COTIDIANO

Tempestade provoca caos na cidade

Ventos de até 95 quilômetros deixaram clientes do Supermercado Araújo em pânico com desabamentos no prédio

Marcos Vicentti
Teto e a estrutura do
prédio foram danificados


Renata Brasileiro

A sede do supermercado Araújo, do Tangará, foi a maior vítima da tempestade que atingiu Rio Branco na tarde deste domingo. O forro do prédio, juntamente com a estrutura metálica que o prendia ao teto, desabou em cima das gôndolas do estabelecimento, após uma jorrada de água com ventos que chegaram a 95 quilômetros por hora, de acordo com Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Acre (Ufac).

Por pouco o acidente não fez nenhuma vítima. Alguns clientes chegaram a ser encaminhados ao pronto-socorro da cidade com ferimentos leves. O caso mais grave foi de um rapaz que cortou o pé em uma parte da estrutura que fora ao chão.

O desastre foi tão rápido que nem ele soube dizer se o corte aconteceu quando a estrutura caiu ou se ele tropeçou em blocos ao tentar sair de dentro do prédio, comentava um dos funcionários do supermercado na manhã de ontem.

O episódio ocorrido no supermercado foi apenas um entre centenas que deixaram a população de Rio Branco assustada, principalmente os moradores do bairro Estação Experimental, o mais prejudicado com o temporal.

Segundo o dono da rede de supermercados, Adem Araújo, o prejuízo material foi grande. O valor está sendo calculado juntamente com um orçamento de recuperação do prédio, o que deverá ser finalizado daqui a dois dias.

“A nossa preocupação agora é em manter a estrutura em pé, com o isolamento do local e escoras de madeira para podermos retirar a mercadoria de dentro”, completou o empresário.

Mais riscos de desabamento

Na manhã de ontem, uma equipe do 1º Grupamento de Incêndio visitou o local a fim de elaborar um laudo sobre as condições do prédio. O comandante da equipe, coronel Ivo Silva, frisou que o supermercado foi o mais afetado com o temporal entre todas as ocorrências atendidas pelo Corpo de Bombeiros.

Enquanto o laudo não fica pronto, a ordem é não se aproximar do prédio, tampouco entrar sem o auxílio do Corpo de Bombeiros, pois os riscos de desabamento ainda são grandes. As rachaduras nas paredes, que se alongam de uma ponta a outra, são as provas mais evidentes do perigo.

Segundo Adem Araújo, o supermercado permanecerá fechado por pelo menos duas semanas. Esse é o prazo estimado até que uma reforma geral seja feita no local.

O drama de quem perdeu tudo

O medo sentido pela população durante a tempestade ontem virou motivos de piada para alguns que se reuniam para contar em detalhes o que acontecera. No entanto, para quem perdeu tudo, o dia de ontem parece ter sido mais apavorante ainda.

É o caso do trabalhador Manoel Barbosa, 54. Ele mora na rua Longuinho da Silva, no bairro Estação Experimental. Em sua casa, as telhas foram quase todas levadas com a força do vento, dando brecha à chuva que molhou aparelhos eletrodomésticos, sofá, colchões e outros utensílios que foram considerados “estragados” por ele.

“Vai ser muito difícil para recuperar tudo. O dinheiro que eu tinha gastei na cirurgia da minha mulher e não tenho como proteger minha casa se chover de novo hoje”, disse.

Mais de 40 ocorrências atendidas

Em questão de minutos, a tempestade provocou destelhamentos, derrubou árvores, outdoors, entortou placas de ferro, danificou toda a rede de energia da cidade e até arrastou caixas d’água a vários metros de distância.

Se até estruturas aparentemente inabaláveis sofreram com a passagem do fenômeno, casas de madeira, sem forro, coberta apenas com telhas, ficaram completamente destruídas com os ventos de 95 quilômetros por hora.

O efeito da tempestade fez com que os telefones do Corpo de Bombeiros tocassem sem parar na tarde de domingo. Vinte ocorrências foram atendidas no dia - todas referentes a quedas de árvores e obstrução de vias.

Operação limpeza

Para amenizar a devastação deixada nas ruas do bairro Estação Experimental, a Secretaria de Serviços Urbanos de Rio Branco (Semsur) deslocou três equipes composta por doze pessoas para o serviço de limpeza e desobstrução.

As equipes cortaram e retiraram galhos caídos em cima das casas e em seguida passaram com a varrição de rua em rua. A operação durou o dia todo.

 

 
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Rio Branco-AC, 8 de novembro de 2005
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