OPINIÃO
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Andréa Zílio *

 

Jornalista: uma função social

Com o calor das comemorações da páscoa, muitas pessoas esqueceram ou nem mesmo sabiam que sábado, dia 7, foi festejado o Dia do Jornalista. Alguns telefonemas amenizaram a vaga lembrança, mas a data foi brindada pelos colegas de profissão no Memorial dos Autonomistas, durante a abertura da exposição “Vida de Jornalista”, apresentada pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Acre (Sinjac), que mostra cenas, das mais simples às mais inusitadas, que fazem parte do cotidiano desses homens e mulheres.

Na internet, diversos sites apresentaram textos falando da profissão, dos riscos que ela oferece, da imparcialidade e da ética - temas comuns nas rodas de discussões entre jornalistas, que parecem banais, mas não deveriam, principalmente quando se busca dinamizar a atuação em uma área que muitas vezes é apresentada de forma pejorativa. Mas o que é ser jornalista?

Segundo a colega Maia Menezes, de O Globo, “é acordar de manhã com o mundo nas costas. É ler o jornal nas entrelinhas e nunca mais ser uma leitora convencional. Ser jornalista não é o que eu imaginei ser. Mas viver também é assim: surpreendente. O que importa é a meta: não permitir ser triturado pela engrenagem - que é dura, na maioria das vezes”.

O jornalismo é uma profissão em que, mesmo diante da rotina diária, estamos sempre vivendo o inesperado, o surpreendente, o imprevisível. Em cada fato relatado, uma nova experiência é apresentada, e nesse turbilhão de acontecimentos, é fácil se perder se o objetivo não for claro. Por isso, jornalista tem que ter meta, e a base dela tem de ser o ato de servir a sociedade.

Na opinião de Martha Esteves, subeditora de esportes de O Dia, “ser jornalista não é profissão, mas um estado da alma. Tem que se dedicar muito, ser jornalista em tempo integral e entender que também é uma função social. Não é só informar, mas tentar buscar soluções para problemas sociais”.

O jornalismo praticado por quem não se dedica e não ama essa função dá espaço ao mau jornalismo, muito criticado. Aquele em que o profissional age sempre por interesse próprio. Ser jornalista não é uma profissão técnica - suas ferramentas de trabalho atuam com a subjetividade.

O jornalista é a ponte entre a realidade dos fatos e a sociedade, mas isso não se dá da forma imparcial, a imparcialidade não existe. Se o jornalista é um ser humano, é óbvio que ele contará o fato a partir de seu ponto de vista, que pode ser diferente do colega. É ela que vai fazer o leitor ver a mesma notícia em vários jornais contada de diferentes formas, enfocando diversas coisas, mas se feitos com ética, todos os textos terão em base a mesma história, com diferentes enredos. Mas qual é essa ética do jornalismo? É a ética de cidadão. Ser um cidadão ético jornalista faz da pessoa um jornalista ético.

É preciso acabar com os erros recriados em fórmulas e teorias falsas. É preciso acabar com a ilusão do glamour que faz muitos profissionais de comunicação esquecer suas tarefas e agir como se fossem donos do mundo. É real que o jornalista circula desde a periferia aos luxuosos salões da elite, mas ele não é elite, não é o político, não é o juiz, não é o artista. Ele é o jornalista, e deve atuar como tal, servindo a sociedade, que a partir da necessidade da informação fez dessa uma das profissões mais respeitadas em qualquer lugar do mundo.

* Jornalista

 

 
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Rio Branco-AC, 10 de abril de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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