COTIDIANO

Mercado Floresta

Sabonete de murmuru, de matéria-prima extraída do rio Juruá, faz sucesso na primeira megafeira de produtos florestais

Divulgação
Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, participou da abertura da feira


Romerito Aquino

Brasília – Feito à base de amêndoa da palmeira de murmuru, que é colhida pelos trabalhadores extrativistas do rio Juruá, no Acre, o sabonete Tawaya, com propriedades hidratantes para todo o tipo de pele, foi uma das estrelas do Mercado Floresta, a primeira megafeira de negócios florestais realizada no Brasil para mostrar ao país e ao mundo o que a floresta tem para oferecer em termos de novidades em produtos sustentáveis.

Inaugurado no último sábado na Oca do Ibirapuera, na capital paulista, e com encerramento previsto para hoje, o Mercado Floresta deve ser visitado por mais de sete mil pessoas, todas interessadas em conhecer, debater e comprar os produtos originários da Amazônia, da Mata Atlântica, da Caatinga e do Cerrado brasileiros, que estão expostos em cerca de 200 estandes.

Os estandes foram montados tanto por grandes empresas, como a Natura, a Tramontina e o Grupo Orsa, quanto por pequenos produtores, associações comunitárias e por artesões levados a São Paulo com o apoio do Balcão de Serviços para Negócios Sustentáveis, ligado à organização não-governamental Amigos da Terra, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, do Sebrae e dos governos estaduais e federal, apoiadores do evento. A mega-feira tem por objetivo geral o de fazer o reconhecimento dos biomas brasileiros como fonte de riqueza a ser conservada e explorada racionalmente.

“Não é um evento de ambientalistas, mas de negócios”, explicou Roberto Smeraldi, diretor geral da entidade Amigos da Terra - Amazônia Brasileira e coordenador geral do evento.  Segundo Smeraldi, o Brasil é responsável por cerca de 3% do mercado mundial de produtos florestais, participação quen, no seu entender, poderia ser rapidamente triplicada apenas com a capacidade já instalada.

Para Smeraldi, está se falando apenas da utilização sustentável, através do extrativismo, do manejo (inclusive de madeira) com certificação e de serviços, como turismo. Os idealizadores do Mercado da Floresta sustentam que o evento é uma oportunidade de mostrar o trabalho sustentável, altamente empregador, propiciando encontros e negócios entre produtores florestais, indústrias e comércio nacional e internacional.

A ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, participou no sábado da abertura da feira, deu uma palestra e visitou os estandes de produtores, que levaram a São Paulo produtos de mais de 110 comunidades que utilizam matérias-primas florestais de forma ambientalmente correta e socialmente justas. Segundo a ministra, o Mercado da Floresta “é uma oportunidade única para se dar visibilidade ao que já está sendo feito”. 

“Muitas vezes falamos na teoria que poderia dar certo, e hoje temos como mostrar na prática.  Então, ter aqui as comunidades, os estados e as empresas de um modo geral é uma demonstração que é possível fazer negócios sustentáveis.  A floresta precisa dessa nova oportunidade, de continuar floresta, preservando a sua biodiversidade, e também viabilizar condições de vida digna para as pessoas”, completou Marina Silva.

 

 
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Rio Branco-AC, 8 de novembro de 2005
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