COTIDIANO

Em busca de gênios e superdotados

Educadoras vão ao interior à procura dos acreanos que se destacam pela inteligência e alta habilidade

Agência de Notícias do Acre
Grupo de 11 jovens alunos, acompanhados pelo NAAH/S, está participando de um curso de pequenos objetos de madeira, promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai)


Edmilson Ferreira

Elas integram um grupo muito especial do sistema educacional do Acre e vivem à caça de crianças e adolescentes que apresentam sinais de inteligência diferenciada. As educadoras que integram o Núcleo de Atividades e Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S) podem ser de fato assim chamadas caçadoras de gênios. Elas trabalham com pessoas interessantes como Alice, de 11 anos e que domina o inglês desde pequena, ou Rafael Correia, adolescente que construiu um foguete e o fez voar alto, e Bruno, que tem grandes habilidades para projetar máquinas. São jovens que possuem inteligência acima da média e precisam de acompanhamento especial. Para isso, o governo do Estado instituiu o NAAH/S, que conta atualmente com onze profissionais.

O núcleo começou a funcionar no início de 2007 e está localizado no bairro do Bosque, em Rio Branco. Trata-se de um espaço dedicado exclusivamente ao atendimento e acompanhamento desses talentos. De acordo com a psicóloga Vera Alice Pereira, coordenadora da Unidade da Família do NAAH/S, o ano de 2008 começa marcado pelo processo de interiorização das atividades do núcleo. Primeiramente, a busca pelos superdotados ocorrerá nos municípios próximos de Rio Branco.

A SEE estabeleceu como meta a identificação e acompanhamento de 60 superdotados em um ano. No fim de dezembro passado, no entanto, já eram 100 o número de crianças e adolescentes atendidos. “O objetivo do Estado é identificar jovens com potencial diferenciado, acompanhando-os em sua formação”, explicou Vera.

As educadoras percorrem as escolas da capital promovendo o conhecimentos sobre altas habilidades visando ajudar os professores na identificação e orientação de alunos superdotados.

As crianças atendidas se destacam em áreas como artes plásticas, matemática, português, história, teatro, inglês e são também inventoras - vivem criando objetos, máquinas.

Em entrevista ao informativo “Nossa Escrita”, da SEE, coordenadora do NAAH/S, Brenda Nádyla, diz que dar atenção a essas crianças é fundamental porque há casos em que são incompreendidas pela inteligência elevada. A incompreensão pode gerar preconceito e prejudicar o desenvolvimento educacional e social. “Essa iniciativa é um avanço para a educação do Acre”, disse a coordenadora ao “Nossa Escrita”.

O superdotado - A definição técnica para superdotados: indivíduos dotados de habilidades relevantes em níveis significativamente acima daqueles das pessoas em geral.

Os termos “gênio” e “superdotado” não correspondem à mesma coisa, embora possa haver uma correlação entre os dois fenômenos.

Talentos ganham curso e qualificação

Por meio de uma parceria que envolve o governo do Estado e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), 11 dos superdotados acompanhados pelo NAAH/S estão participando de um curso de pequenos objetos de madeira no Distrito Industrial de Rio Branco.

“Estou gostando muito porque ajuda na nossa profissionalização”, disse Onassis Souza, jovem criador de grafites identificado pelo NAAH/S na escola Alcimar Nunes Leitão. O curso começou segunda-feira, 7, e termina no fim deste mês.

O líder e o criador de games

As habilidades encontradas pelo NAAH/S são variadas. Aos 16 anos, Jeffrey Caetano se destaca pela busca de soluções aos problemas que afligem seus grupos - a família, o bairro, a escola.

Estudante do primeiro ano do ensino médio, Jeffrey luta atualmente para implantar uma biblioteca comunitária em seu bairro, o Mocinha Magalhães. “Estou desenvolvendo projetos que atendam aos jovens em situação de risco”, diz.

Em outro lado se destaca Paulo Sérgio da Silva Lima, 17, estudante do terceiro ano do ensino médio na escola Lourival Sombra, no bairro do Tangará. Até o fim do ano passado, Paulo Sérgio era mantido sob contrato de estagiário em um supermercado da cidade. Com o salário, ajudava a mãe, trabalhadora autônoma.

O jovem faz o curso de pequenos objetos de madeira no Senai e, utilizando seu talento para o desenho, quer criar jogos. “Vou continuar estudando para ser um criador de games”, diz. (Agência de Notícias do Acre)

 

 
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Rio Branco-AC, 11 de janeiro de 2008
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