COTIDIANO
Alcoólicos Anônimos comemora hoje 72 anos de fundação no mundo

Membros apostaram na união para vencer a fraqueza do vício

 

Val Sales

A irmandade de Alcoólicos Anônimos (AA) nasceu da fraqueza de homens e mulheres que já haviam perdido a fé na vida, em si próprios e em Deus. De pessoas que, sedentas por uma vida livre da dependência do álcool, cambaleantes na fronteira que separa a insanidade da morte, encontraram na união a força para emergir das cinzas, e finalmente, como quem enche os pulmões de um novo ar, respiraram a liberdade que somente aqueles que experimentaram o renascer de uma nova esperança saberiam explicar.

Apesar de existir em mais de 170 países e de ajudar milhões de pessoas a se recuperaram do alcoolismo no mundo, AA ainda é uma irmandade que parte significativa da sociedade ainda desconhece. Isso também se dá pelo fato de sua programação colocar os princípios acima das personalidades e adotar o anonimato em vez da promoção. Ela não entra em controvérsias, não combate e não defende qualquer causa, não está ligada a nenhuma seita ou religião e tem como base a manutenção da sobriedade de seus membros e a divulgação da mensagem aos que sofrem no “campo” no alcoolismo.

Ainda hoje há quem pense que AA é uma sociedade “distante” da realidade, porém, tão “distante” quanto o preconceito varrido para debaixo do tapete, por aqueles que escondem a vergonha dos entes queridos que se perderam na dependência química. Como é defendida por meus membros, a programação de Alcoólicos Anônimos existe, é simples e eficaz para quem mantém o propósito de parar de beber, assim como fizeram seus co-fundadores, Bob e Bill Wilson, em 1935.

A história de AA começa a tomar corpo no verão de 1934, nos Estados Unidos, quando o psiquiatra Willian Silkworth declara que o corretor da Bolsa de Valores de Nova York, Bill Wilson, era um alcoólico sem esperança de recuperação. Segundo o médico, ele teria que ser mantido internado, do contrário ficaria louco ou morreria. Dono de um extenso “currículo” de sofrimento e de antigas promessas de que conseguiria parar de beber sozinho, Bill passou por um despertar, considerado por ele, como espiritual e renovador.

Na busca por uma solução para o alcoolismo, o corretor acabou encontrando o médico Bob, que também tinha problemas com álcool. Juntos, eles descobriram que enquanto conversavam não sentiam compulsão pela bebida, o que culminou na criação do primeiro grupo de mútua-ajuda de AA no mundo.

O que é o AA?

É uma irmandade mundial de homens e mulheres que se ajudam mutuamente a manter a sobriedade e se oferecem para compartilhar livremente sua experiência na recuperação com outros que possam ter problemas com seu modo de beber. A irmandade funciona por meio de mais de 97 mil grupos, espalhados em mais de 170 países.

O movimento adotou a política de “cooperação sem afiliação” com outras organizações que se dedicam ao problema do alcoolismo. AA é auto-suficiente através de seus próprios membros e grupos, recusando contribuições de fontes externas. Os membros da irmandade preservam o anonimato pessoal em nível de imprensa, filmes e outros meios de comunicação.

Para ser membro bastar manifestar o desejo de parar de beber. A irmandade não está ligada à seita ou religião e seus membros são homens e mulheres das mais variadas classes sociais e de gênero. Na entidade, nada é imposto, não há autoridades e a liderança se faz pelo exemplo. Sua programação é apenas e seguida pela consciência de cada um.

Uma sociedade que tinha tudo para não dar certo

Com o surgimento dos primeiros grupos de mútua-ajuda, Alcoólicos Anônimos conquistou a admiração de muitas personalidades da época, inclusive de médicos, religiosos e jornalistas, que auxiliavam na difusão da “boa nova” para os “beberrões”.

Enquanto a notícia se espelhava, outra parte da sociedade comentava: “Como um grupo de bêbados vai conseguir se manter sóbrio em uma irmandade que não tem governo, não tem coordenador de finanças e segue apenas sugestões? Vindos de onde vieram (botecos, bares e botequins), essa sociedade está fadada a não dar certo”.

No entanto, a unidade contida nos grupos era o sistema no qual os alcoólicos se agarravam para se manterem longe da bebida. Era o último refúgio para aqueles que já haviam sido desprezados pelos familiares e amigos, e tinham se afastado do convívio da social pela vergonha de si próprios.

AA foi criada da força emergente da dor e seus membros mantêm até os dias de hoje as tradições criadas pela experiência dos veteranos, tendo como propósito primordial à sobriedade e a ajuda aos outros.

Como encontrar os grupos de AA

Segue a relação de alguns endereços que podem ser localizados por pessoas que busquem ajuda para si própria, para parentes, para amigos, ou para obter informações sobre o funcionamento do setor:

  • Grupo de AA Dom Giocondo Maria Grotti – Anexo à Igreja Santa Inês – Bosque. Reuniões: ás quartas-feiras e sábados, às 19h30.
  • Grupo de AA Rio Branco – Catedral Nossa Senhora de Nazaré, Centro (Porão). Reuniões: às terças-feiras e sextas-feiras, às 19h30.
  • Grupo de AA Floresta – Conjunto Bela Vista II, Q-9, C-17, bairro Floresta, atrás da Igreja São Peregrino. Reuniões: às segundas-feiras e sextas-feiras, às 19h30.
  • Grupo de AA Raio de Sol – Igreja Imaculada Conceição, 1o piso, bairro 15. Reuniões: todas as quintas-feiras, às 19h30.
  • Grupo de AA Sete de Março – Anexo à Igreja São Francisco, bairro São Francisco. Reuniões: todos os domingos às 16 horas.
  • Grupo de AA 1o Passo – Anexo ao Centro Pastoral Cristo Libertador, rua Ary Rodrigues, bairro Aeroporto Velho. Reuniões: todos os sábados às 19 horas.

Mais informações no Escritório de Serviços Local de AA (ESL), anexo à Igreja Santa Inês, no bairro Bosque. Telefone: 3224- 9449.

 

 
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