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Sebrae estimula econegócios em aldeias

Técnicos da instituição orientam índios da aldeia Apywtxa do rio Amônia na criação de tracajás

Em 2002 os índios da aldeia de Apywtxa na Terra Indígena Ashaninka do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo, no Vale do Juruá, já na fronteira com o Peru decidiram iniciar, por conta própria e sem qualquer orientação técnica adequada, uma criação de tracajás (Podocnemis unifilis), espécie que eles sempre caçaram para colher a carne ou retirar os ovos de suas covas para comer cozidos ou em gemadas.

A experiência ousada e que tinha mais possibilidade de dar errada do que certo, acabou se transformando num grande sucesso com o nascimento de todos os mil ovos coletados nas praias do rio Amonea e protegidos pela comunidade.

O sucesso chamou a atenção da gerência de aqüicultura do Serviço de Apoio à Pequena Empresa (Sebrae) no Acre que vem realizando em parceria com a gerência de Manejo Comunitário de Fauna da Secretaria de Assistência Técnica e Extensão Rural (Seater-Ac) um projeto semelhante em 12 aldeias de índios Kaxinawas do rio Purus, no município de Santa Rosa do Purus. Isso levou à elaboração de um projeto, já aprovado, para atender também os Ashaninka a partir de 2005.

A criação improvisada pelos ashaninka do Amônia recebe os cuidados do índio Moisés da Silva Pinhanta, o “Dgêne”, uma das lideranças da comunidade. “A idéia de criar tracajás aqui na aldeia surgiu depois que visitamos a experiência que está sendo realizada pela associação dos moradores do rio Abunã lá em Plácido de Castro. Foi uma festa porque nasceram todos. Cuidamos dos filhotes por mais de quatro meses, então soltamos uma parte deles no rio e estamos criando o restante no cercado”.

Animado com os resultados iniciais, que não se repetiram com a mesma intensidade nos anos seguintes, Moisés não esconde que necessita de orientação para atingir os resultados esperados. “Ainda estamos aprendendo, fizemos um açude e cercamos com pau a pique, mas os tracajá são espertos e sobrem pela cerca, por isso, de cada dez que colocamos aqui, pelo menos sete escaparam para o rio, mesmo assim temos bastante e acredito que em dois anos já vamos ter uma boa quantidade no ponto de ser vendidas”.

Segundo Moisés, a coleta de ovos foi muito menor neste ano do que nos passados, isso teria acontecido por causa das fortes chuvas ocorridas ao longo do verão. Isso ocasionou pequenas cheias que destruíam as praias onde as tracajá fizeram seus ninhos. Mesmo assim, foram recolhidos 700 ovos. Os filhotes são alimentados com pedaços de mandioca crua ou cozida, frutas e folhas de batata doce. Elas comem praticamente tudo”, afirma ele.

“Nossa atuação nesse projeto será o de estimular o aumento da produção de tracajás com a finalidade de servir como alimento tradicional, mas também como fonte de renda através da venda de quelônios aquáticos devidamente certificados e criados de acordo com um plano de manejo ambiental dessa espécie para evitar que venha a ser ameaçada de extinção como já acontece a tantas outras de interesse comercial”, esclareceu o gerente do projeto de Aqüicultura do Sebrae no Acre, Domingos Leão Amaral Júnior.

O segundo passo, depois de ampliar a criação, é abrir espaços de mercado para a colocação dos tracajás que a comunidade já vem reproduzindo com sucesso, mas sem a devida orientação comercial. “Com o projeto já aprovado, começaremos a executá-lo a partir deste ano. Paralelamente, vamos estimular outras atividades que ajudem a gerar renda. A grande vantagem é que a própria comunidade já tomou para si a responsabilidade por sua execução o que é um passo bastante significativo para alcançar o sucesso que todos desejamos”.


Empresário comemora última parcela paga do Fundo de Aval

Ganhar dinheiro brincando. É assim que o empresário do ramo de motocicletas, José Cavalcante Damasceno Júnior define sua fórmula de sucesso. Hoje bem estabilizado, com uma loja de peças, oficina e como revendedor autorizado de uma importante fábrica de motos, Júnior Damasceno enfrentou muitos percalços, sempre acreditou na sua perseverança e vontade de vencer. Hoje seu nome está associado á sua loja “Paris Dakar”, às provas de motocross e à eficiência no conserto de motos da capital.

Natural de Tarauacá, terceiro filho de uma prole de seis, era o mais velho dos homens, sendo sempre requisitado pelo pai para fazer os pequenos consertos da casa. Desenvolveu aptidão para a mecânica e começou realizando consertos nas motos dos amigos. Ele dividia a paixão por motos com o emprego de secretário de uma usina de beneficiamento de borracha.

