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Juracy Xangai
Por isso, garantir o fornecimento de água de boa qualidade e na quantidade necessárias à população esteja ela nas cidades, vilas, seringais, colônias e aldeias indígenas, é a proposta que vem sendo executada pelo Departamento Estadual de Água e Saneamento (Deas). Isso coloca o desafio permanente de apresentar soluções alternativas e tecnológicas para solucionar os problemas de abastecimento de água e o destino dos esgotos de acordo com as características e condições de cada comunidade urbana, rural ou florestal. Para a realização dessas ações o governo do estado do acre, através do Deas, tem contado com parceria do Governo Federal, com destaque para o Ministério da Saúde por meio da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) que vem repassando recursos para investimento nos 18 municípios acreanos em que o Deas atua. Isso fez com que o número de famílias atendidas no início de 1999 saltasse de nove mil para mais de 25 mil em 2004 com a meta de chegar a 40 mil até 2006, quando de cada 100 famílias que vivem nessas cidades, 95 estarão recebendo água tratada em suas casas. Água para Rio Branco Abrigando praticamente a metade da população de todo o Estado, Rio Branco é a cidade que mais padece com o abastecimento irregular de água para seus moradores. A solução desse problema deve acontecer ainda neste ano de 2005 quando serão concluídas as obras de construção da segunda Estação de Tratamento de Água (Eta II Sobral), que já está com 60% de sua obra pronta. “No momento em que a Eta II entrar em funcionamento, a produção de água tratada que é hoje de 600 litros por segundo saltará para 1.600 litros. Então haverá água mais que suficiente para garantir o abastecimento de toda a população da Capital”, explicou Tácio Brito o diretor geral do Deas. Ele lembra que também em 2005 estarão sendo realizadas obras de ampliação do abastecimento de água para as vilas Alber Sampaio, Dom Moacir e Sana Cecília. Também inicia se a construção da Estação de Tratamento de Esgoto Humano (ETE) cujo projeto de engenharia está sendo concluído pela Secretaria de Obras Públicas e que vai tratar os esgotos recolhidos ao longo de toda a bacia do Parque da Maternidade e São Francisco. Soluções simples para grandes problemas Embora o Acre esteja na Amazônia que tem a maior reserva de água doce do planeta, um dos maiores desafios vem sendo encontrar água de boa qualidade para atender os moradores das zonas urbana e rural. Exemplo disso é a cidade de Marechal Thaumaturgo onde ao longo dos últimos anos foram perfurados vários poços que produziram água salobra, imprópria para o consumo humano. O problema só foi resolvido quando o governo do Estado Construiu ali um captação e tratamento de água do rio Juruá, a qual está completando dois anos de serviços prestados à aquela população. “Oferecer água tratada é o mesmo que garantir qualidade de vida para as pessoas”, afirma a médica Cristiane Lira, um dos três profissionais de saúde que atua naquela cidade a serviço da prefeitura local. “O número de casos de diarréia e coceiras caiu para muito menos da metade do que havia antes, a maioria dos casos que tratamos vem da zona rural onde as pessoas ainda usam água contaminada”. Já em localidades como Foz do Breu onde a escavação de poços amazonas e semi-artesianos resultaram em gasto inútil para a produção de água salobra. A solução do problema veio com a escavação e melhoria das tradicionais cacimbas que agora contam com paredes, tampo, cerca de proteção e telhado em madeira, material facilmente encontrada nessa comunidade. !4 delas foram cavadas uma para cada família da comunidade. Saneamento ambiental Com recursos do governo federal e do Governo do Estado do Acre, o Deas vem realizando com a colaboração de lideranças comunitárias um amplo programa de saneamento básico nas Reservas Extrativistas Chico Mendes e na do Alto Juruá. Por meio desse programa estão sendo escavadas e melhoradas 1.152 cacimbas que recebem revestimento, tampa, cerca e telhado de madeira resistente. Também foi feita a distribuição de 2.500 filtros e a construção de 142 sanitários, beneficiando 2.500 famílias nos vales do Acre e Juruá. Cada cacimba e banheiro tem localização registrada através de satélite, para facilitar a manutenção e proteção das fontes de água potável. “Antes o que eu tinha aqui era uma poça d’água que servia para tudo, mas não era limpa. Depois que