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POLÍTICA

Tião repudia Pfizer pela morte e mutilação de crianças africanas

Senador vai propor voto de censura contra multinacional americana


Senador disse que o Brasil tem que manifestar indignação


Romerito Aquino

Brasília - Onze delas já estão debaixo da terra e dezenas de outras foram marcadas para sempre por males como cegueira, surdez, paralisia, transtornos da fala e lesões cerebrais graves. Não se trata aqui de vítimas de guerra entre países, regiões ou tribos primitivas, mas de crianças que há bem pouco tempo provaram no corpo e na alma a fúria da ganância pelo lucro desmedido que hoje desdenha da vida humana pelo mundo afora.

Isso tudo aconteceu com 200 crianças do norte da Nigéria, na África, que em 1996 foram usadas como cobaias humanas pelo grupo farmacêutico norte-americano Pfizer para testar seu medicamento Trovan Floxacin com o fim de ampliar ainda mais os lucros bilionários que o grupo fatura anualmente no planeta às custas das doenças das pessoas.

A notícia da tragédia provocada pela multinacional dos remédios no pobre e sofrido continente africano se espalhou pelo planeta e causou revolta, indignação e pedidos de justiça para reparar os danos irreversíveis causados às vítimas inocentes e às suas famílias. Tal clamor chega agora ao Congresso brasileiro, onde o senador Tião Viana (PT-AC) vai apresentar esta semana requerimento pedindo que o Senado Federal aprove um voto de censura ao grupo Pfizer, demonstrando, com isso, a indignação do povo brasileiro ante o flagrante abuso cometido pela empresa na região mais pobre do planeta.

O senador acreano justifica seu pedido de voto de censura argumentando que o Brasil não pode furtar-se a manifestar, em nome de todos os seus cidadãos, o seu repúdio incontinenti “à forma inescrupulosa” como o grupo farmacêutico norte-americano utilizou crianças nigerianas para testar o seu medicamento.

“Sob o pretexto de oferecer auxílio humanitário no combate a uma epidemia de meningite bacteriana, sarampo e cólera, que afetou o norte da Nigéria, em abril de 1996, a Pfizer ministrou, sem o devido conhecimento e a necessária autorização das agências reguladoras da Nigéria, o Trovan Floxacin a cerca de duzentas crianças”, assinala Tião Viana.

O senador lembra que o governo da Nigéria apresentou uma ação contra a empresa americana, exigindo uma indenização no valor de US$ 7 bilhões pelos danos causados às vítimas. As primeiras audiências do processo estão previstas para o dia 26 deste mês, o que fez com que o caso, que já inspirou livro e filme, voltasse aos noticiários de todo o mundo.

“O episódio exige de nós uma reflexão profunda, pois demonstra o quão longe pode chegar o homem em sua desmedida ganância pelo lucro. A ação ilegal da Pfizer, um expoente do setor de fármacos, é ainda mais impactante se levarmos em consideração que se trata de uma empresa que, teoricamente, tem sua razão de ser na cura de doenças e na mitigação das dores”, sustenta o senador.

Crianças foram tratadas de forma subumana - Tião Viana vai mais longe ao assinalar que, embutido nas entrelinhas, encontra-se algo mais desprezível e torpe na ação da multinacional: “A idéia de que uma grande empresa, pertencente a um país rico e desenvolvido, pode adentrar um país subdesenvolvido e nele atuar ao seu bel prazer, infringindo as leis que o regem, protegida pela simples suposição de que o poderio econômico que representa é, por si só, garantia de impunidade”.

 
 
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Rio Branco-AC, 10 de junho de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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