OPINIÃO
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Maria Regina Canhos Vicentin*

 

O Crisma e a Reconciliação

Dias atrás eu estava fazendo um estudo acerca dos sacramentos e fiquei maravilhada. É impressionante a dedicação de Deus por nós, a ponto de deixar os sinais do seu amor, imagens visíveis de uma realidade invisível. Alguém disse que os sacramentos são como vasos que contêm remédio, e verdadeiramente o são. Eles se prestam à santificação dos homens. Alimentam e fortalecem a fé, muitas vezes no instante em que ela está sujeita a esmorecer. Todos os sacramentos são belos, mas eu me encantei pelo matrimônio, a reconciliação e o crisma. Vou escrever um pouquinho sobre esses últimos.

O crisma costuma ser chamado também de confirmação. É um dos sacramentos da iniciação cristã, tendo como objetivo confirmar o batismo. No batismo nós passamos a pertencer a Cristo, tornando-nos filhos de Deus pelo dom do Espírito Santo. Recebemos a semente da vida nova, que deve ser cultivada com cuidado a fim de que possa germinar, crescer e frutificar. Pois bem, a vida do cristão que começou no batismo, deve atingir a sua plenitude na confirmação. Crisma significa “unção” e refere-se ao óleo que se usa na administração de alguns sacramentos. Assim como o batismo, o crisma confere direitos e deveres aos fiéis. Fortalecendo a nossa fé, auxilia na aquisição da maturidade cristã e no desenvolvimento do compromisso para com a missão apostólica, integrando o cristão na comunidade mais ampla da Igreja diocesana e universal.

A confirmação proporciona uma ligação profunda à filiação divina, unindo-nos mais solidariamente à Cristo. Também propicia o derramamento dos dons do Espírito Santo em nós: sabedoria, ciência, fé, cura, operar milagres, profecia, discernimento dos espíritos, falar em línguas e poder interpretá-las (1 Cor 12, 7-11). O crisma torna mais perfeita a nossa vinculação com a Igreja e nos dá uma força especial do Espírito Santo para difundir a fé, assumindo nossa missão de evangelizadores.

É preciso que nos socorramos desses remédios que são os sacramentos sempre que nos sentirmos em perigo, correndo o risco de macular a nossa vida de modo irreparável pelo pecado que desencaminha qualquer bom propósito. E o caminho de volta ao Pai se dá através da reconciliação, que é o sacramento do perdão. A conversão é um esforço para aperfeiçoar a graça do batismo, a fim de que a vida de Jesus se manifeste cada vez mais em nós. Precisamos examinar nossa vida diante de Deus, diante do próximo, e diante de nós mesmos, procurando encontrar os pontos de desajuste que suscitam o nosso arrependimento. Posteriormente, devemos nos empenhar para a propositura de ações renovadas, somente possíveis diante de uma real conversão.

Finalizando, o Senhor nos deu os sinais de seu amor, vasos cheios de remédio dos quais podemos usufruir sempre que desejarmos. Façamos uso desses presentes que Deus nos deixou, assimilando toda a sua profundidade e deixando que eles transformem, através da ação do Espírito Santo, a nossa vida para melhor.

* Psicóloga, Bacharel em Direito, Pós-Graduada em Educação, Especialista em Psicologia Clínica e Jurídica, e Escritora.
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Rio Branco-AC, 8 de novembro de 2005
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