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Amigos pedem justiça no enterro de Francisco Dantas

Emoção no último adeus ao coordenador estadual do DST/Aids

Regiclay Saady
Momento de maior emoção aconteceu quando o corpo de Francisco Dantas foi levado para o cemitério


Val Sales

Centenas de pessoas estiveram ontem de manhã na Capela São João Batista, durante o velório do coordenador Estadual do DST/Aids, Francisco Dantas, cujo corpo foi encontrado na última quarta-feira boiando nas águas do igarapé Monte Bom, na estrada do Quixadá. Dantas havia desaparecido na noite de sábado, 4, depois de participar da campanha de prevenção de DSTs no Parque de Exposições Marechal Castelo Branco, onde foi visto pela última vez.

Durante o velório, diversas autoridades do Estado e município estiveram no local para se despedir do amigo e consolar a família, que espera a elucidação do caso e a prisão dos culpados. O enterro, que ocorreu no cemitério Morada da Paz, também foi acompanhado de dezenas de carros particulares e oficiais.

Enquanto isso, a polícia continua as buscas para prender o assassino ou assassinos do coordenador, sendo que, apesar das especulações sobre assalto, seqüestro ou crime passional, o IML não encontrou no corpo perfurações de balas ou faca, podendo Dantas ter sido morto por estrangulamento.

O presidente da Associação dos Homossexuais do Acre (AHAC), Germano Marino, enviou nota à imprensa repudiando o ato cometido contra o coordenador e pedindo o empenho das autoridades para a elucidação do caso. Segundo ele, Dantas, foi um árduo defensor das classes menos favorecidas e vítimas da discriminação e do preconceito, como é o caso dos gays e lésbicas.

A nota, intitulada “Queremos Justiça”, tem o seguinte texto: “A Secretaria de Comunicação da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgeneros -ABGLT, O Núcleo de Combate a Homofobia da Universidade do Acre - Nudicho e a Associação Homossexuais do Acre - AHAC estão cobrando a apuração rigorosa sobre as causas do assassinato do militante em Direitos Humanos, o acreano Francisco Dantas. Chico Dantas, como era conhecido, foi coordenador do Programa de Aids do Acre, fundador da Ong que cuida de pessoas vivendo com HIV em Rio Branco e ativista do movimento GLBT. A AHAC espera que a segurança pública não trate o caso como sendo comum e que os assassinos não fiquem soltos”.

“Polícia trabalha com várias hipóteses”, diz Denise Pinho

A diretora-geral da Polícia Civil, Denise Pinho de Assis Pereira, explicou ontem que a instituição ainda trabalha com várias vertentes de investigação no caso, e que nenhuma hipótese até o momento está inteiramente descartada. “Com exceção de assalto, que é uma das mais remotas, já que ele foi encontrado com o relógio de pulso e seu carro foi abandonado em uma rua de Rio Branco”, lembrou.

Ela não confirmou se até a manhã de ontem haviam sido feitas prisões de suspeitos no caso, ressaltando que um jovem preso durante as buscas da polícia era um fugitivo de Porto Velho, não tendo esse ligação comprovada com o crime. A polícia ainda aguarda do IML o resultado de exame químico que vai comprovar se a vítima foi envenenada ou drogada antes de ser morta. Uma das dificuldades para a eficácia do teste é o fato de o corpo ter sido encontrado já em avançado estado de decomposição.

Dantas tinha trabalho voltado aos menos favorecidos

“O Dantas atuava nessa área crítica há muito tempo. Uma área que lida com pessoas que na maioria das vezes não têm a menor possibilidade de acesso aos serviços usuais de saúde e às estratégias de atendimento aos portadores de HIV”, ressaltou o secretário de Estado de Saúde, Osvaldo Leal. Para o gestor, o coordenador sempre buscou muito mais o benefício das populações sob risco permanente não só de contrair uma doença, mas de ser vítima da própria violência, como os profissionais do sexo e dependentes químicos.

“É muito difícil trabalhar com essas populações que precisam de muito amor, carinho e dedicação. O Dantas é uma perda enorme para a secretaria, mas é uma perda maior para as pessoas que recebiam esse serviço. Estamos sentindo a perda e estamos chocados com essa violência sem tamanho.”

Francisco Dantas era natural de Xapuri. Participou ativamente do Fórum de ONG/Aids do Acre. Foi um dos fundadores da primeira organização não-governamental voltada para pessoas que vivem com HIV/Aids no Estado, a AGA & VIDA e da Articulação Nacional de Luta contra a Aids. Sincero, carinhoso, divertido e acima de tudo humano, Dantas também deixa muitos amigos no órgão onde trabalhava, no prédio do Departamento das Ações Básicas de Saúde (DABS).

 
 
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Rio Branco-AC, 10 de agosto de 2007
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