COTIDIANO

Mais saúde para o Acre

Empresário apresenta projeto para montar fábrica de marca-passo gástrico no Estado

Cedida
Senador Tião Viana se reuniu com empresário, a quem prometeu apoio
ao projeto de instalar fábrica de
marca-passo gástrico no Estado


Chico Araújo

Brasília - O Acre poderá servir de experiência para a produção de marca-passo gástrico e cardíaco, equipamentos de ponta que vem sendo testados no exterior em pacientes obsesos e com doenças cardíacas. A projeção é de Hilton Romano de Castro, diretor da empresa Lifetron Biotecnologia, de São Paulo, que se reuniu ontem com o senador Tião Viana (PT-AC) a quem apresentou um projeto de implantação de uma fábrica de marca-passo gástrico no país.

Segundo Castro, a instalação da fábrica no Acre se tornará numa realidade em pouco tempo. “O Acre é um Estado que cresce bastante no Brasil, tem grande potencial. A instalação da fábrica, portanto, só depende de alguns ajustes e das linhas de financiamento do projeto”, ressalta.

O empresário explicou a Viana que o interesse da empresa Lifetron Biotecnologia se dá pelo fato de ser um Estado novo e vir crescendo de forma sustentável. “Como somos uma empresa nova, ainda em fase de crescimento, optamos por crescer junto com o Acre”.

Após ser informado do projeto, o senador Tião Viana disse que a empresa terá seu apoio para se instalar no Acre. No encontro, Viana ainda sugeriu a Hilton Castro e irmão dele, Sidney Castro, que a fábrica utilize a borracha produzida no estado na confecção na confecção dos marca-passos. O produto emprega alguns componentes de borracha.

O marca-passo

É um fio colocado no estômago do paciente que produz estímulos que diminuem a sensação de fome na pessoa. Segundo Hilton Castro, o marca-passo propicia até 20% de perda de peso, o que ajuda a reduzir os índices de obesidade mórbida.

Dados do VII Congresso Internacional de Cirurgia da Obesidade, realizado em 2002, em São Paulo, mais de 70 milhões de brasileiros apresentam excesso de pesos e, destes, um milhão de pessoas situam-se na faixa classificada como obesidade mórbida, que acarreta sérios riscos pessoais e elevados custos à saúde pública.

Um levantamento feito com cinco mil brasileiros em setembro de 2003 traçou o perfil do obeso mórbido, pessoa que apresente Índice de Massa Corpórea (IMC) superior a 40 ou entre 35 e 39, caso haja a ocorrência simultânea de algum mal crônico associado à obesidade. O IMC é o peso dividido pelo quadrado da altura da pessoa.

Segundo os dados coletados pelo Instituto Garrido, centro médico paulistano especializado em cirurgia de obesidade, 85% vivem em grandes centros urbanos. São Paulo é o estado que concentra o maior número de pacientes, representando 65% de todas as cirurgias realizadas no país para controle da obesidade.

Hoje estima-se que já foram realizadas no Brasil cerca de 15 mil cirurgias de estômago para controle da obesidade. O Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou a cirurgia no ano 2000, mas o excesso de demanda tem gerado uma grande espera. As seguradoras - seguros e planos de saúde - não chegam a cobrir 20% das necessidades.

Os estudiosos do assunto esta situação representa um sério problema de saúde pública, já que a mortalidade de obesos mórbidos é de 6% a 12 superior à média da população, segundo os dados apurados pelo instituto.

A obesidade resulta ainda em graves problemas. De 15% a 20% dos obesos mórbidos sofrem de diabetes, 30% a 40% de hipertensão arterial e mais de 50% de dificuldades respiratórias. Segundo Hilton Castro, da Lifetron Biotecnologia, o marca-passo gástrico ajudará a reduzir esses índices.

 

 
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