COTIDIANO

Nova técnica em cirurgia de vasectomia

Cirurgião paulista vem ao Acre repassar conhecimentos para os médicos. 32 pacientes foram cirurgiados em quatro dias

Cedida
Técnica é simples e pode
ser realizada em consultórios


Flaviano Schneider

Durante dois dias - últimas 4ª e 5ª feiras -, o cirurgião Luís Guilherme Penteado, de São Paulo, realizou 32 vasectomias na Fundhacre. A operação esteriliza o homem que não deseja mais ter filhos. Ele utilizou uma nova técnica, de origem chinesa, na qual é feito apenas um furinho no meio do saco escrotal por meio do qual são operados os dois canais deferentes, impedindo assim a chegada dos espermatozóides à uretra, fazendo com que eles fiquem retidos no testículo.

Luiz Guilherme é de Campinas (SP) e trabalha na prefeitura de Santa Bárbara do Oeste, onde desenvolve um programa de saúde reprodutiva, da qual faz parte a vasectomia. Ele explicou que com esse tipo de cirurgia não é necessário colocação de pontos na pele, o que causa uma recuperação mais rápida, enquanto a eficácia é semelhante à técnica antiga, em que se faziam dois cortes e era necessária a utilização de pontos.

Segundo ele, a cirurgia é bem simples e pode ser feita até num consultório médico, com anestesia local, sendo o paciente imediatamente liberado após a cirurgia. Na ocasião das cirurgias ele treinou quatro médicos acreanos para que continuem realizando a vasectomia no estado.

O médico aconselha que um casal que esteja decidindo por um método definitivo, que não queira mais filhos, é melhor fazer a vasectomia do que a laqueadura (esterilização da mulher), pois, ela é muito mais simples, tem a mesma eficácia e é menos traumática para os pacientes.

Fundhacre autorizada

O médico Thadeu Moura, diretor do Hospital Fundhacre, informou que a Fundhacre já está autorizada pelo Ministério da Saúde para fazer este tipo de procedimento cirúrgico e realiza vasectomias e laqueaduras. Os pacientes são avaliados na maternidade do ponto de vista do número de filhos, da idade e é feita a avaliação psicológica. A paciente que decidir fazer a laqueadura, assina um termo e é feito um acompanhamento. Dois ou três meses depois ela volta para ver se não mudou de idéia e só então é feito o agendamento e a cirurgia.

“O que está acontecendo aqui – disse - é uma nova técnica e estamos capacitando nossos médicos. É uma técnica em que o traumatismo para o homem é menor”.

Programando a família

O publicitário Célio Nogueira, 43 anos, decidiu, em conjunto com a esposa, submeter-se à cirurgia: “Minha esposa teve duas gestações complicadas. Na última, inclusive, ela perdeu o ovário esquerdo. Ela tem dificuldades com os contraceptivos. Temos dois filhos - um menino e uma menina - e programamos nossa família de maneira que não queremos mais filhos e a vasectomia foi a melhor opção”.

 

 
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Rio Branco-AC, 9 de dezembro de 2005
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