| ESPECIAL | |
| ESPECIAL | |
Assis Brasil quer benefícios da transoceânica Comerciantes e poder público estão investindo na melhoria da cidade para participar dos lucros no turismo e negócios |
![]() Supermercado JB é a maior casa comercial de Assis Brasil. Sua principal clientela vem do Peru e da Bolívia |
Com a estrada asfaltada, a Ponte da Integração inaugurada e as obras de construção da Carretera Transoceânica em andamento no lado peruano, Assis Brasil teria muito a comemorar, mas ainda não pode fazer isso porque, embora tenha vencido o isolamento, restam muitos desafios a vencer para que possa realmente participar dos benefícios da estrada que está integrando o Brasil e o Peru. A curiosidade e as facilidades de acesso com a inauguração da estrada e da ponte levaram boa parte de seus clientes peruanos a buscar as praças de Brasiléia e Cobija, às vezes Rio Branco, para fazer suas compras, o que gerou um esvaziamento de seu comércio. que ainda vende mais da metade de seus produtos para consumidores do Peru e da Bolívia. A situação foi parcialmente controlada depois de um pacto entre o poder público municipal e a comunidade, com destaque para os comerciantes que estão realizando uma verdadeira campanha de valorização da cidade ao trabalhar positivamente a auto-estima da população, além de realizar novos investimentos em seus negócios para oferecer melhores produtos e serviços. A prefeitura, de sua parte, trabalha em parceria com o governo do Estado, com o qual, além da melhoria de ruas e a instalação de redes de água e esgotos, acaba de firmar convênio para o repasse de R$ 250 mil para as obras de revitalização do centro comercial e histórico da cidade. “Com o asfaltamento da estrada, passamos a ter mais segurança no abastecimento de produtos e serviços, mas quando a ponte foi aberta vimos muitos de nossos clientes passarem direto para Brasiléia, Cobija e Rio Branco em busca de novidades, além de maior conforto com bons hotéis, restaurantes e serviços permanentes de táxi ou mototáxi que não temos aqui”, explicou Verônica Cardozo Moutinho, gerente do Supermercado JB, a maior casa comercial de Assis Brasil, que vende mais da metade de seus produtos e serviços a clientes do Peru e Bolívia. Mas a fé de seus proprietários no desenvolvimento futuro de Assis Brasil está representado no renascimento e ampliação do supermercado destruído por um incêndio em 2004, mas reconstruído com um financiamento de R$ 400 mil liberado pelo Banco da Amazônia via FNO. Supermercado e loja que antes tinham uma média de dez funcionários, hoje têm 45, oferecendo, além de produtos, serviços como uma lotérica e casa de câmbio. “Recebemos propostas para atender as empresas brasileiras e peruanas que estão trabalhando na construção da estrada do lado peruano. A falta de uma alfândega funcionando aqui nos impede de concretizar os negócios, mas a promessa é de que isso vai acontecer logo”, concluiu Verônica. Comércio formiga O taxista Juan José Escarse, que faz a linha de lotação entre Puerto Maldonado e Iñapari, aproveita para atravessar o rio Acre pela nova ponte e comprar as encomendas de arroz, óleo, frango e frios, como calabresa e presunto, pedidos por seus clientes. “As pessoas me pedem sempre que leve alguns produtos que nos faltam ou que lá são bem mais caros que os daqui por causa da dificuldade de transporte que nos obriga a trazer produtos peruanos em avião. Quando o real estava mais em conta, as pessoas compravam mais, mas agora sua moeda está muito forte e alguns produtos já não compensam.” Além do comércio da fronteira, o que anima mesmo Juan Escarse são as obras de construção da estrada. “Temos muitas máquinas e mais de 500 pessoas trabalhando nessa estrada, eles já terminaram mais de seis quilômetros e estão trabalhando bastante para concluir os 46 quilômetros de Ibéria e Iñapari ainda neste ano. Esperamos que consigam porque será bom para todos nós.” Nova Assis Brasil O prefeito Manoel Batista confirma que, com a abertura da estrada e mais ainda com a da ponte, além da migração dos compradores peruanos para outras praças, a população local passou a investir em equipamentos e eletrodomésticos de que não dispunha antes, o que tirou pelo menos 30% do dinheiro que circulava na cidade. “O período mais crítico aconteceu entre janeiro e março deste ano. Isso nos obrigou a nos reunir com o comércio em busca de uma solução que foi unir as forças da comunidade e da prefeitura para vencer a crise já a partir de abril. Em maio, o comércio distribuiu R$ 25 mil em prêmios até o Dia das Mães, promovemos o Carnavassis nos dias 13 e 14 daquele mês e o Festival de Praia de 20 a 22 de julho. Essas atividades atraíram pessoas de todo o Acre, Peru e Bolívia, reaquecendo o mercado e fazendo o dinheiro circular aqui.” O ponto chave desse resultado positivo foi que, além das promoções, o comércio e a comunidade passaram a transmitir uma imagem mais positiva do município e de suas esperanças no futuro. “De nossa parte estamos trabalhando a criação de atrativos como o Museu do Purussauro, que será construído com R$ 150 mil de emenda do deputado Nilson Mourão. O governo do Estado está nos repassando R$ 250 mil para revitalizar o centro comercial e histórico da cidade. Paralelamente, estamos criando atrativos ao longo de uma rota de 2.300 metros que liga o Acre ao Peru e à Bolívia para que as pessoas possam realizar um