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Mentiras e verdades O dito popular de que a mentira tem pernas curtas é uma meia verdade que às vezes não resiste à afirmação, também popular, de que uma mentira muitas vezes repetida ganha conotação de verdade. Na página central desta edição trazemos matéria na qual o indigenista Antônio Macêdo lembra que até o início dos anos 70 a versão oficial era de que não havia mais índios no Acre. Versão que hoje pode parecer absurda, mas muito conveniente numa época em que mais de 80% dos seringais acreanos foram vendidos para empresários sulistas que não sabiam nem estavam a fim de saber sobre os seringueiros e índios que viviam lá dentro. Isso deu o maior xabu. Primeiro foi reconhecida a existência dos índios kaxinawas do Jordão e os apurinãs de Boca do Acre. A partir daí vieram outras nações - algumas, como o povo contanawas, acabaram de ressurgir há poucos dias. Índios e seringueiros deram as mãos formaram a Aliança dos Povos da Floresta, fizeram valer seus direitos, sua luta e seu modo de ser e viver traduzido em florestania. A verdade, enfim, está clara: os índios existem, sim, os seringueiros tem seus direitos, as fazendas tornaram-se exemplo de eficiência produtiva no Estado, a floresta vai tendo sua importância e valor reconhecidos. Verdade verdadeira não é relativa, não precisa de artifícios que enganam por algum tempo, mas não para sempre. Sócrates dizia que a verdade é tão clara que ofusca os olhos dos homens. A verdade nem sempre é agradável, mas cedo ou tarde temos de enfrentá-la sem mentiras. |
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