OPINIÃO
   OPINIÃO

José Cláudio Mota Porfiro *

 


Posto de observação

Essa minha vidinha pacata, no mais das vezes, não incomoda muita gente, mesmo porque a maioria dos transeuntes das ruas do meu pequeno mundo não nota ou não reconhece os trapos rotos com os quais se veste a alma deste combalido crítico social.

Aqui respiro a calma que trazem as boas leituras. O meu posto de observação fica localizado em magnífico ponto estratégico, na Ufac, de onde posso vislumbrar o sôfrego vaivém de alguns poucos sórdidos que teimam em analisar o meu caráter, a minha participação no processo, o meu ponto de vista sempre drástico, a minha verdade que inunda a casa e afoga poucas almas tão mentirosas quanto mordazes, peçonhentas.

A análise publicada no último dia 07, na Poronga, deste Página 20, é muito inteligente, apesar de o autor ter medo de represálias se for identificado. Ali está a verdade mais cristalina. O analista se faz claro e contundente nas ponderações. Em resumo e em certa medida, trata ele sobre um aspecto entre os acadêmicos denominado sinecura acadêmica, onde uns brincam de estudar, outros fingem ensinar e uns terceiros dizem trabalhar, como muito bem abordou o Doutor Edmundo Campos Coelho, sociólogo radical do Iuperj, em obra de sua lavra...

...E vieram, na quarta ainda pela manhã, alguns a me indagarem sobre os motivos do meu presumido texto apócrifo. Amigos! Não sou o autor daquela carta tão bem elaborada e tão oportuna. O autor, é certo, está receoso e com razão. Se lhe descobrirem a identidade, ele passará a ser perseguido por alguns pseudo democratas que negam um mero cumprimento, um meneio de cabeça, dirigido ao irmão que cruza os seus caminhos despudorados.

O analista é professor da Ufac. Eu não posso ser porque não devo ganhar menos do que ganho. Fiz mestrado e doutorado na Unicamp, mas poucos o sabem. Tenho na instituição um contrato como técnico pesquisador há vinte e oito anos, e um outro, no Estado, como professor, há vinte e dois. Como professor federal, assinaria uma dedicação exclusiva que não me renderia o que me rende a função técnica... E eu tenho quatro burregos para amamentar...

Em verdade, há que dar ênfase ao fato de este que vos escreve continuar na geladeira, ou no ostracismo, comodamente, diga-se de passagem, desde alguns anos. Aqui deste meu posto de observação e tranqüilidade, longe das fagulhas que dilaceram desavisados, lanço olhares e tiro conclusões que serão levadas a público no livro Janelas do tempo, a ser lançado no início de 2006... E haverá muito mais, mesmo porque o editor é o Banco da Amazônia.

Passei anos exercendo um papel bem semelhante ao do ouvidor. Anotava e publicava tudo neste diário ou na Gazeta. Buscava e conseguia provas, testemunhos e fontes. Incomodava os afoitos. Arranjava inimigos sombrios e vingativos.

Um dia, há seis anos, provei que cinqüenta reais era preço altíssimo para ser cobrado de um vestibulando, aluno meu, que sai do Cerb sem eira nem beira. Estava absolutamente certo. É tanto que, passados tantos invernos inflacionados, o preço hoje está fixado em trinta reais. Depois, num tribunal, contei ao senhor Juiz que pessoas encobriam a inapetência das outras na certeza de que um dia o favor seria retribuído. Ganhamos a causa exatamente nesse grito que espalha a verdade sem medo de encarar os fatos e os inimigos.

Tornei-me, então, um proscrito, quase um celerado. Levei no bojo do meu rio um ou dois amigos que comungam comigo a pureza da verdade mais cristalina. Muitos são os que nos olham de soslaio. Têm medo da aspereza de escritos como estes. Fazer o quê? Vivo muito bem e a vida continua...

Feliz Natal!

* Pesquisador do Depto. de Filosofia e C. Sociais / Ufac

 

 
© Copyright Página 20 todos os direitos reservados    -      Imprimir       -       TOPO
Rio Branco-AC, 9 de dezembro de 2005
 COTIDIANO
 COLUNAS
 EDITORIAL
 ENTREVISTA
 ESPECIAL
 ESPORTE
 POLÍTICA
 OPINIÃO
 VIA PÚBLICA
 VARIEDADES
 EDIÇÕES
 EXPEDIENTE
 E-MAIL
 
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
P E S Q U I S A