| OPINIÃO | ||
| CRÔNICA | ||
José Cláudio Mota Porfiro * |
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Conversando com Chico Campos Passei décadas dessa minha vidinha arcaica ouvindo testemunhos e defesas arrojadas de teses e opiniões na Academia. Fui daqui para acolá tentando entender o que me diziam os ancestrais da filosofia que tem buscado nada mais que dias melhores para o pacato cidadão da periferia social. Senti, já, que quem tem dinheiro tem poder e vive bem porque compra o que quer, inclusive, defesas para atos que margeiam as regras mais básicas da convivência. Antes, entretanto, para preocupação maior do meu pai estivador, houvera eu nascido em berço esplêndido de paxiúba, forrado com colchão de capim e saco de farinha de trigo. Desde a mais tenra infância, diziam-me os mais velhos coisas do tipo “quem não pode com o pote não pega na rodilha”. E ouvi muitas outras assertivas toscas como esta, mas carregadas de uma sabedoria incrível. E não é que realmente a voz do povo é a voz de Deus! Mas a questão do ser militante sempre e sempre me tem reservado uma ou duas boas surpresas nessas idas e vindas pelo Vale do Acre, principalmente. Estive a participar da reunião de uma célula do Partido dos Trabalhadores, na Transacreana, no sábado, 23 de setembro. Havia muita gente, inclusive, alguns ribeirinhos do Riozinho do Rola. A pessoa em torno da qual nos reunimos é Wânia Lílian, delegada de polícia de profissão, candidata a deputada estadual. Lá, me sentei à direita da doce Simone, aquela que cuida bem de mim e dos nossos, e à esquerda de um companheiro sangue bom conhecido como Chico Campos. A Delegada tem um diálogo espetacular com as mulheres e, também, com os homens... E, ainda, com os mais jovens. Tratou ela de temas como a assistência ao pequeno agricultor, a violência contra as mulheres e contra os homens, o atendimento à saúde, as estradas vicinais, dentre outros aspectos. Foi muito bom ver aquela figura humana cheia de boa vontade levando uma mensagem de melhores dias para criaturas tão humildes quanto simples são os seus sonhos. Mas alguma coisa muito especial estaria por acontecer naquele dia. Um cidadão de cabelos já esbranquiçados, apesar dos cinco ponto quatro, de vez em quando, soltava uma exclamação de apoio às palavras da candidata. E eu o ouvia, também, atentamente. Depois, passada a reunião, já na hora da bóia, bati no ombro do companheiro à esquerda e falei-lhe sobre uma possível chuva que poderia cair mais tarde e estragar a viagem de volta ao Riozinho, pelo ramal. Detive-me, então, por algum tempo, numa prosa factual com esse companheiro bonachão, calmo e boa praça chamado Chico Campos. Falou-me o velho companheiro, então, sobre as pesquisas, sobre Lula, Jorge, Marina, Tião, Binho, Angelim, Raimundão, dentre outros mais ou menos conhecidos. E foi muito além ao afirmar que “esses poderosos, como esse fazendeiro e médico de nome Geraldo, candidato à Presidência da República, não se cansa de tramar contra o Lula só porque o Lula é pobre, filho de pobre e com cara de sertanejo nordestino.” Olhem só a questão da voz do povo em sintonia com a voz de Deus. E o Chico ainda falou em “índices sociais”! Analisemos, pois. Chico Campos é daqueles homens simples e atento demais. Do mesmo meu estilo, fala pouco e ouve muito, como se estivesse seguindo na linha o pensamento de Confúcio, o chinês, segundo o qual Deus deu ao homem dois ouvidos e uma boca exatamente para não cairmos na armadilha segundo a qual o mal é o que sai da boca do homem. É claro que se Lula liderava todas as pesquisas com altíssimas chances de ganhar as eleições no primeiro turno, não seria do interesse dele promover algo que pudesse prejudicar-lhe, como esse famigerado dossiê. No que se refere àqueles que arquitetaram o plano, no caso de sucesso, poderiam ser levados à condição de heróis numa pouco provável virada de Mercadante, em São Paulo. Há até a possibilidade de, no Mato Grosso, terra de negociatas e grandes negociadores da fé pública, esses agentes da trapalhada terem sido convencidos pelos tucanos e pefelistas a ganharem um bom dinheiro numa tentativa de causar algum prejuízo a Lula nos últimos dias de campanha, como no caso de Lurian, a filha de Lula, na época da eleição contra Collor... Certamente, alguém do PT pode até estar ganhando dinheiro para ajudar-se a si próprio e prejudicar um projeto de governo que rendeu índices sociais históricos. Chico Campos está coberto de razão. O intenção maior dos tucanos e pefelistas é enganar os mais pobres do País. A voz que vem do povo dificilmente se cala principalmente quando um homem de bem clama por justiça. |
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