| COTIDIANO | |
Desabafo de ex-viciado mostra a face trágica de quem chegou ao limite Autopiedade e revolta prejudicam vítimas da dependência química |
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“O que começou como divertimento em noites festivas e movimentadas terminou na angústia de um quarto escuro onde hoje sorvo a duras penas, a solidão, a angústia e o tormento de ter perdido as rédeas da vida e dos sonhos que nem sei mais em que partes do caminho deixei. O assombro e a impotência que invadem esses dias tristes só pode avaliar quem viveu ou vive o pesadelo de ter perdido o controle diante do primeiro gole da bebida ou de outra droga entorpecente.” O desabafo acima é feito por um homem de 40 anos, que experimentou os primeiros goles de bebida alcoólica ainda na adolescência e se deparou com um pesadelo que jamais imaginou que existisse. “Tudo começou como uma brincadeira de moleque e foi ficando séria na proporção em que eu ficava adulto e me achava mais dono da situação. Com o passar do tempo fui perdendo a confiança da família e dos amigos, depois da esposa e dos filhos, até que nada mais me restou além do vazio e da solidão que tomam conta das almas que como eu, perderam a força e a vontade de lutar pela vida. Me tornei parte de uma legião de homens e mulheres, que trêmulos se revolvem na lama da humilhação, da dependência e do medo, mas que ainda vislumbram ou afagam a esperança de algum dia claro de estação de verão”. E o homem continua seu desabafo: “As promessas de nunca mais beber eram sufocadas por goles que amargavam nas manhãs que sucediam outros porres. Para todos a minha volta eu deixei de ser homem e passei a ser um estorvo, um fraco, uma aberração. Foi na dor que eu encontrei forças para lutar. Foi do fundo do poço, de onde não havia mais espaço para afundar, que eu busquei a luz de um poder superior que nem acreditava mais que existisse. Foi clamando pela vida que encontrei em mãos amigas a esperança de que precisava. A ajuda veio de pessoas que como eu, sofreram com o alcoolismo e encontraram na unidade a força para vencer a compulsão pela bebida. Refiro-me a irmandade de Alcoólicos Anônimos (AA), sem a qual não teria conseguido reafirmar novamente os pés nos chão.” O que é Alcoólicos Anônimos O alcoolismo atinge milhões de pessoas no mundo e foi considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma doença progressiva e de determinação fatal. O problema não atinge só uma pessoa, mas toda a família que sofre diante da instabilidade emocional de seu ente querido. Para muitos, a saída para uma vida mais saudável e feliz, foi a mesma encontrada pelo personagem real acima citado. Alcoólicos Anônimos é formada por milhões de homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudarem outros a se manterem sóbrios. Para fazer parte não precisa pagar taxas ou mensalidades. O único requisito para se tornar membro é o desejo de parar de beber. AA não está ligado a nenhuma seita ou religião, nenhum movimento político, nenhuma organização ou instituição, não deseja entrar em controvérsia e não apóia e nem combate quaisquer causa. “Na primeira vez que entrei em uma sala de alcoólicos anônimos acreditava que as pessoas iriam me olhar com um diagnóstico nos olhos - alcoólatra!. Estava enganado. Sentei-me na última fileira de cadeiras e recebi as boas vindas dos membros, principalmente de um deles que coordenava a reunião e dizia que eu era a pessoa mais importante daquele dia. Para mim, que me sentia um ‘ninguém’ foi um alívio. Não perguntaram meu nome e nem de onde eu vinha, queriam apenas que eu me sentisse bem, e me senti, me senti tão bem que daquele dia em diante nunca mais deixei de freqüentar as reuniões. Hoje levo a mensagem para os que precisam, e a cada dia descubro mais motivos para viver. Tornei-me uma pessoa saudável, feliz e novamente sociável”. Assim termina o depoimento do homem de 40 anos, que se tornou membro de AA e nela permanece há 10 anos. (Informações sobre o funcionamento dos grupos pelo telefone: 3224-9449). O Escritório de Serviços Local (ESL) está situado na rua Coronel José Galdino, 289, ao lado da Igreja Santa Inês, bairro Bosque. |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
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