giro turístico pelas três fronteiras partindo de Assis Brasil para Iñapari e voltando por São Pedro de Bolpebra.” Ele enfatizou que, além do apoio do governo do Estado, vem trabalhando em parceria com a Embrapa para melhorar a produção rural, especialmente o rebanho bovino leiteiro para atender a fábrica de leite Glória, que está se instalando em Iñapari. “Nossos comerciantes e empresários estão recebendo muita orientação do Sebrae. Com isso, já reorganizaram sua associação comercial e estão ficando mais atentos às oportunidades de negócio no comércio e turismo.” Para Manoel, além da realização de obras de infra-estrutura, um dos grandes desafios está na conscientização da população local para receber bem o turista e sempre falar positivamente da cidade, reconhecendo os problemas que ela ainda tem. “Nossa capacidade de investimento é muito baixa. O ideal seria transformar a cidade numa zona franca e realizar mais investimentos nos setores produtivos urbano e rural para que possamos crescer junto com a estrada, em vez de ficar vendo os caminhões passando com carga de todo o Brasil”. Acreditando na cidade Marilene da Silva Teixeira vive em Assis Brasil há 18 anos, dez deles como sócia-proprietária da Framadroga, empresa que está sendo ampliada de farmácia para um verdadeiro centro médico e estético graças a um financiamento de R$ 100 mil do Banco da Amazônia através do FNO. “Ao mesmo tempo em que houve uma redução nos clientes peruanos, aumentou bastante o número de pessoas que vêm de Rio Branco e outras regiões do Acre e do Brasil para conhecer a fronteira ou ir mesmo lá para dentro do Peru. Passamos por uma crise, mas as coisas estão melhorando, por isso investimos no novo prédio, que além da farmácia vai ter um consultório médico, um dentista, um laboratório de análises clínicas e serviço de beleza. A gente sabe que a cidade vai crescer graças à estrada.” Quem também está ampliando seu negócio são os proprietários do Comercial Ribeiro, que constroem com recursos próprios um novo supermercado de dois andares no bairro da Cascata, que já funciona há 12 anos. A nova estrutura, segundo os proprietários que preferem não aparecer, terá açougue, padaria e lanche, além de serviços como malharia, papelaria e outros. A idéia é não ficar para trás enquanto os outros crescem, porque depois fica difícil alcançá-los. Assim, um estimula o outro a novos investimentos. O comércio, que hoje tem nove funcionários, passará a gerar pelo menos 25 quando estiver concluído. Além-fronteira O prefeito (governador) do departamento de Tahuamanu, cuja capital é Iñapari, localizada a menos de um quilômetro de Assis Brasil, Mário Monte, recorda: “Antes da estrada e da ponte, tudo aqui era tranqüilo demais, mas agora há um movimento muito maior de cargas e pessoas, mas nós não estamos preparados para atender toda essa gente. O desenvolvimento está nos atropelando, o que demonstra que os governantes anteriores não nos prepararam para essa situação. Sem os investimentos de que necessitamos, continuaremos marginalizados por nosso governo e pelo próprio desenvolvimento, sem poder usufruir os benefícios da estrada”. Diante dessa situação, o governador Mário Montes, que já buscava junto ao ex-presidente Alejandro Toledo, agora repete com Alan García os pedidos para que Iñapari e a região de Madre de Díos recebam um tratamento diferenciado por conta de sua posição estratégica e dos impactos que vai sofrer no processo de integração com o Brasil. Ele propõe a realização de um pacto transfronteiriço para que as comunidades peruanas, brasileiras e bolivianas da fronteira tenham igualdade de oportunidades e possam crescer juntas de modo consorciado para amenizar os problemas sociais. “Nesse momento temos problemas, mas as oportunidades vão se apresentar gradualmente. Isso se expressa muito positivamente na Iniciativa MAP como ferramenta fundamental para consolidar verdadeiramente nossa integração”, enfatizou. Peruanos que vêm ao Brasil e brasileiros que vão à fronteira peruana tem na Pizzaria Peregrino sua referência preferida para almoçar em Iñapari. Seu proprietário, Epivani Sech Peregrino, esclareceu: “Depois que a estrada e a ponte foram inaugurados, passamos a atender muitos clientes que vêm não apenas de Rio Branco, mas de todo o Brasil, para conhecer o Peru, mais destacadamente Cuzco. Antes recebíamos cinco ou seis por semana, agora são pelo menos 40. Isso melhorou o movimento no restaurante, como também para outros serviços, como o dos táxis de lotação”. Polícia na fronteira O posto da Polícia Federal em Assis Brasil ainda não faz o serviço de imigração, apenas a fiscalização de cargas, produtos e pessoas, mas está prevista para o dia 15 deste mês a inauguração de um posto avançado com porte de delegacia para que possa realizar todo o trabalho de atendimento na fronteira. “Desde a abertura da estrada e, principalmente, da ponte, o movimento de brasileiros e estrangeiros que cruzam a fronteira tornou-se muito intenso, por isso a pressa em melhorarmos nossos serviços e ampliar o efetivo naquele ponto de passagem”, esclareceu Plínio Boson, assessor de imprensa da Superintendência da Polícia Federal no Acre. |
|
| COTIDIANO |
| COLUNAS |
| EDITORIAL |
| ENTREVISTA |
| ESPECIAL |
| POLÍTICA |
| OPINIÃO |
| VIA PÚBLICA |
| VARIEDADES |
| EDIÇÕES |
| EXPEDIENTE |
| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
| |