COTIDIANO

Resistência na academia

Determinação expedida pelo juiz Jair Facundes diz que os professores devem voltar à sala de aula em cinco dias

Marcos Vicentti
DURANTE a assembléia de
ontem, os professores reforçaram a determinação de manter a greve


Renata Brasileiro

Na tarde de quarta-feira os professores da Universidade Federal do Acre (Ufac) receberam um documento do juiz Jair Facundes informando-lhes que as aulas deveriam ser retomadas dentro de um prazo de cinco dias.

Contestando a decisão, os professores convocaram uma assembléia na manhã de ontem para discutir o assunto, bem como proceder para pedir a suspensão do documento.

“Consideramos essa decisão arbitrária, por isso vamos recorrer contra. Se for necessário pediremos apoio de Brasília ou aos deputados estaduais”, disse o presidente do comando de greve, Ronaldo Melo.

Os professores também planejaram fazer uma vigília no saguão de entrada da Assembléia Legislativa, mas até o fim da tarde de ontem não compareceram ao local. Com o ato, eles pretendem chamar a atenção das autoridades e ao mesmo tempo protestar contra a decisão judicial.

Entretanto, o presidente informou que se a decisão não for caçada não haverá resistência por parte dos grevistas. “Decisão judicial deve ser cumprida e não tomaremos nenhuma atitude radical, caso não consigamos derruba-la”.

A determinação foi feita à pedido do Ministério Público Federal (MPF), há cerca de duas semanas, e impõem que os professores restabeleçam o funcionalismo parcial da instituição, sob pena de multa diária no valor de R$ 20 mil para cada um dos dois sindicatos envolvidos na greve, corte dos salários de todos os professores e multa pessoal de R$ 300 ao dia para cada dirigente sindical que obstar o cumprimento da decisão.

Foi decidida ainda a retomada das aulas de todos os cursos de graduação para as turmas do último semestre, com calendário de reposição a ser estabelecido no âmbito administrativo.

Mesmo contrários à decisão, os professores dizem reconhecer algumas aberturas do governo federal referentes às propostas da categoria. “Não conseguimos tudo que queríamos nesses 112 dias de greve, mas o principal alcançamos, que foi a liberação de R$ 150 milhões para o plano de cargo e carreira”, reforçou.

 

 
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Rio Branco-AC, 9 de dezembro de 2005
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