| OPINIÃO | ||
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| Beneilton Damasceno * |
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Daqui a menos de um mês, completo vinte e nove anos como servidor da Universidade Federal do Acre (Ufac). Era setembro de 1979, governo do presidente Figueiredo. Ia fazer vinte anos de idade, o cabelo pretim, pretim. Agora caminho rápido para beliscar o primeiro - e derradeiro - meio século de existência, ameaçado pelo reumatismo e imaginando a aposentadoria que ironicamente se distancia a cada mudança de humor do governo federal. Fui admitido durante a administração do reitor biônico Áulio Gélio, ainda no antigo “Palácio da Cultura”, hoje Colégio de Aplicação. Depois, com o fim do regime militar, já no campus universitário, dirigiram a Reitoria os professores - presumivelmente nesta ordem - Moacir Fecury, Sansão Ribeiro, Lauro Julião, Carlitinho Cavalcanti e Jonas Filho (2000 e 2004). Todos eleitos pelo voto direto. A memória displicente não ajuda a lembrar se votei em um, em todos ou em nenhum. Mas não nega fogo quando declara que jamais participei de qualquer campanha eleitoral nesse período. Por pura displicência. Muitos companheiros da academia mostraram surpresa quando, de uma hora para outra, viram-me com um adesivo “apregado” no peito e vestindo camiseta encarnada acompanhando uma legião de companheiros que apoiava a professora Olinda Assmar para a Reitoria. Eu, porém, não me surpreendi. Conheço a doutora Olinda há pelo menos vinte e sete anos - fui aluno dela no curso de Letras, no começo da década de oitenta, e se não tivesse criado juízo teria “repetido de ano”. Acompanhei, como observador, suas tentativas de contribuir com a instituição exercendo o cargo que merecidamente acaba de conquistar. Candidatou-se uma vez, sem sucesso. Na outra, foi vice. Teve perseverança bastante para perseguir seu sonho. E ele não veio nem antes nem depois - chegou na hora propícia. Olha, acho que tomei gosto pela campanha. Assisti aos debates, incorporei-me ao grupo de apoio à professora, de repente me vi repetindo palavras de ordem nos corredores e, por último, esperei, morrendo de sono, a demorada contagem dos votos até as três da manhã, quando foi anunciado o resultado da eleição. Esse curto convívio me revelou uma Olinda que eu não conhecia. A Olinda sisuda, de poucas palavras, é uma mulher cândida, serena, com seus medos e uma insegurança às vezes pueril. Nada tem de carrancuda ou indiferente, como cheguei a ouvir da boca de alguns. Vi, por exemplo, a Olinda tão segura tremer literalmente quando esteve a ponto de perder a voz no último debate, quatro dias antes da eleição. Em respeito à adversária, em nenhum momento cantou a vitória, embora acreditasse que ela fosse possível - e necessária, para que seu sonho se materializasse. No próximo mês de novembro, a cadeira da Reitoria, que nas três décadas anteriores sempre esteve ocupada por um representante do sexo masculino, terá a presença de uma mulher. Olinda vai assumir uma universidade com problemas de toda ordem e muitos vícios a serem gradativamente debelados. É aí que os aliados - e também os não-aliados, de todos os três segmentos - entrarão em ação para perguntar, orientar, criticar, elogiar. A professora e seu vice Pascoal Muniz precisarão desse suporte para tomar decisões que sem dúvidas farão a Ufac avançar mais, como bem anunciou o slogan de ambos. Toda a militância participa neste sábado, na sede social do Sintest, de uma confraternização em homenagem aos vitoriosos nesse processo que se encerrou segunda-feira. Será uma reunião diferente, descontraída, diferente das que antecederam o pleito de quatro de agosto. Ainda restam três meses para os eleitos - aí incluídos os cinco pró-reitores - tomarem posse, mas o grupo da professora Olinda se reunirá diversas vezes a fim de delinear o programa de trabalho a ser executado depois que o professor Jonas entregar o cargo. Na condição de servidor da velha guarda da Ufac, tomo a ousada liberdade de garantir que a gestão dos próximos quatro anos da professora Olinda Assmar será vitoriosa. Dificuldades não faltarão, mas a determinação para suplantá-las será seu carro-chefe. Adianto isso por conhecer um pouco da sua maneira de trabalhar: firme, determinada, sem concessão de privilégios e submissa à seriedade que sempre a caracterizou. São exatamente essas qualidades que Olinda terá a oportunidade de pôr à prova. Parabéns pela vitória! * Jornalista |
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