grosso, Blairo Maggi, para vir falar mal do governo do Acre e da Florestania e defender a soja como a salvação da economia acreana. A comitiva logo foi apelidada pelo deputado estadual Moisés Diniz (PC do B) de a “Caravana da Fumaça”. Poucos meses antes de vir ao Acre, Cassol teve seu nome envolvido num escândalo de proporção nacional. Por isso, foi convidado a deixar o PSDB e ingressar no PPS, onde foi recebido como se nada tivesse acontecido. Mas aconteceu. Ele apareceu em programas jornalísticos da Rede Globo de Televisão em fitas, onde era supostamente extorquido por deputados estaduais. Foram essas gravações que levaram à formação de uma comissão externa no Senado, que veio a Rondônia investigar as denúncias. Presidida pelo senador acreano Sibá Machado, essa comissão pediu a decretação da intervenção federal no Estado e o aprofundamento das investigações contra os 23 deputados acusados e o governador. “A Justiça tarda, mas não falha”, comentou Sibá Machado ao saber das prisões. Agora, com o governo de um dos seus principais aliados na lama e na cadeia, a tendência é de que Marcio Bittar seja obrigado a mudar o discurso. Mas pode ser tarde demais. O Acre tem modelo próprio, diz Jorge Viana O governador Jorge Viana, em entrevista à Rádio Difusora Acreana, analisou as prisões em Rondônia e criticou quem tenta importar modelo de desenvolvimento de outro local para implantar no Acre. “Eu viajo bastante. Sempre procuro trazer as coisas boas. Esse tipo de exemplo negativo, que notadamente não deu certo, prefiro que fique longe do nosso Estado”, disse. Segundo o governador, o povo do Acre fez uma revolução para ser brasileiro e em defesa da floresta, criando um modelo próprio para se desenvolver. “Nosso modelo tem características próprias. Foi construído com a luta de muita gente boa. Essa revolução permanece viva em cada um de nós”, destacou Viana. Ainda na entrevista, Jorge Viana defendeu que a Justiça aja com o devido rigor e que a população acreana seja solidária com os rondonienses, porque, segundo ele, a culpa do que está acontecendo não é do povo, mas dos dirigentes que montaram dentro da administração pública uma rede de corrupção. “A população não tem culpa de nada. Vamos torcer para que a Justiça faça uma limpeza na política de Rondônia”, declarou. Viana afirmou que a crise rondoniense deve ser encarada pelos acreanos com um exemplo a não ser seguido. “Rondônia é mais rico do que o Acre. Mas, nesse quesito, estamos na frente dele.” Sibá defende intervenção Presidente da comissão externa do Senado que apurou irregularidades cometidas por representantes do poderes rondonienses, o senador Sibá Machado afirma que não há outra alternativa a não ser o governo federal decretar intervenção no Estado de Rondônia. “A intervenção é a solução. O Ivo Cassol pode não ser culpado, mas sabia de tudo. Ele, no mínimo, prevaricou”, afirmou o senador. Sibá Machado acredita que assessores de extrema confiança de Cassol agiam nas instâncias do poder ao seu mando, para viabilizar aprovação de projetos por meio de cooptação de deputados. Consciente da relação suspeita entre o Executivo e o Legislativo, a comissão presidida pelo senador acreano propôs, além da intervenção, que a Polícia Federal e o Ministério Público do Estado agilizassem a conclusão dos inquéritos para fundamentar a cassação dos 23 deputados estaduais envolvidos em corrupção. Os senadores também solicitaram o aprofundamento das investigações sobre a participação de Ivo Cassol no esquema, haja vista a existência de indícios de que o governador cometeu irregularidades no exercício do cargo. “Sei que o Ivo Cassol me odeia. Mas sei também que ele está envolvido nessa história”, destaca. Para compreender melhor a história No dia 3 de junho do ano passado, a Polícia Federal iniciou investigação para apurar supostos crimes revelados por reportagens veiculadas nos dias 15, 22 e 29 de maio, na Rede Globo de Televisão, no programa Fantástico. Foram veiculadas gravações realizadas pelo governador Ivo Cassol, que retratavam parlamentares estaduais lhe exigindo consideráveis somas de dinheiro para apoiar e votar projetos de interesse do governo do Estado. As imagens mostravam reuniões entre Cassol e os parlamentares, nas quais ocorrem diálogos que demonstravam a prática de crimes de concussão, corrupção passiva e formação de quadrilha. Na reportagem do dia 29 de maio é exibida uma reunião entre o governador e um ex-assessor da Assembléia Legislativa, que denuncia a existência de desvio de dinheiro do Legislativo mediante a emissão de cheques para pagamento de servidores comissionados, cujas assinaturas seriam falsificadas e, depois de descontados, seriam destinados a deputados estaduais. Os fatos investigados apresentaram pontos de conexão porque as ações têm origem sempre num grupo que operava dentro da Assembléia Legislativa, embora guardasse independência suficiente para inibir a apuração em esquemas distintos. Foram investigados crimes praticados no pagamento de salários dos servidores comissionado da Assembléia Legislativa, na contratação de empresas prestadoras de serviço e fornecedores de produtos, por concussão praticada pelos deputados estaduais contra o governador, exploração de prestígio, advocacia administrativa, tráfico de influência e outros ilícitos praticados por pessoas ligadas ao grupo. |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
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