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Surto de malária preocupa o Juruá Mais da metade da população de Mâncio Lima foi atingida pela doença e Cruzeiro do Sul já registrou 23.493 casos |
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Mais de 36 mil casos de malária foram registrados ao longo deste ano apenas nos municí-pios de Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves e Mâncio Lima. A estatística é considerada um surto endêmico pela Secretaria de Estado e Saúde (Sesacre) e uma grande preocupação para os moradores daquela região, que tem se mostrado totalmente indefesa à doença. Segundo a secretária de Saúde, Suely Melo, a região só não atingiu o estado de calamidade porque ainda há recursos e estruturas que dominam a situação. Entretanto, ela afirmou que a doença nos últimos dois meses tem fugido ao controle dos profissionais de saúde encarregados de amenizar a epidemia. “A malária é uma doença típica da região, que anualmente atinge pessoas de todo o Estado, mas nunca tinha atingido uma proporção como essa. Para se ter uma idéia, Mâncio Lima, que possui uma população de pouco mais de doze mil habitantes, registrou esse ano 7.534 casos da doença”, declarou a secretária. Em coletiva concedida à imprensa na manhã de ontem a secretária disse que algumas medidas vêm sendo tomadas para tentar reverter a situação. Médicos, microscopistas, enfermeiros e auxiliares do Ministério da Saúde já estão em Cruzeiro do Sul para dar apoio a uma equipe do Estado, composta por mais de 60 profissionais. “Todas essas pessoas estão trabalhando diariamente, de casa em casa, realizando exames nas famílias daquela região. Até as pessoas que não apresentam sintomas da doença estão sendo diagnosticadas”, completou a secretária. Criação de peixe dificulta controle A secretária ressaltou que há dois anos o Governo do Estado vem lutando para reduzir os índices de malária no Vale do Juruá, mas alguns fatores vêm dificultando esse controle. O fator que cria maior barreira é o hábito da população daquela localidade de criar peixes. Por essa razão, mais de mil açudes foram cavados somente em Cruzeiro do Sul, o que tornou o município mais propício à procriação das larvas que geram a doença e ao desenvolvimento de surtos. “As pessoas precisam ter cuidados com esses açudes, limpando suas margens, tirando toda aquela vegetação que fica em torno dele porque é isso que atrai os mosquitos da malária”, enfatizou. Para conscientizar a população com este e outros cuidados a serem adotados, a equipe de profissionais também está desenvolvendo o Programa de Educação e Saúde, que visa conscientizar a população quanto aos riscos da doença, as formas de prevenção e tratamento. |
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