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Engenheiros de todo o Brasil realizam visita técnica à BR-364 Missão faz parte da programação do Fórum Internacional de Desenvolvimento Sustentável, que começa no Acre e termina em Cusco |
![]() Obras de pontes ao longo da BR-364 estão em estado avançado de construção |
Cruzeiro do Sul - Parte da programação do 1º Fórum Internacional de Desenvolvimento Sustentável, que reúne engenheiros de cinco países latino-americanos nas cidades de Rio Branco e Cusco, no Peru, um grupo de 60 engenheiros de diversas áreas percorreram a BR-364 desde a capital acreana até Cruzeiro do Sul na última terça-feira, em uma visita técnica a um dos três eixos acreanos de integração do Brasil com países vizinhos. “Estou impressionado com o que vi. O trabalho das empresas, o enfrentamento às dificuldades e o empenho do governo de promover a integração de seu povo chamam nossa atenção”, disse o presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Celso Murilo Rodrigues. A FNE é promotora do encontro que será aberto nesta quarta-feira no auditório da Federação das Indústrias do Acre (Fieac) com palestra do ex-governador Jorge Viana, presidente de honra do fórum. Além da BR-364, engenheiros de 17 Estados brasileiros percorrem a Estrada do Pacífico desde Rio Branco até Cusco, onde será realizado a segunda fase do fórum internacional. O grupo saiu às 5 horas de Rio Branco. Em Sena Madureira, os engenheiros receberam as boas-vindas do diretor-presidente do Departamento de Estrada de Rodagem (Deracre), Marcus Alexandre, em café da manhã ao ar livre na Balança da BR-364. Em breves palavras, o diretor do Deracre falou da importância da rodovia para os brasileiros que vivem no Acre - não apenas pelo fator integração como para o desenvolvimento econômico e social de uma das regiões mais isoladas da Amazônia. Em seguida, vinte camionetas partiram para o Vale do Juruá. Participaram da comitiva técnicos do Deracre e de outros órgãos do doverno acreano e o deputado Thaumaturgo Lima, líder do PT na Assembléia Legislativa. Ao longo de todo o percurso de mais de 500 quilômetros, o Deracre e as empreiteiras JM e Construmil mantêm variadas frentes de trabalho. Homens e máquinas trabalham dia e noite para concluir, até o dia 30 de setembro, o trecho compreendido entre Tarauacá e Cruzeiro do Sul. “Estamos trabalhando para que até o fim do ano todo esse trecho tenha a primeira base de asfalto”, disse o engenheiro Fernando Moutinho, do Deracre, um dos responsáveis pela obra. Muito movimento - Reaberta há menos de dois meses, a BR-364 já registra movimento recorde de caçambas transportando material de construção: no ano passado passaram pela balança do Deracre 98 caçambas. Neste ano, em menos de 60 dias, já são 700. “Para se ter uma idéia, com a BR reaberta já passaram por aqui 2.665 caminhões levando todo tipo de mercadoria para os municípios ao longo da rodovia”, informou Alexandre aos engenheiros. “O governo do Estado está de parabéns porque pudemos ver o esforço que vem sendo feito para concluir esta rodovia”, disse o presidente da Associação dos Engenheiros do Acre, Tião Fonseca. Engenheiros conhecem ‘logísitica de guerra’ para implantar rodovia No acampamento da Construmil, no rio Liberdade, os engenheiros assistiram à projeção de slides e palestras sobre a BR-364, incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como obra prioritária para o governo federal. Puderam ver aspectos de logísticas, como a longa caminhada que alguns insumos percorrem para chegar aos canteiros. O seixo, por exemplo, vem da fronteira com a Colômbia, de onde percorre mais de quatro mil quilômetros pelos rios amazônicos para chegar a Cruzeiro do Sul em médias e grandes balsas. Para garantir a qualidade da obra, o governo do Acre contratou o Consórcio Lenc, de São Paulo, que mantém equipes percorrendo os trechos em andamento, observando, analisando e sugerindo correções quando necessárias. No total, 23 técnicos supervisionam