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As desventuras de Pedro Açaizeiro Com hábitos arraigados no extrativismo tradicional, ele não compreende a necessidade de plantar para garantir o futuro |
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Peconha nos pés, lá vai mais uma vez subindo pela estipe até chegar à palhada onde colhe cachos de frutos cor de vinho num tom tão escuro que parecem negros. Vitorioso desce carregando dois ou três cachos que debulhados num saco e medidos na lata, depois de batido irão transformar-se no mais delicioso açaí. Há 36 anos é assim, de janeiro a setembro, durante toda a temporada do açaí a rotina de Pedro Jaime Rodrigues Alves, 52 ano,s que com o fruto da floresta criou os oito filhos. Lembra os bons tempos que tirava centenas de latas a partir da porta de casa, na floresta rica que um dia existiu, quando lá chegou para desbravar a colônia localizada no quilômetro 1 do ramal do Bugre, ao qual se entra à esquerda no quilômetro 76 da rodovia Ac-40 a menos de 20 minutos de Plácido de Castro. “Naquele tempo era muito bom, vim pra cá fundar colônia e cortar borracha, então andei fazendo um tanto de açaí só pra beber, os vizinhos gostaram, vendi pra eles e depois apareceu um pessoal de Rio Branco. O lugar era longe e o preço baixo, mas tinha muito e rendia muito mais que o arroz, milho e macaxeira. Enquanto derrubava a mata para fazer pasto fui me dedicando cada vez mais a produção de açaí. Meus filhos foram crescendo, ajudavam na colheita, cada um fez sua vida com esta fruta que todo mundo gosta”, afirma Pedro Jaime. Neste ano,só ele conseguiu colher mais de 1.500 latas dos açaizais que ainda existem nas reservas legais de algumas fazendas que margeiam o igarapé Rapinrã, a mais de 30 quilômetros de sua casa. Ao longo dessa distância, os açaizeiros que sobraram são tão poucos que não compensa nem parar para colher. “Hoje já não existe mais açaí por aqui, sobrou pouco, eu mesmo derrubei tudo para plantar pasto, hoje a gente vai buscar longe, mas a produção boa mesmo está na Bolívia. Vou com os meninos, a gente sobre nos açaizeiros, traz os cachos pra baixo, debulha e depois mede na frente do dono da colocação pro qual pagamos dois reais por lata, Tiro uma média de 15 a 20 latas por dia, levo pra casa e lá a gente vende a sete ou oito reais para o pessoal que vem de Plácido ou de Rio Branco”, explicou. A empolgação com o roçado, se é que um dia existiu, já não anima mais a Pedro que só planta o suficiente para comer, pois o restante do sustento da família é tirado do açaí e pra necessidades maiores lança mão de sua poupança em gado. Nesses 36 anos sobrevivendo e até conseguindo comprar colônias para os filhos à custa do açaí, Pedro nunca teve a preocupação de plantar açaizeiros, até que, há três anos, apareceu um financiamento do banco e ele pegou pra plantar 700 pés de açaí de touceira. “Eles cresceram rápido, ficaram bonitos, dava um trabalho danado cuidar deles colocando adubo e limpando a área, já era para estarem começando a produzir agora, mas veio aquele verão doido do ano passado, e o fogo passou no meio, pouca coisa restou. Fui no banco tentar renegociar a dívida pra replantar as que morreram, mas disseram que para isso precisaria de outro financiamento, então achei que ia ficar muito caro e deixei pra lá”. |
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