construíram tudo em madeira a água ficou muito mais limpa, a produção aumentou e agora ela dá conta de atender seis famílias de inverno a verão”, declara Regina Helena da Silva, 50 anos mãe de quatro filhos, moradora da fazenda Cachoeira, na Reserva Extrativista do Alto Juruá. Os trabalhos também estão em pleno andamento a Reserva Exterativista Chico Mendes, como por exemplo na sede da Associação dos Pequenos Produtores do João Barbosa que está localizada no quilômetro dez do Ramal Etelve, KM 75 da BR-317 de Brasiléia para Assis Brasil. Ali foi construído um sistema composto de cacimba, mais um banheiro duplo com vasos sanitários e chuveiros para atender os 21 alunos da escola Epaminondas Martins. Moradores da reserva como seu Elias Cardoso de Andrade, 69 anos, pai de quatro filhos, morador da colocação Morada Nova, no seringal Etelve, estão sendo beneficiados com a construção das cacimbas. “A gente já pagava água aqui, mas tinha a água verde e cheirava ruim. A gente usava porque era o jeito. Agora ela está limpa e tem até bomba para a gente encher o balde”. Tácio Brito, o diretor do Deas lembra que: “Só melhoraremos de fato a vida das pessoas no campo e na cidade quando conseguirmos evitar que elas fiquem doentes. Quando melhoramos as cacimbas e banheiros estamos evitando que voltem a se contaminar com”. Anunciou que o programa continua sendo executado em 2005 quando será iniciada construção de banheiros nessas colocações já beneficiadas e a elaboração de projetos que visam atender no futuro, com esses serviços o restante da zona rural e florestal. Luiz Alberto Fernandes, coordenador regional da Funasa que financia o projeto declarou: “O resultado deste investimento nos satisfaz muito, pois sabemos ainda hoje muitas de nossas crianças perdem a vida antes de completar um ano vítimas de doenças transmitidas através da água. Nos sentimos gratificados por saber que com este trabalho estamos ajudando a salvar vidas”. Áreas indígenas O programa de saneamento básico que está sendo levado a 56 comunidades indígenas beneficiará seis mil índios. Cada aldeia recebe um módulo composto de cacimba, bombeamento, reservatório e um conjunto de sanitários e banheiros comunitários. Estão prontos os módulos de 44 aldeias, outros 12 serão construídos em 2005, 13 delas terão água bombeada usando energia solar. Tecnologias alternativas A proteção das paredes, tampo, cerca e telhados de cacimbas em madeira, material farto nas comunidades rurais permite que seus moradores possam fazer os reparos necessários à manutenção das fontes. A retirada da água, conforme o caso, é feita utilizando baldes, bombas manuais, bombas elétricas convencionais ou movidas a energia solar. Para livrar a água das partículas de argila e matéria orgânica que a deixam com aparência suja mini estações de tratamento compostas de decantadores, filtros de areia e carvão vem solucionando o problema em pequenas comunidades. A água então recebe hipoclorito de sódio para ficar isenta de microorganismos que possam causar doenças. Regionais Baixo Acre Acrelândia Bujari Porto Acre Plácido de Castro Rio Branco Alto Acre Assis Brasil Brasiléia Capixaba Epitaciolândia Xapuri Purus Manoel Urbano Santa Rosa do Purus Sena Madureira Juruá Cruzeiro do Sul Feijó Marechal Thaumaturgo Tarauacá Pensando no futuro A melhoria da qualidade da água fornecida à população faz parte do programa de governo da Florestania que se baseia na sustentabilidade do uso de nossos recursos naturais. Por isso, o Deas apóia e participa ativamente dos debates promovidos por estudiosos e representantes da região trinacional Madre de Dios, Acre e Pando (MAP) no Peru, Brasil e Bolívia. Todos estamos preocupados em definir uma política de utilização sustentável da bacia do rio Acre para os vários municípios dos três países, que utilizam suas águas para abastecer a população. Isso levou à formação de um consórcio que reúne os municípios de Assis Brasil, Brasiléia, Epitaciolância e Xapuri, mais Capixaba (Condiac), que promove ações conjuntas nesse sentido. O DEAS Criado em quatro de dezembro de 1997, o Departamento Estadual de Água e Saneamento (Deas) está vinculado à Secretaria Estadual de Infra-Estrutura e tem como missão garantir o abastecimento de água na quantidade e qualidade necessárias ao bem-estar da população da zona rural e urbana nos municípios em que esses serviços não estejam a cargo da prefeitura. |
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