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Marujos da Alegria no Carnaval Pela segunda vez a marujada fará abertura e encerramento do carnaval na Gameleira. Uma iniciativa de resgate da tradicional festa profana |
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A marujada surgiu no Acre na década de 40 e teve como sede o município de Cruzeiro do Sul, o segundo maior do Estado. Há quatro anos foi criado um grupo de pessoas para trabalhar no resgate da tradição. Hoje ele é formado por 58 brincantes e suas atividades são intensas para que o objetivo seja alcançado. Os Marujos da Alegria, como foram batizados pela segunda vez serão os responsáveis em fazer a abertura, no dia 20, e o encerramento, dia 24, do carnaval da Gameleira. Há quatro anos os Marujos da Alegria participam do carnaval de Rio Branco. Os idealizadores da proposta, o historiador Marcos Vinícius e o desembargador Arquilau de Castro, encontraram como aliada a historiadora Herlenise Rodrigues, 30, que teve como tema de sua monografia a marujada e na infância diz ter tido a sorte de prestigiar a festa. Ela conta o grupo costuma fazer cerca de 50 apresentações por ano, mostrando toda a magia da festa popular que em alguns lugares ganha aspectos de profana e em outros, de religiosa. No caso do Acre ela tem a primeira característica. Resgate da cultura O responsável pela introdução da manifestação popular no Alto Juruá foi o amazonense Oswaldo Galego. Com a divulgação da marujada em Cruzeiro do Sul, foi criado o cordão dos marujos do Brigue Esperança. O grupo era convidado pelas famílias do lugar a entrar em suas casas e animar os moradores com músicas e danças, tendo em troca comida, bebida e gorjetas. Com o passar dos anos a tradição foi sendo esquecida e somente com a iniciativa do Departamento de Patrimônio Histórico da Fundação Elias Mansour é que o assunto foi reavivado. Três personagens, Aldenor da Costa, Chico do Bruno e Francisco Ferreira, que atuaram na manifestação popular ao lado de Oswaldo Galego, hoje são as pessoas que mais possuem conhecimento no assunto. Lendas vivas, eles atuam como grande fonte de inspiração as novas gerações no Marujos da Alegria. Com o sucesso do trabalho o grupo se mostra ainda mais desafiador e há pouco mais de um ano luta para resgatar o Reizado, uma dança folclórica adotado pelo Estado na década de 70, que retrata a história de morte e renascimento do boi. Os brincantes usam figurinos semelhantes aos que eram usados do século XVIII, tornado a performance ainda mais bela. Grupo ensaia toda semana Marujos da Alegria é formado por moradores dos bairros Calafate, Bahia, Nova Esperança, Tucumã e Tangará. O grupo ensaia três vezes por semana, das 17 às 19 horas, na quadra da escola Henrique Lima, no bairro Calafate. Herlenise diz que as pessoas que quiserem, podem prestigiar os ensaios e pede apoio de empresários, órgãos e pessoas que se preocupam com a cultura do Estado. Ela diz que alguns integrantes estão sem condições de comprar as vestimentas. A historiadora conta que o envolvimento da população é um dos fatores mais gratificante para o grupo. “O envolvimento deles para não deixar essa cultura acreana morrer é fantástico. A marujada passou a ser cultura acreana porque os ancestrais trouxeram para cá, então temos de preservar isso”. Herlenise conta que os que ainda não viram a festa popular precisam conhecer, seja no carnaval ou nos ensaios. O que vale é prestigiar a cultura acreana. |
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