Em 1989 decidiu abrir sua loja de peças e oficina de consertos de motos. “Eu tinha 16 anos e meu pai teve que me emancipar civilmente para que eu pudesse abrir uma firma em meu nome”. Com muita batalha e trabalho, em cinco anos conseguiu estabilizar seu negócio naquele município. Foi quando seu pai resolveu se mudar para Rio Branco e Júnior Damasceno, com a empresa reconhecida e consolidada na praça, colocou toda sua loja e mercadoria a bordo de um avião e veio tentar a vida na capital.

Era idos de 1994 e Júnior Damasceno gastou quase todas as economias com frete aéreo. Uma situação adversa em que ele enfrentou grandes dificuldades “Tive que começar do zero. A loja era um ponto alugado, não tinha clientes nem conhecidos como em Tarauacá”. Já acostumado apenas a administrar seus negócios, Júnior Damasceno voltou a trabalhar na oficina, consertando motos para não fechar sua loja.

As portas começaram a se abrir um ano depois, quando passou a participar dos campeonatos de motocross. “Fui o vencedor do torneio, ficando conhecido, ganhando clientes e o negócio começou a crescer”. A partir daquela data sempre esteve presente nas provas de rali e motocross. Segundo conta, os demais participantes iam tomando conhecimento da sua loja e passaram a procura-lo para comprar.

De um cenário sem nenhuma perspectiva, o conhecimento prático do negócio, as habilidades para pilotar, consertar e soldar motos foi um fator preponderante para virar o jogo e fazer seu negócio crescer. Em 1997, folheando revistas especializadas, leu um anúncio para ser revendedor de uma motocicleta Kasinky,de origem coreana, que estava sendo lançada no mercado nacional. Ligou e credenciou a loja para ser concessionária da nova moto. O resultado é que, apesar da pequena população de Rio Branco, Júnior Damasceno foi o maior vendedor, em todo o país, da nova moto.

Por conta do prêmio, recebeu a proposta para ser revendedor da Yamaha. Tinha que se adequar às exigências da fábrica, ampliando a loja. Procurou financiamento no Banco. De lá, foi encaminhado para o Sebrae que elaborou um projeto a ser financiado pelo Fundo de Aval. “Com o dinheiro do financiamento, comprei o terreno da loja que era alugada e construí o prédio atual”.

Às vésperas da virada do ano, o empresário estava feliz, comemorando o pagamento da última parcela do Fundo de Aval. “Não tive problemas porque investi direito o dinheiro do financiamento e trabalhei árduo para honrar o compromisso”.

A comemoração é dobrada, pois o vencedor de cinco edições do campeonato acreano de motocross sagrou-se, também, em 2004 vencedor de um grave problema de saúde. Depois de um acidente em pista de motocross mal construída no município de Tarauacá, Júnior Damasceno quebrou o braço e, depois de três cirurgias consecutivas, via seu braço esquerdo secar e perder o movimento. “Foi procurar tratamento em Porto Velho, já desenganado de andar de moto”.Saí escondido da família. Só depois de operado é que liguei para ele irem me acompanhar”.

O resultado é que Júnior Damasceno voltou a andar de moto e, por conta da boa pontuação que tinha, ainda conseguiu conquistar o terceiro lugar no campeonato de motocross. “Acredito que Deus ajuda a quem trabalha sério e com honestidade”. Essa é a justificativa para sagrar-se vencedor de tantas adversidades.

Júnior Damasceno garante emprego para sete pessoas da sua família, além de ajudar financeiramente seus pais. Sua empresa gera 40 empregos diretos; 15 deles na sua loja e 25 na função de vendedores de consórcio, espalhados pelos municípios do interior. “A loja cresceu muito e estou sempre envolvido em todas as atividades. Vou procurar o Sebrae para receber treinamento e consultorias sobre como delegar poderes e distribuir funções entre meus funcionários”.

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E x p e d i e n t e :
Textos publicados nesta página são de responsabilidade da Unidade de Comunicação e Marketing do Sebrae no Acre (Jornalista Responsável: Socorro Camelo (Registro Profissional: 065 DRT/AC) socorro@ac.sebrae.com.br), fotos: Evandro Souza. Colaboradores: Andréa Zílio, Isabel Barrosi. Sugestões, comentários e-mail para ascom@ac.sebrae.com.br

 

 
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Rio Branco-AC, 10 de janeiro de 2005
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