ESPECIAL
   ENTREVISTA

Angelim é sabatinado por estudantes

Prefeito de Rio Branco fez palestra para alunos do Colégio Vitória e fala sobre diversos aspectos de sua administração

Rafael Bonamim
Angelim respondeu perguntas feitas pelos alunos do ensino infantil


O prefeito de Rio Branco, Raimundo Angelim, fez visita aos estudantes do Colégio Vitória, um dia após ter recebido um grupo de alunos da instituição, em seu gabinete. Angelim fez uma palestra, hoje pela manhã, aos estudantes do ensino infantil sobre os diversos aspectos de sua administração. Falou da importância de ser prefeito, “não apenas para administrar a cidade, mas para cuidar dela com carinho e respeito por seus moradores”, aplicando bem os recursos federais e os impostos de seus cidadãos, e exibiu um vídeo mostrando parte das obras já realizadas pela prefeitura. Leia alguns trechos da entrevista com o prefeito, cujas perguntas foram formuladas pelos próprios alunos.

Aldo Alves – Com que objetivo o senhor está construindo novas praças nos bairros ?

Angelim – Eu sou do tempo em que as praças eram para a família. Acredito que elas devem servir para que a mãe possa passear com a sua criança, para que os jovens possam passear nelas ou ler uma revista. A nossa gestão tem um compromisso também com o lazer, com o bem-estar de nossa população. Por isso, é importante a construção das praças, principalmente nos bairros que são onde as pessoas moram.

Ariadne Miranda – Qual foi o bairro que mais teve trabalho para ser reformado ?

Angelim – Todos têm quase sempre as mesmas dificuldades e uma das maiores está na desorganização de suas ruas. Porque Rio Branco foi uma cidade construída sem planejamento. A gente vê casas e postes no meio da rua, com algumas ruas parecendo um “S”. Mas o mais difícil mesmo foi o Mocinha Magalhães (a maior obra de urbanização em bairros já realizada) onde tinha gente com quintais e casas avançando nas ruas e até um indivíduo que se dizia proprietário de uma terra de cinco hectares que não era dele, era pública, reivindicando a sua posse;

Artur Soares – Ainda existem bairros que não foram ajudados pela prefeitura?

Angelim – Sim. Ainda temos muito que fazer pela cidade, porque são 183 bairros. Rio Branco cresceu desordenadamente e só estamos há pouco menos da metade de nossa administração. Entres os feitos que se destacam estão as reformas nas nossas escolas, as pavimentações de ruas, a ampliação do abastecimento de água e a limpeza da cidade. Para esse próximo ano, com certeza, estaremos fazendo muito mais.

Flávia Vasconcelos – No período de alagação, muitas pessoas ficam desabrigadas. Qual a sua contribuição com essas pessoas?

Angelim - Na última alagação nós fizemos um grande trabalho para oferecer o maior conforto possível às vítimas dos bairros alagados. No passado, as pessoas desabrigadas eram misturadas a alcoólatras e pessoas violentas, sem qualquer privacidade. Agora na última alagação, tudo foi diferente, porque organizamos os abrigos em forma de divisórias de compensados, com cômodos para cada família e com uma cozinha separada.

Mas sabemos que só isso não basta, e por isso mesmo, fizemos há pouco tempo a retirada de 45 famílias que moravam às margens do rio Acre, em situação de risco, que passam a morar em novas residências construídas com recursos próprios. Até o final dessa gestão serão muito mais pessoas morando em locais seguros e longe do problema da alagação.

Gabriel Almeida – O que o senhor está fazendo para melhorar o poder aquisitivo da população?

Angelim – Aqui em Rio Branco nós recebemos o apoio do Governo Federal, por meio do programa Bolsa Família, que destina 40 mil benefícios a famílias carentes com crianças na escola. Claro que o ideal seria que essas famílias tivessem um emprego, pois, como a Bíblia diz que o homem deve trabalhar para ganhar “o seu pão com o suor do próprio rosto”.

Quanto a isso, o que a gente tem feito é proporcionar educação, por entendermos que é por esse meio o caminho mais seguro para a conquista de um trabalho. Na Semsur (Secretaria Municipal de Serviços Urbanos), possibilitamos a alfabetização de 80 garis e margaridas. Eles passaram a ler e a escrever e estão continuando os seus estudos. Alguns afirmam categoricamente que vão dar exemplo a seus netos e que ainda se tornarão donos de diploma de nível superior;

João Fernandes – O que está sendo feito pelo Igarapé São Francisco ?

Angelim – Nós retiramos dele mais de 300 toneladas de lixo, inclusive um fusca que tinha lá (risos na platéia). Toda a limpeza do igarapé foi feita e nesse momento estamos fazendo o replantio da mata ciliar ao longo da sua calha. Mas outro fato sobre o igarapé é que estaremos urbanizando o trecho que vai da Avenida Antônio da Rocha da Viana até a Avenida Getúlio Vargas.

Yara Mesquita – Qual é o seu planejamento prioritário nos bairros?

Angelim – A prioridade é sempre para os bairros mais pobres. A primeira coisa é provocar uma redução da violência por vários meios, inclusive colocando luminárias nos postes. Depois executar um amplo trabalho de drenagem e de implantação da rede de água. Só então, outra equipe entra com a parte de pavimentação com tijolos ou com asfalto;

Rodrigo Augusto – Do ponto de vista da sustentabilidade da cidade, qual é a contribuição da prefeitura?

Angelim – A sustentabilidade pode ser ambiental, do ponto de vista da preservação de nossas florestas e de nossas áreas verdes urbanas. Pode ser cultural, do ponto de vista da manutenção de nossas raízes históricas. Pode ser política, por causa do compromisso com a terra em que vivemos e ainda pode ser econômica, quando promovemos mercados para nossos produtos. Particularmente, acredito que não só Rio Branco como o Acre, de um modo geral, caminha para essas garantias. Está se tornando auto-sustentável nos mais diversos setores, na medida em que vemos, por exemplo, a nossa madeira certificada sendo exportada para 18 países;

Para o próximo ano estamos esperando cerca de R$ 80 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, para trabalhar em 12 bairros de Rio Branco. Vamos trabalhar para atender aos mais carentes.

 

 
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Rio Branco-AC, 9 de novembro de 2006
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