| OPINIÃO | ||
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Sandra Starling * |
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| Exemplos de desrespeito aos cidadãos Gostaria de estar escrevendo sobre uma exceção - infelizmente, porém, não se trata de exceção, e sim de quase uma regra. Refiro-me ao desrespeito com que os cidadãos brasileiros são tratados nas mais diferentes situações. E, para ilustrar, vou me reportar, comparativamente, ao que presenciei há muitos anos, quando morei nos Estados Unidos da América. Estava dentro de um bonde, indo da minha casa para o centro da cidade de Pittsburgh. Uma senhora, com idade de aproximadamente setenta anos, deu o sinal e se levantou para descer da condução. Uma freada brusca, atirou-a ao chão. Ficamos mais de hora esperando: primeiramente o socorro médico, depois a polícia de trânsito. Todos nós, passageiros, tivemos de prestar depoimento sobre o incidente. De outra feita, era eu quem estava em um táxi e sofri uma batida no joelho quando esse estacionou. Foi a mesma coisa: apesar de eu não ter tido nenhum ferimento à vista, o próprio motorista não me deixou apear e entrar em casa, enquanto não fui examinada por um médico e enquanto não assinei uma declaração acerca da inocência do taxista. E por fim, coisa que à época me maravilhou. Comprei um vestido meio caro em Nova York para um casamento a que compareceria, quando voltasse ao Brasil. À noite, trocando idéias com meu marido, cheguei à conclusão que deveria tentar trocá-lo, pois eu estava grávida e, certamente, engordaria até a data da festa. Fui até a loja, humildemente, pedindo para fazerem a troca. Não houve nenhum problema. Vi, então, que não havia uma peça sequer que atendesse à minha necessidade. Deram-me o dinheiro de volta, na maior naturalidade! Confesso que fiquei pasma! Tudo muito diferente do que ocorria aqui no Brasil. Agora, vejo que as coisas, se mudaram, não mudaram tanto assim. Somos tratados sem nenhum respeito a nossos direitos de consumidores e cidadãos. Apenas para encurtar conversa, vale recordar o tratamento que receberam os que tentaram viajar de avião na semana passada. O que não é muito diferente do tratamento cotidiano dado aos que usam o metrô em São Paulo, ou milhões de usuários de coletivos por todo o Brasil. Agora mesmo, empresários do setor conseguiram, na Justiça, cassar o direito de gratuidade dos idosos pobres, em ônibus interestaduais. Fui informada, por último, que um senador da República foi sábado passado ao cinema, acompanhando sua filha de 17 anos, para assistir a um filme cuja censura é 18 anos. Lá chegando, a menina foi barrada. Sem identificar-se, o senador apenas disse que ajudava a fazer as leis em nosso país e por isso queria saber onde estava a portaria que estipulava a permissão de ingresso. A moça que o atendia indicou uma parede um pouco além da bilheteria, na qual nada estava afixado. Ele reclamou disso e ela apenas retrucou que não sabia onde a portaria tinha sido posta e ficou tudo por isso mesmo. Ora, o Estatuto da Criança e do Adolescente, reforçado por uma portaria do Ministério da Justiça, permite ao menor, acompanhado dos pais, entrar em espetáculo ou diversão, cuja classificação indicativa seja superior a faixa etária deste. Parece que os donos do cinema, nesse caso, desconhecem aquilo que é direito dos jovens. Como nos demais exemplos que citei, é preciso que protestemos. Só deixaremos de ser uma sociedade em que nossos direitos são sempre violados, quando cada um se defender, e, assim, pelo exemplo pedagógico, ajudar a serem defendidos os direitos de seus concidadãos. * Ex-deputada federal pelo PT |
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