| OPINIÃO | ||
| OPINIÃO | ||
Raimundo F. Souza * |
||
Somos povo ou somos massa? Enquanto aguardava o enfadonho plim-plim na telinha eletrônica anunciando o número da minha senha para ser atendido em uma instituição de serviço publico, naqueles momentos em que somos obrigados a ver e ouvir tudo que acontece em nossa volta, não pude ignorar a conversa sobre futebol que se travava entre dois amigos na fileira de cadeiras detrás e versava sobre o poder dos meios de comunicação, comentando que quem não consegue ter acesso a esses veículos, especialmente a televisão, independentemente de seu talento ou genialidade, jamais vai aparecer nem mostrar suas habilidades ou qualidades ao grande público. Fiquei matutando aquele dialogo apesar da conversa ser banal, mas o assunto é no mínimo curioso e a afirmativa é verdadeira. Essa ferramenta tecnológica de comunicação está realmente comandando as ações e o povo. Salvo alguns comentários sem qualquer pretensão, não está se dando conta de que foi transformado, conforme afirmam os donos do poder (comunicação), em massa. Ou seja, aquele tipo de material que pode ser literalmente modelado na forma da conveniência ou do interesse financeiro. O editorial de um site sobre o poder da comunicação afirma que... “a chegada da cultura de massa, porém, acaba submetendo as demais ‘culturas’ a um produto comum e homogêneo - ou pelo menos pretende essa submissão. Por ser produto de uma indústria de porte global, a cultura elaborada pelos vários veículos está intrinsecamente ligada ao poder econômico do capital industrial e financeiro. A manifestação cultural, para melhor servir esse capital, requereu a repressão às demais formas de cultura - de forma que os valores apreciados passassem a ser apenas os compartilhados pela massa”. Nem todo mundo se deu conta de que faz parte dessa “massa” que está sendo moldado igualmente a massa que as crianças modelam transformando-a em qualquer figura de sua imaginação - nesse caso o modelo é único, moldado de acordo com os interesses do mercado consumidor. Nesse contexto, o povo não pode evidenciar as características culturais comunitárias e/ou regionais, mas deve comungar e seguir as regras da cultura linear. Se quiser se rebelar pode, mas se não sabe rapidamente vai descobrir que quem não rezar nesse catecismo estará condenado a pregar no deserto (os amigos do dialogo no primeiro parágrafo que o digam). Quanto à utilidade dessa comunicação global instantânea, sua importância é indiscutível. As informações que por muito tempo foram monopólio de grupos detentores do poder atualmente estão à disposição de quem interessar. No entanto, essa comunicação e exposição simultânea de todo tipo de informação serve tanto para informar como também para alienar. Antes, quando as pessoas não dispunham facilmente dessa avalanche de informações, quem interessava se informar buscava nas fontes especializadas somente o que interessava; hoje, na ilusão de que tudo está à disposição, passando a sua frente como um filme permanente através dos diversos veículos de comunicação, muita gente está atordoada, pensando que está dominando a situação, sabendo das coisas, mas no fundo está somente com um falso e fragmentado conhecimento das questões históricas e atuais. Sobre a cultura planificada proposta, ela implantada e não temos como nos livrarmos de sua manipulação e manutenção constantes, pois a comunicação linear, denominada comunicação de massa, consegue nos atingir desde os aposentos de um enfermo em qualquer hospital, passando por todas as moradias das cidades e chegando até aos mais distantes recantos interioranos de qualquer país. Atualmente, o maior exemplo da força da comunicação imposta pela televisão sobre qualquer tipo de programação é o advento desse programa sem qualquer importância, denominado BBB, que já está em sua sétima edição e cada vez que vai ao ar em menos de um mês de seu lançamento milhões de telespectadores, até de outros países, já estão comentando, participando, interagindo e pagando ligações telefônicas em favor da Rede Globo. * Documentalista da Ufac |
||
|
||
| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
| |