COTIDIANO

Vazante do rio Acre dificulta o transporte de produtos dos ribeirinhos

 


Val Sales

Os produtores rurais que transportam sua colheita para vender em Rio Branco já estão sentindo as primeiras dificuldades de locomoção. Segundo eles, devido a vazante provocada pelo período de estiagem, em muitos trechos do afluente foram formados bancos de areia que ameaçam encalhar os batelões. O fato também os abriga a diminuir a carga, causando prejuízo financeiro.

O agricultor Raimundo Ferreira Pinheiro, morador do Seringal São Luiz do Remanso, no município de Capixaba, planta melancia e banana para garantir o sustento de sua família. Ele lembrou que no período chuvoso gasta um dia para chegar até o porto de Rio Branco, no Mercado Novo, e que agora leva um dia e meio. “Além disso, a gente tem muita despesa”, reclamou.

José Queirós, agricultor do Seringal Liberdade também reclamou que os barcos não podem mais andar carregados, e parte da produção acaba sendo deixada para trás. “No ano passado ficou ainda mais difícil e a gente torce para que as chuvas voltem, sob pena do produtor ficar isolado em suas colocações”, acrescentou.

O trabalhador Carlos da Silva Filho vem do Seringal Panorama duas vezes por semana para vender frutas e verduras em Rio Branco. Segundo ele, além das dificuldades de locomoção e dos prejuízos, outros dois fatores também incomodam os agricultores. O primeiro é a falta de organização dos donos de barcos que permanecem ancorados no porto mesmo depois de descarregarem, ocupando o espaço que outros precisam. “Muitas vezes a gente tem que ancorar o batelão distante da área da escada de acesso ao mercado porque o local está cheio de outros barcos já descarregados. Se houvesse mais organização, depois de vazios eles poderiam ficar ancorados do outro lado do rio. É uma sugestão”, acrescentou.

O segundo fator está relacionado às más condições do porto da capital. A maioria reclama que o local não oferece condições para o carregamento dos produtos, o que exige maior esforço por parte dos carregadores. “Temos que carregar a produção nas costas em uma ladeira cheia de obstáculos e erosões. Facilitaria muito se as autoridades construíssem uma escada até a beira do rio”, sugeriu. Ontem a tarde o rio estava medindo 2,32 metros, muito abaixo do nível que atingiu a enchente deste ano e que desalojou dezenas de famílias.

 

 
© Copyright Página 20 todos os direitos reservados    -      Imprimir       -       TOPO
 COTIDIANO
 COLUNAS
 EDITORIAL
 ENTREVISTA
 ESPECIAL
 ESPORTE
 POLÍTICA
 OPINIÃO
 VIA PÚBLICA
 VARIEDADES
 EDIÇÕES
 EXPEDIENTE
 E-MAIL
 
Rio Branco-AC, 10 de agosto de 2006
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
P E S Q U I S A