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Acre descobre o sabor do feijão do Juruá Cultivado com sementes caboclas, alimento é segunda marca mais lembrada da região junto com a farinha |
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Peruano, Gurgutuba, Mudubim, Quarentão, Enxofre, Manteguinha e Branco. - Seriam personagens da literatura (meio) marginal de João Antônio? Não! É parte da popularesca nomenclatura do delicioso e muito bem apresentável feijão do Juruá, o grão que vem fazendo (quase) tanto sucesso quanto a internacionalíssima farinha de Cruzeiro do Sul - guardadas as devidas proporções, claro. Tanto um quanto outro, no entanto, caíram no gosto do povo em geral. Sabe-se desse feijão em qualquer parte do Estado assim como ocorre com a farinha. Quem visita Cruzeiro recebe logo a recomendação de levar um pouco para casa. O feijão do Juruá de semente cabocla é pouco produzido em Cruzeiro do Sul, maior centro consumidor e irradiador de seus pratos. As áreas de cultivo mais importantes estão concentradas em Marechal Thaumaturgo mas Porto Valter registra também produção considerável. Das comunidades desses municípios até Cruzeiro o feijão percorre um longo caminho, das margens dos rios às mãos dos marreteiros e atravessadores ao mercado da cidade. “Na nossa opinião é o melhor feijão do Brasil”, afirma, com a convicção de um religioso fundamentalista, Gontran Neto, extensionista da Secretaria de Extensão Rural e Produção Familiar (Seaprof) e vereador em Cruzeiro do Sul. Soa meio exagerado mas quem prova passa a concordar que de fato o feijão é uma delícia. Em geral, as 14 variedades conhecidas na região atingem média de 400 quilos de produção por hectare. Em outras regiões do País, feijões de semente comercial podem atingir 1,4 tonelada por hectare. Portanto, mais barato: o quilo do Enxofre, raríssimo nas bancas, chega a R$6 nesta época do ano. O Carioquinha de semente comercial custa R$2,50 nos mercados de Rio Branco, para efeito de comparação. Há um movimento muito forte em todo o País para o resgate das sementes caboclas. No atual estágio de oferta e procura, as comunidades do Juruá funcionam como bancos de sementes que abrigam e mantém as futuras gerações do grão. No ano passado, o Governo do Acre promoveu uma feira de sementes caboclas reunindo o que há disponível em todo o Estado. A raridade de algumas variedades, como o Enxofre, por exemplo, requer melhores cuidados. A Seaprof acredita que em Cruzeiro cada habitante consuma um quilo de feijão ao mês. No mercado, mesmo na entressafra, não falta feijão. Mistérios e segredos cercam feijão e farinha A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) iniciou, em seu núcleo no Juruá, uma pesquisa sobre o feijão. Os técnicos agrícolas tentam decifrar o que tem de especial o grão arriscando alguns palpites. “É o solo”, suspeita Marcos Pereira, técnico do Instituto de Defesa Agropecuário e Florestal do Acre (Idaf). O solo de Marechal Thaumaturgo possui concentração de sal, dizem, o que favoreceria à excepcionalidade no sabor. Com a farinha, o mistério é ainda maior. Para muitos, há um segredo guardado a sete chaves sobre o preparo dela. Teses e ilações à parte, é possível fazer uma variedade de saborosos pratos à base de feijão. Em Cruzeiro, o nacionalmente conhecido Baião de Dois é preparado inclusive com banana de fritar. Nas saladas, só manteguinha. “Pode faltar tudo menos feijão” Há quinze anos Edmilson Gomes de Melo mantém uma pequena banca de alimentos e produtos regionais no mercado de Cruzeiro do Sul. Vende de tudo mas principalmente diversas variedades de feijão, que ele próprio é um fã de carteirinha. “Gosto mais do Quarentão”, diz. Sobre a popularidade do grão, não gagueja: “pode faltar tudo na mesa do cruzeirense menos feijão”. O feijão mais vendido é o Peruano mas todos encontram apreciadores. “Se tivesse uma palavra para definir feijão, eu tenho certeza que seria: magia”, diz o extensionista Gontran, cujo filho não come quando não há feijão em casa. Receita de dar água na boca: feijão na farofa do pão de milho A extensionista e sócia do Balacobaco, conhecido restaurante de Cruzeiro do Sul, Cleide Medeiros, divulga uma receita de dar água na boca: feijão na farofa do pão de milho: Igredientes: cheiro verde, tomate, pepino, lingüiça calabresa, 1 kg de feijão Branco e dois ovos. Modo de preparo: O feijão deve ser cozido em água e sal. Não deixar ficar muito mole. O pão de milho deve ser preparado normalmente, o cheiro verde, o tomate e o pepino picados. A calabresa cortada em cubinhos e frita. Os ovos devem ser cozidos. O feijão deve ser escorrido e o pão de milho esfarelado. Misturar tudo e cobrir com manteiga, que derreterá com o calor. | |
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