OPINIÃO
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José Cláudio Mota Porfiro *

 

Trair e coçar é só começar...

Dia desses andava a triste bruxa pelo belo bosque pensando e pensando e maquinando em como dar mais uma rasteira no destino de um ou de outro ao moldar caráter novo e bem matreiro a uma nova vítima. Foi por aí que, numa dessas esquinas da estrada, empoeirada, apareceu rapaz bem parecido com raposa, pertencente a família de políticos audazes que se espalharam Brasil afora. De Campinas, com Jacó, ao Rio de Janeiro, com Mauro, e ao Acre, com esse moço apontado por Narciso Mendes como o salvador da lavoura e do Morada da Paz, o cemitério, um vitupério.

Raízes, ungüentos, unhas, folhas, pós, penas, antenas, baterias de celular pau puro... De tudo um pouco a megera jogou no caldeirão fumegante. A poção era do cacete! E o moço entornou a beberagem. Ela o faria um grande político desses poucos que mentem pouco. Coitado!

Eis que veio, depois, então, a reação. Revertério terrível. Malgrado. Talvez o bacana nascera predestinado, lá no Sudeste. Choque de gametas, hormônios, mágicas mil e um barril de patifarias das frias. As coisas não saíram bem ao gosto e ao modo de alguns. Batizaram-no traíra, por sugestão de Mauri Sérgio e seus asseclas que também tocaram em todas as teclas, inclusive as do jogo de carta marcada, uma parada. (Lembrei do Aragão!)

E o aguerrido e combativo rábula começou já a agir e reagir segundo uma das máximas mais sacanas de que a civilização ocidental tem conhecimento. Trair e coçar é só começar...

Depois, então, caiu um avião. O gênio picaresco ficou preso às ferragens, mas a sua mala de dólares foi parar na beirada de um igarapé. Aí veio um pobre pescador sem sandálias, apanhou o alforje e não fugiu, mas o entregou ao bardo que já se desprendia dos ferros retorcidos com a ajuda do outro gênio, o da lamparina. Agradecimentos mil, mas a gorjeta ninguém viu. O pescador medroso foi traído sagazmente.

Veio então outro pato carrapato, o PMDB. E o ensandecido gênio também o traiu ao trair Flaviano e o prefeito pescador que também nunca viu a mala dos dólares, apesar dos sonhos mirabolantes. Em Brasília, como não poderia deixar de ser, também as traições rolaram aos borbotões, em cascata, uma mamata.


A bola da vez, agora, é César Messias, o prefeito de Cruzeiro do Sul, que precisou de toda uma cidade para se livrar de uns tais que houveram por bem achar-lhes idiotas. (Houve nêgo que foi parar debaixo da mesa quando o pau quebrou.) Não se faz uma coisa dessas com toda uma população que sofre há cem anos em busca de um parceiro perfeito que a tire do ostracismo e do atoleiro da três meia quatro.

E o cronista hoje me conta que o mote da futura administração municipal aponta para um prefeito de verdade. Maldade. O cara agora trai o barão do segundo distrito, no grito. E o bom velhinho ainda o aplaude, de pé, mesmo sem fé, antes que a sua cadeira seja surrupiada na hora do descanso do trabalho manso que nem um, nem outro ousaria fazer. Segundo Léo, o moço da poronga em punho, o lema é “uma descortesia ímpar com o prefeito Isnard Leite, pois afirma de forma peremptória que o atual ocupante do cargo, que é seu aliado, é de mentirinha. Um bibelô. O moço segue os mesmos passos de Flaviano Melo que, durante a campanha de 2000, escondeu de todas as formas o correligionário Mauri, fazendo crer que na sua administração tudo seria diferente.” E não foi. Sacanagem!

O candidato do Narciso é do mesmo naipe do tucano paulista, fazendeiro e agrimensor no Acre. São forasteiros ambiciosos que agem em nome dos empreendimentos agropecuários que querem transformar o Acre numa grande fazenda ou numa imensa plantação de soja. Para esses rapazes, o desenvolvimento do meu rincão viria montado no lombo de um boi e todos os acreanos ficariam ricos. Como? Os bois pertencem a um dono que escraviza, direta ou indiretamente, quantidade significativa de peões que passam fome e sede na tosca vivenda que chove mais dentro que fora. Uma merda!

Outro dia, houve eu por bem dizer a um desses figurantes que o desenvolvimento virá com a floresta em pé. Não só apanhei, como bati com pau forte de maçaranduba. Hoje o Sibá Machado nos vem com uma alternativa altamente viável quando demonstra que óleos vegetais amazônicos podem perfeitamente substituir os combustíveis fósseis. O meu povo da floresta sempre teve razão. Não há um só pau no mato que não tenha a sua serventia. E eu perguntava ao meu pai Gibiri, ainda em Xapuri, sobre o que poderíamos fazer com a imbaúba, ao que ele me respondia em alto e bom som: eu faço três balsas em um dia pra buscar peixe em Boca do Acre. Era um forte.

Companheiros. Seja talvez esta a hora de embrulhar em fardo bom toda esta cambada que aqui veio parar para roubar inclusive aquilo que não temos.

* Cronista

 

 
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Rio Branco-AC, 10 de julho de 2004
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