| OPINIÃO | ||
| OPINIÃO | ||
Sandra Starling * |
||
Sol de primavera Agosto passou. Agosto, em nossa história, tem sido o mês das tragédias políticas. Aos trancos e barrancos, o Brasil sobreviveu. Entramos em setembro: sol de primavera. Assim como o genial Beto Guedes, espero “a boa nova andar nos campos”, com toda a esperança que se possa ter. Espero, sobretudo, que a ética, sem adjetivos, possa prevalecer sobre a hipocrisia, nada obstante as sentenças peremptórias de FHC, Gianotti e outros “weberianos” de plantão. Até mesmo Genoíno, presidente do PT, mas fazendo as vezes de ministro sem pasta, parafraseando Tarso Genro, andou por aí apregoando as virtudes políticas da “ética da responsabilidade”. “Quero ver brotar o perdão, onde a gente plantou, juntos outra vez”. Todavia, só pode haver perdão, se houver, antes, arrependimento sincero. Espero que a sociedade brasileira possa, sim, perdoar os que enlamearam o PT. Mas é preciso que o PT, para além das palavras, se penitencie de fato, pois, como está escrito, “não se pode dizer coisas boas, sendo mau, pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca”. Para mim, cobrir-se o PT de cinzas, como pede a tradição hebraica, importa romper com o que o Professor Fernando Luiz Abrucio, em sua coluna no “Valor Econômico”, na edição de 29 de agosto último, chamou de “sistema de financiamento de campanhas ao PT, ou, melhor dizendo, para os mais afinados com a oligarquia partidária”. “Já sonhamos juntos, semeando as canções no vento; quero ver crescer nossa voz no que falta sonhar”. A invenção do PT significou para este País semear um sonho de convivência da justiça com a liberdade. Era isso que, em 1980, aqueles malucos, sem dinheiro do mundo empresarial, sem mandatos políticos, sem influência nos meios de comunicação, vindos dos sindicatos, das igrejas, das universidades, proclamavam, para espanto de todos, em alto e bom som: um outro mundo seria possível, sem que se repetissem os erros do chamado socialismo real. Entre esses, falta ainda crescer a voz dos que sonham com a superação de uma moral pretensamente revolucionária, em que os fins justificariam os meios. Não adianta tapar o sol com a peneira. Agora se vê que há muito grassava no PT a licitude de “expropriar a burguesia” para fortalecer “o partido”. O problema estaria em aceitar um Land Rover aqui, um convite para uma festa de arromba ali, ou uma outra cortesia qualquer acolá. “Já choramos muito, muitos se perderam no caminho”. Perdemos os que se imolaram para que o Brasil fosse mais justo e solidário; perdemos os que desacreditaram da possibilidade de um mundo fraterno, em que as pessoas sejam dignas e se tratem com respeito. Perdemos os que lutaram sempre e que se foram, como Darcy Ribeiro, conterrâneo do inspirado menestrel, Betinho e Henfil, nascidos naquelas mesmas quebradas. “Mesmo assim não custa inventar uma nova canção que venha nos trazer sol de primavera”. Não custa tentar inventar uma Nova Esquerda que reconheça a importância dos motivos e das experiências de vida que levaram à fundação do PT; que reafirme os sonhos, que persevere na busca da utopia; que saiba construir uma estratégia de poder que não despreze os fundamentos republicanos e que não apregoe uma democracia meramente de fachada. Não se pode ser de esquerda e esperto ao mesmo tempo. Disse-o bem Daniel Aarão Reis: “impõe-se a conclusão de que se trata de algo que não foi inventado pelo PT e por Lula. Tampouco é provável que as condenáveis e malsinadas práticas tenham neles os mais poderosos e principais agentes. A rigor, não passam dos últimos que chegaram, parvenus inexperientes. Quase se poderia dizer, embora seja cruel, trapalhões de primeira viagem”. Trapalhões! Quem se esquecerá da Deputada Denise Frossard, dirigindo-se a Delúbio Soares? “Senhor Delúbio, vocês são uns grandes trapalhões!” “A lição sabemos de cor, só nos resta aprender”... * Bacharel em Direito, mestre em Ciência Política, ex-deputada federal (PT-MG) e assessora do senador Tião Viana (PT-AC) |
||
|
||
| COTIDIANO |
| COLUNAS |
| EDITORIAL |
| ENTREVISTA |
| ESPECIAL |
| ESPORTE |
| POLÍTICA |
| OPINIÃO |
| VIA PÚBLICA |
| VARIEDADES |
| EDIÇÕES |
| EXPEDIENTE |
| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Com Leonildo Rosas |
| |