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Persistentes e empreendedores Jovens desafiam a “lógica do fracasso”, faturam alto e geram trabalho com pequenos negócios |
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Uma geração de jovens empreendedores desponta com projetos desafiadores em Rio Branco. O dono da Sorveteria Ki-Legal, Francisco Carlos Martins da Rocha tem 28 anos e em 2002 recebeu o prêmio Qualidade e Competividade, na c\ategoria agronegócios, concedido por uma parceria entre Sebrae, governo do Acre e organizações ligadas ao comércio e à indústria. Hoje, os ventos seguem soprando a favor da prosperidade e Rocha e a família querem instalar, até o final de 2005, uma indústria de polpas de frutas para vender exclusivamente para outros Estados. O empresário está negociando uma área de terras no município de Rio Branco onde será instalada a fábrica. A Ki-Legal vem se destacando basicamente pela qualidade de seus produtos e pelo compasso que imprime nos investimentos: “todo o faturamento é reinvestido aqui”, conta Rocha, que não lamenta que no ápice da juventude não tenha tempo para divertir-se. “Cervejinha no final de semana? Nem pensar”. Com essa motivação, a Ki-Legal não pára de crescer e atualmente emprega diretamente 15 pessoas e mantém 30 carrinhos de picolé e sorvete e revendas espalhadas pela cidade diariamente, que rendem entre R$ 40 e R$ 80 – sendo este o faturamento médio dos dez carrinhos maiores. Os sorveteiros ganham comissão de 40%. Alguns – os mais obstinados –chegam a faturar até R$ 1,2 mil por mês. Diariamente são produzidos cerca de 7 mil picolés e 600 litros de sorvete. A produção de polpa de fruta já é de 1,5 mil quilos mensais. São beneficiadas frutas diversas, mas por fatores culturais apenas açaí e cupuaçu encontram melhor comercialização no Acre. Rocha começou no ramo há sete anos, depois que a família aproveitou a boa fase econômica para vender dois táxis que faziam o sustento da casa. A KI-Legal já existia e eles receberam do dono, o amigo Lauro, a proposta para tocarem o negócio em arrendamento. Um mês depois, a família negociou as placas dos táxis e comprou a KI-Legal, transformando uma pequena sorveteria em uma marca respeitada, geradora de emprego e trabalho para dezenas de pessoas. De lixão a horta orgânica: jovem vence desânimo da burocracia e faz área degradada produzir no Tucumã Outro jovem de espírito marcadamente empreendedor é Geovani Medeiros Brandão, de 26 anos, que recebeu, há dez anos, o direito de cultivar hortaliças em uma área altamente degradada do conjunto Tucumã. Era o projeto Plante Uma Vida, idealizada pelo então prefeito Jorge Viana, cujo objetivo era exatamente recuperar áreas degradadas na capital. Uma década depois, Brandão, que é mais conhecido como Netinho, já tem investido R$ 50 mil na instalação de dez estufas e vários canteiros nos quais produz mensalmente dez mil pés de alface, dez mil maços de cheiro -verde e outros cinco mil de couve. O negócio sustenta, além de Netinho e a família, dez funcionários ganhando não menos que um salário mínimo por mês – e dois foram contratados ontem para acompanhar a expansão da horta. “Nossa produção é orgânica e muitos pesquisadores já vieram aqui estudar sobre o nossa trabalho, que conseguimos fazer uma área degradada produzir alimento”, comemora Netinho, que já ocupa dois mil metros quadrados de terra pública com a horta. A burocracia bancária tentou desanimar o empresário, mas ele fez da dificuldade um desafio de vida: “fui no Basa buscar apoio e eles me disseram para tirar isso da cabeça, que horta e granja não vai pra frente na região norte”, contou Netinho. “Todos os investimentos foram feitos com recursos próprios, mas ele ainda precisa do apoio governamental e bancário para seguir os projetos. Há pouco tempo, fechou contrato com a Ufac para fornecimento de cerca de 100 maços de hortaliças para o restaurante. Além de compradora, a Ufac encaminha alunos para avaliar as técnicas utilizadas por Netinho, que evita a aplicação de defensivos químicos. “Provei que o banco estava errado, mas quero poder continuar produzindo e gerando mais trabalho”, diz, pedindo mais apoio oficial ao negócio. Supermercados esquentam venda de sorvete e acreano consome mais alface A venda de picolés e sorvetes cresceu entre 20% e 25% este ano em relação a 2003, estima Francisco Carlos, da Sorveteria Ki-Legal, que concorre diretamente com grandes marcas, como a Kibon. O aquecimento ocorreu principalmente nos pontos localizados em supermercados, onde a concorrência é ainda mais acirrada –daí o grande fator de comemoração da acreana Ki-Legal. “O aquecimento aumentou em abril”, disse Rocha, imputando à melhoria da situação econômica do país o salto nesse comércio. Em outra situação, o consumo de alface cresceu muito em Rio Branco neste último ano. Os horticultores enfrentam muitas dificuldades para produzir a hortaliça, que precisa de sol e água na medida certa e requer investimentos altos em estufas plásticas, mas seguem ampliando a plantação. “Nos pólos da prefeitura, o cultivo de alface e cheiro-verde responde por 80% do faturamento dos horticultores. No ano que vem, a área plantada deve crescer em pelo menos 20%”, disse um técnico agrícola. O advento das hortas hidropônicas, ocorrido há cerca de quatro anos, atendeu à demanda e promoveu o crescimento do consumo. Há duas grandes hortas hidropônicas em Rio Branco, uma no conjunto Xavier Maia e outra na Estrada do Amapá. |
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