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Sibá Machado * |
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O Acre e as energias renováveis Há dois anos, exatamente no dia 29 de junho de 2004, lançávamos o Programa de Biodiesel do Acre. Foram os tempos das primeiras conversas, primeiras articulações em busca de parcerias com os setores público e privado para a implementação deste Programa. Tempo de longos diálogos e de convencimento, pois o biodiesel, apesar de já apontado como prioridade do Governo do presidente Lula, ainda não estava tão difundido como nos dias de hoje. Houve quem dissesse no Acre que eu estava sonhando, e a pergunta mais freqüente era “o que é mesmo o biodiesel”? Hoje, cheios de orgulho e felicidade, anunciamos a inauguração do Centro de Referência de Energia de Fontes Renováveis do Estado do Acre, projeto sobre o qual posso afirmar ter colaborado enormemente para a sua realização. Acredito mesmo que as energias renováveis, tendo à frente o biodiesel, representam a grande proposta energética para o Acre e para o Brasil. Neste sentido, este Centro que será inaugurado passou a constituir uma das alternativas para assegurar a instalação de soluções tecnológicas que garantirão às comunidades tradicionais, através das energias alternativas, como o fogão a lenha que gera energia, o acesso aos processos produtivos, à educação e à cidadania. Também colocará o Acre na rota de produção de biocombustíveis no país, por meio do biodiesel e pela instalação de unidades térmicas de energia movimentadas por queima de resíduoas florestais. Todos estes trabalhos são frutos de parceria da FUNTAC com a Eletronorte e outra parte de apoio via emenda parlamentar. A implementação de um programa energético a partir dos biocombustíveis abre oportunidades para a criação de novos postos de trabalho no campo, valorizando e promovendo o trabalhador rural, possibilitando, com a utilização de mão de obra especializada, o desenvolvimento de novas tecnologias, a criação de novos laboratórios, unidades de extração de óleo vegetal e fábricas de processamento. Além de um outro componente fortíssimo: o biodiesel praticamente não contém enxofre, e, sendo renovável, não gera poluentes durante sua produção industrial. Estudos conjuntos desenvolvidos pelos Ministérios do Desenvolvimento Agrário, da Agricultura, da Integração Nacional e das Cidades permitem simular que a cada 1% de participação da agricultura familiar no mercado de biodiesel no país, na hipótese de utilização de um percentual de mistura de 5% de biodiesel no óleo diesel em todo o território nacional, seria possível gerar cerca de 45 mil empregos no campo, a um custo médio de aproximadamente R$ 4.900 por emprego. Tomando-se como média a possibilidade de criação de três empregos na cidade para cada emprego no campo, a participação de um ponto percentual da agricultura familiar no mercado de B5 (5% de biodiesel) permitiria a geração de aproximadamente 180 mil empregos diretos e indiretos. Além da questão social e ambiental, o uso do biodiesel também deve ser estratégico do ponto de vista econômico. O emprego do biodiesel irá reduzir também a dependência energética do país, interferindo positivamente na balança comercial brasileira. Segundo informações do Ministério de Minas e Energia, o diesel representa um grande gargalo para o país, que tem de importar 15% do combustível consumido (6 bilhões de litros, que custam cerca de US$ 1,2 bilhão por ano). Mesmo com a auto-suficiência em petróleo, haverá necessidade de importar diesel comum. Isso porque o óleo extraído não tem qualidade para a produção daquele combustível. Com a adoção do biodiesel, aos poucos, diminuiria a dependência do diesel comprado no mercado internacional. O novo dinamismo econômico estabelecido no Acre, com a consolidação das experiências de desenvolvimento sustentável implementadas pelo Governo a partir de 1999, favoreceu a consolidação dos fatores produtivos no meio rural. Apesar das dificuldades de acesso à floresta e a distância de algumas comunidades dos núcleos urbanos, as populações tradicionais, em sua maioria pequenos agricultores, ribeirinhos e seringueiros, exercem um importante papel no desenvolvimento de atividades produtivas, que geram renda e empregam boa parte da mão de obra do setor primário. Superar estas dificuldades, levando os benefícios sociais do uso da energia elétrica para comunidades isoladas de todos os municípios do Acre tornou-se uma das metas prioritárias do Governo do Acre e do meu mandato. Agora teremos também como meta não só levar os benefícios para nossas comunidades, mas incluí-las no processo produtivo desta nova fonte de energia do Brasil para o mundo. * Senador da República e dirigente regional do Partido dos Trabalhadores do Estado do Acre |
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