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Amendoim maravilha! Colheita levanta auto-estima dos produtores com preços que superam todas as outras culturas tradicionais |
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Os pequenos produtores da Limeira, plantadores do tradicional amendoim do Quinari, estão em festa com a boa safra que está sendo colhida neste ano quando eles se preparam para participar do primeiro Festival do Amendoim, previsto para o período de 25 a 27 deste mês, em Senador Guiomard. Na semana passada, suas esposas juntaram-se a representantes de restaurantes da cidade para participar do primeiro curso de subprodutos do amendoim, ocasião em que desenvolveram mais de 20 pratos doces e salgados que serão apresentados ao público durante a competição entre cozinheiras no concurso gastronômico, que acontecerá dia 22 e depois, por quem for participar do festival. A idéia é transformar o tradicional amendoim do Quinari num produto comercial diversificado para melhorar a renda dos produtores com a criação de novos produtos que prometem cair no gosto dos consumidores acreanos. Essas são apenas algumas das ações que estão sendo realizadas pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em parceria com a prefeitura de Senador Guiomard, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Secretaria Estadual de Assistência Técnica e Extensão Agroflorestal (Seater), mais Fundação Banco do Brasil (FBB), para estimular a cultura do amendoim do Quinari. “Já aprendi a fazer mais dez pratos com amendoim, entre eles os que mais gostei foram a lasanha e a torta,que ficaram demais!”, declara a agricultora Olinda Toledo Correia, uma das participantes do curso de produção de subprodutos do amendoim realizado na semana passada. Animada com as novas possibilidades aprendidas durante o curso, ela promete surpreender os visitantes da Feira do Amendoim com novos pratos que está inventando. “Fizemos uma tapioca com peito de frango e amendoim que ficou um negócio pra lá de bom, sei que quem vier para essa feira vai ficar freguês.” Olinda, que saiu de Francisco Beltrão, no Paraná, para Rondônia, dali para o Amazonas e finalmente o Acre, numa aventura de 22 anos em busca de um pedacinho de chão na Amazônia, lembra que lá em sua terra natal ela já cultivava o amendoim roxinho, mas só para o gasto. Foi em 2002 que o marido conseguiu os primeiros dois quilos de semente do amendoim do Quinari, que plantou e colheu 13 sacos. “Foi a melhor lavoura que a gente hoje tem para ganhar dinheiro. Nós plantamos milho, arroz, mandioca e feijão, mas com o dinheiro de um quilo de amendoim dá para comprar cinco quilos de arroz descascados. Não tem nem comparação”, declara, lembrando que no fim do ano passado plantaram 30 quilos de amendoim que estão sendo colhidos agora. O marido Francisco Correia, 48, explicou que, apesar de contratempos que começaram com o atraso na chegada do trator que deveria beneficiar a terra para a lavoura, problemas que se seguiram com a praga de vaquinhas (besouros) e a doença da mancha preta, a produção deverá atingir uma média de dois mil quilos por hectare. “A gente plantava meio no pontapé, arriscando para ver no que dava, mas depois que começamos a receber esse apoio da prefeitura, com o Sebrae e a Seater que não saem aqui de dentro, o pessoal ficou muito mais animado”, explica Correia. Ele é um dos cinco produtores acreanos levados pelo Sebrae para conhecer os pequenos produtores de amendoim da região de Jaboticabal, em São Paulo. “Chamar aqueles produtores de pequenos é até uma ofensa porque cada um planta pelo menos 40 hectares com uma lavoura toda mecanizada tendo técnicos que não saem lá de dentro. Percebi que a assistência técnica e a organização garantem a boa administração das propriedades com tecnologias modernas e a negociação mais favorável de sua produção. Aqui nossa esperança está em consolidar nossa cooperativa para conquistar mercado para a nossa produção”. Aos 59 anos, o agricultor José Cardoso do Nascimento é o presidente da Associação dos Produtores São Brás de Produtores Rurais da Limeira, que já conta com 27 associados e está em processo de transformação para cooperativa. “O amendoim vem sendo a cultura que está dando melhor resultado aqui para gente. Precisamos aproveitar esse apoio que está sendo dado pela prefeitura, em parceria com o Sebrae e a Seater, para nos organizar e em dois ou três anos garantir a mecanização da terra, especialmente no momento da colheita. A Embrapa fez um estudo e descobriu que assim, na mão, a gente gasta uma média de 82 dias de trabalho para colher um hectare de amendoim, por isso é que precisamos da colheita mecanizada.” Aproveitando a oportunidade para expor seus planos, Cardoso esclareceu: “Nós, da roça, precisamos ter um produto principal e o amendoim promete cumprir esse papel, mas ele só dá uma lavoura por ano, então a gente precisa desenvolver outras atividades. Como já temos três bombas, canos e mangueiras, propus montar uma horta comunitária para produzir tomate, abóbora camútia, berinjela, cenoura, beterraba, chuchu e outras coisas que continuamos importando aqui para o Acre.” Amendoim no espeto Reginaldo Souza da Silva, 21, filho do proprietário da Churrascaria JR, a maior de Senador Guiomard, representou a casa durante o curso de subprodutos do amendoim e se prepara para participar da competição gastronômica que acontecerá no próximo dia 22. “Aqui na churrascaria a gente nunca usou amendoim para nada, mas agora estamos desenvolvendo alguns produtos com ele. Durante o curso, uma das coisas de que mais gostei foi a lasanha com amendoim e o filé com farofa de amendoim. Agora vamos oferecer a picanha com amendoim e a torta de sobremesa para nossos clientes”, promete. Amendoim é cultura Jorge Saady, coordenador do Projeto de Apoio aos Produtores de Amendoim do Quinari, pelo Sebrae, esclareceu que esse trabalho envolve pelo menos 140 famílias de agricultores que estão colhendo mais de 150 mil quilos de amendoim nesta safra. Além das duas comunidades produtoras de Senador Guiomard, ainda há 11 famílias do antigo seringal Triunfo e outras 25 do ramal Céus Abertos, ambas de Plácido de Castro, que também estão cultivando o amendoim típico do Quinari. “Mais que uma cultura agrícola, o amendoim já está incorporado à cultura acreana desde os tempos de nossos índios, gerando uma série de pratos típicos, mas comercialmente só tem sido explorado torrado ou na forma de paçoca. Nós do Sebrae, em parceria com a Embrapa, Seater e prefeitura, estamos estimulando os produtores a aumentarem suas lavouras para garantir a conquista de uma maior fatia de mercado e orientando o trabalho para a criação de novos produtos”, explicou Saady. Ao longo de todo o ano passado, técnicos e produtores trabalharam voltados para a promessa de liberação de recursos do Pró-florestania, que financiaria a instalação de uma agroindústria no Quinari. No fim do ano, essa hipótese acabou sendo descartada, mas foi abraçada pela Fundação Banco do Brasil dentro de seu programa de Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS), que deverá liberar cerca de R$ 180 mil para a obra ainda este ano. |
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