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Catac resgata João das Neves para enriquecer teatro acreano

Cedida
João das Neves é um dos
dramaturgos mais ecléticos do Brasil


Cada indivíduo tem um ritmo próprio de vida, tem o coração que bate diferente de outro cuja percussão influencia nas emoções, afetadas pelas neuroses e medos de cada um. Dessa mistura é possível sentir o outro e assim projetar o caráter de um personagem. Essa filosofia é a base principal da oficina de teatro – A célula rítmica e a construção do personagem - que está sendo ministrada pelo dramaturgo João das Neves desde a última segunda-feira (6) no Teatro Plácido de Castro.

A oficina acontece dentro da programação da mostra de cinema Pra Se Ver Ana Carolina Com Olhos Livres, realizada em Rio Branco pelo Centro de Antropologia do Teatro e Antropofagia do Cinema (Catac), em parceria com o Governo do Acre, Brasil Telecom, Recol, Ufac e com o apoio do restaurante O Paço, Hotel Maju e Fundação Cultura Elias Mansour.

João das Neves é um dos dramaturgos mais ecléticos do Brasil com inúmeras premiações, como o Molière, da Bienal Internacional de São Paulo e muitos outros. O diretor não é um estranho no Acre. Aqui ele viveu no final da década de 80, promovendo importante movimento teatral com a fundação do Grupo Poronga, que culminou com a apresentação do Tributo a Chico Mendes.

Depois de oito anos sem visitar o Estado, a relação do dramaturgo com o Acre, agora, está ainda mais estreitada. Em 2007, ele retornará para a estréia da peça Yuraiá: O rio do nosso corpo, a qual ele pretende encenar numa aldeia Kaxinauwá, no rio Jordão. O texto de Yuraiá é produto de uma longa pesquisa patrocinada por uma bolsa da Fundação Vitae, iniciada há quase 20 anos. “ A idéia é iniciar a apresentação em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, onde quero discutir a questão indígena com indigenistas, antropólogos, etnólogos e envolvendo autoridades públicas com interesse nas informações sobre a questão indígena brasileira”.

Quanto à oficina A célula rítmica e a construção do personagem, João das Neves explica que a prática de analisar os próprios ritmos, assimilá-los e compreendê-los, não é uma teoria, mas uma prática que ele vem desenvolvendo há mais de dez anos. “É um trabalho de observação, que resulta em resultados bastante interessantes àqueles que o praticam. A célula rítmica trabalha muito com a percussão, que está presente no nosso DNA pela herança genética que recebemos dos africanos, dos indígenas. Será através desse ritmo que é possível compreender e assimilar o caráter do personagem”, explicou.

Para o diretor do Catac, Flávio Kactus, o retorno do dramaturgo João das Neves ao Acre marca também uma nova fase para o grupo Catac. “Não vamos mais trabalhar só o cinema, mas o cinema e o teatro. Queremos fazer com que as pessoas, os estudantes que fazem as nossas oficinas encontrem uma identidade teatral, e a presença de João das Neves aqui cumpre esse papel, pela idéia de diálogo que ele propõe no teatro brasileiro”, ressaltou.

 

 
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Rio Branco-AC, 10 de março de 2006
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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