a obra. Os engenheiros ficaram conhecendo os cortes que por lei devem ser feitos para reduzir o nível de rampa a 6% do declive. Ao fazer essa operação, as máquinas acabaram encontrando lencóis freáticos, que são rios subterrâneos. Esses lençóis tiveram de ser rebaixados e drenados com canos para evitar contato com a terraplanagem. Na década de 70, na falta da melhor tecnologia, o Exército chegou a enterrar enormes toras de madeira para separar a água do aterro. “Envelopamento” da tabatinga na BR-364 será apresentada a especialistas do Brasil O engenheiro Salvador Almeida, que atua no trecho do Vale do Juruá, apresentará no próximo mês, na conferência nacional da Associação Brasileira de Egenharia Civil, a técnica de “envelopamento” do solo, método que revolucionou o processo de asfaltamento da BR-364 naquela região, marcada por terras de tabatinga, barro pobre e perecível, praticamente sem sustentação. Salvador criou um sistema para aproveitar o solo do tipo montemoreronita - a popular tabatinga - passando a usá-la na fundação de terraplagem, uma espécie de base para assentamento de outros solos. Considerada extremamente fraca, a tabatinga até então era o terror de engenheiros e motoristas. Basta uma pequena chuva e ela se transforma num barro grudento e veículo algum consegue ultrapassá-la. A técnica consiste na compactação em grau que impermeabilize a tabatinga. Em seguida, é “envelopada” em outros solos e pronto: a vilã agora é festejada. Apesar de as dificuldades continuarem grandes para se pavimentar uma rodovia nas condições da BR-364, os técnicos têm grande esperança na redução de vários aspectos da logística com o evelopamento. Engenheiros Solidários, braço social da FNE, apoiou visita técnica A ong Engenheiros Solidários, braço social da FNE, teve vários de seus filiados participando da visita técnica à BR-364. A organização foi criada por iniciativa da federação e seus sindicatos filiados e é, segundo o site www.fne.org.br, o núcleo operacional do Programa Nacional de Engenharia Solidária, lançado no fim de 2002 com o objetivo de canalizar os serviços voluntários dos profissionais da área de engenharia em projetos e atividades sociais. Cerca de 300 engenheiros já manifestaram expressamente sua disposição de contribuir com o programa. “Nessa visita, observamos todos os aspectos, como a questão social e ambiental, por exemplo”, disse Tião Fonseca, presidente da Associação dos Engenheiros do Acre e representante da ES no Estado. O que é a FNE? Fundada em 25 de fevereiro de 1964, a Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) tem sede em Brasília e é composta por 17 sindicatos estaduais, aos quais estão ligados cerca de 400 mil profissionais. A organização foi criada com o objetivo de representar nacionalmente a categoria, atuando na coordenação, na defesa e na representação dos profissionais por intermédio de seus sindicatos. Atua intensamente na congregação de seus representados e luta pelos direitos dos profissionais, por melhores condições de vida e trabalho e pelo fortalecimento da democracia e suas instituições. Bandeira fundamental da entidade é também a luta pelo desenvolvimento do país com inclusão social. Tal objetivo está presente no projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”. Junto com vários parceiros da iniciativa pública e privada, está organizando o Fórum Internacional de Desenvolvimento Sustentável, que começou na terça-feira, 7, com a visita técnica à BR-364, e termina no próximo dia 17, em Cusco, onde estarão representantes da Colômbia, Peru, Brasil e Venezuela. O que eles disseram “O que conhecíamos de ver do avião ou no noticiário estamos vendo na prática. É algo sensacional.” “Essa foi uma oportunidade ímpar de acompanhar a construção de uma obra como a BR-364. Conhecíamos o sistema tradicional e aqui vimos mais uma prova de que a engenharia brasileira sabe criar alternativas e vencer os desafios.” |
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