VARIEDADES

Encontrado sítio arqueológico no Vale do Juruá

Urnas de argila foram localizadas próximo a moradias no município de Rodrigues Alves

Cedida
Urnas foram descobertas por
equipes da Secretaria de Turismo


Sandra Assunção

O historiador Fernando Figali, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), localizou neste final de semana, em duas localidades do Vale do Juruá, um grande sítio arqueológico com urnas mortuárias indígenas. São mais de 30 urnas de argila que estão em ramais e próximo às residências das vilas Nova Cintra e Valquíria, no município de Rodrigues Alves, distante cerca de 40 quilômetros de Cruzeiro do Sul. Em algumas há ossos petrificados.

De acordo com Figali, as urnas foram descobertas ao acaso por equipes da Secretaria de Turismo do Estado e do Sebrae, que ministravam cursos nas localidades e o informaram sobre o achado. O historiador afirma que esta é a primeira vez no estado que esta quantidade de urnas é encontrada em um mesmo local. Em Xiburema, Sena Madureira e no Vale do Acre, a quantidade de material arqueológico encontrado é bem inferior ao do Juruá.

A preocupação do representante do IPHAN é com a destruição das urnas, pois muitas estão no meio de um ramal, outras na principal rua da Vila Nova Cintra e ainda em quintais das residências. Um morador chegou a retirar do local cerca de 14 urnas funerárias indígenas. Fighali diz que vai solicitar com urgência a visita de um arqueólogo aos locais onde estão as urnas. Em seguida, elas deverão ser estudadas e levadas para o museu de Cruzeiro do Sul. “As peças não têm valor comercial, e sim histórico, e para retirá-las do local há todo um procedimento metodológico que só especialistas conhecem. Mas acredito que a comunidade entendeu isso e vai preservar as peças até a chegada dos especialistas”, diz Fighali.

Entre os parceiros do IPHAN na pesquisa das urnas deve estar a Universidade Federal do acre, o Departamento de Cultura da Prefeitura de Cruzeiro do Sul, por meio do historiador e arqueólogo Marcus Vinícius das Neves e o paleontólogo Alceu Ranzi, que tem apoio de pesquisadores da Finlândia.

Tradições Indígenas – Uma das grandes curiosidades da comunidade é pela forma com que os índios teriam sido enterrados nas urnas, que têm menos de um metro de altura. O historiador Fernando Fighali explica que as comunidades indígenas têm hábitos diferentes. Mas muitas costumam enterrar os mortos em covas bem rasas e jogar água em cima durante quarenta dias e quarenta noites para que a carne se desintegre e se desprenda dos ossos. “Em seguida, os ossos são lavados e aí sim, colocados nas urnas funerárias com vários de seus pertences”, relata o historiador. Fighali lembra ainda que na década de 70 o arqueólogo Ondem Dias, fez prospecções em toda a Bacia Amazônica e encontrou sítios arqueológicos em todo o estado do Acre, inclusive foi ele quem encontrou os famosos geoglifos, que agora são estudados por pesquisadores do mundo inteiro.

 
 
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Rio Branco-AC, 8 de novembro de 2007
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