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Dia dos pais solidário Idosos do Lar dos Vicentinos contam com a solidariedade de estranhos para vivenciar o Dia dos Pais com mais alegria |
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Um olhar acolhedor, uma mão que se ergue, um sorriso compartilhado. No Lar dos Vicentinos, o exercício da solidariedade é a palavra de maior importância. São 40 homens e cinco mulheres. Deles, apenas dez recebem visitas de familiares, mas são os desconhecidos que levam mais alegria ao lugar, quando o visitam. No Dia dos Pais, domingo, eles contam com essa atitude para tornar a data menos dolorosa e nostálgica. Os corredores da instituição levam ao encontro de pessoas que vivem diariamente o sentido da palavra abandono e buscam ali abrigo e carinho entre eles próprios, mas também encaram as despedidas e novidades. Na manhã de ontem, uma moradora do lugar deixou de viver, e enquanto seu corpo era preparado para ser enterrado, um homem chegou ao Lar. Assim tem sido a vivência no espaço, que recebe e se despede de vidas com histórias de persistência, luta, solidão. Os moradores da instituição recebem várias vezes ao mês visitas de pessoas solidárias, a maioria, segundo a secretária Clícia Dutra, de “pessoas das igrejas”. Em datas como Dia das Mães, Páscoa e Dia dos Pais, o número de visitantes tende a aumentar. E é essa esperança que faz a espera para os tais dias ser menos incômodo. Quando eles chegam, cada visita é recebida com sorrisos tímidos, alguns são mais arredios e preferem ficar quietos, enquanto outros preferem ser falantes e extrovertidos. É a certeza de uma visita quem como motivos ver e conversar com cada interno, já que alguns sofrem com o interesse de parentes que só vão no lugar em busca da aposentadoria. Esses que conseguiram o benefício contribuem com a manutenção da casa com 70% do salário, os 30% gastam de maneiras diferentes, tem até quem usa para todos as tardes comprar picolé. Um abrigo - Falante, de sorriso fácil, Fausto Pessoa, 72, está no grupo dos idosos agitados da instituição. Nasceu em Fortaleza (CE) e há 50 anos mora no Acre. Sem filhos e separado, encontrou no Lar dos Vicentinos o abrigo de que precisava. “Não tenho filho, e só sinto saudade do que tive, por isso o Dia dos Pais não é tão importante para mim, mas recebo os visitantes, gosto quando eles vêm aqui”, diz. Aos 55, Carlos Costa, amazonense que mora há 20 anos no Acre, teve de buscar abrigo no Lar devido ao derrame que teve e o deixou impossibilitado de continuar com a vida solitária que levava. Ele também é um dos que gosta de agitação com novas pessoas na casa. Novidade - No mesmo dia que uma vida deixa do Lar, outra chega para integrar. Ontem, uma mulher morreu e Francisco José, 62, abandonado pelos filhos e a mulher, chegou ao lugar. Maranhense, ele morava em Rondônia, mas diz que gosta mais do Acre. Não tem idéia do que sentirá no Dia dos Pais, data em que sempre teve perto da família. Uma coisa ele diz que é certa: sabe que sentirá saudade, mas acredita sua família é onde estiver morando. “Os filhos me abandonaram, então minha família são as pessoas onde moro agora”, comenta. Necessidades - Mesmo com o orçamento do lugar, o Lar dos Vicentinos é onde toda ajuda é necessária, pois são as doações que ajudam a manter a casa. Alimentação Clícia garante que tem o suficiente, mas fraldas geriátricas são bastante usadas e material de limpeza também é carência. Falando em saudade, Joaquim Domingos, 84, não tem contato com a família desde 1982. Ele nasceu em Natal (RN) e mora no Acre há 37 anos. Diz que a cada visita de estranhos fica feliz com o contato das pessoas, o carinho que recebe, e são elas que ajudam a construir novas páginas na história de vida de cada um deles. “Eles talvez não sabem o quanto é importante quando visitam aqui, mas são muito”, comenta. Nesse Dia dos Pais, e em todos os outros dias, quem quiser ajudar ou visitar, o Lar está de portas abertas. |
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