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| José Dirceu * |
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A saída, mais uma vez, é crescer Começamos o ano com boas notícias. Basta passar o olho pelas manchetes dos jornais ou acompanhar o noticiário no rádio e na tevê. Não há como esconder a excelente situação da economia. O país sobe no ranking mundial de otimismo, ocupando a 11ª posição entre 34 países, com índice de 70%. Os fundos de investimentos captaram R$ 44,7 bilhões em 2007 e já têm um patrimônio de R$ 1,106 trilhão, sinal de maturidade de nossa economia e de um ciclo onde os investimentos dão a dinâmica do crescimento sustentado. Com a expansão da produção industrial em 6% em 2007, segundo o IBGE, os investimentos na área de bens de capital cresceram 19,5% até novembro, a venda de máquinas agrícolas 49,1% e a produção na indústria automobilística 15,1%, o melhor ano da história das montadoras no Brasil. Para completar o cenário, uma inflação baixa de 4,39% no índice IPCA, juros em queda e crescimento estimado em 5,2% em 2007 e mais de 4,5% em 2008. Ou seja, temos tudo para continuar criando empregos, 2 milhões em 2007, e distribuindo renda. Apesar de seu conservadorismo, o próprio BC reconhece que a desaceleração da maior economia do mundo, tudo indica, não atingiu e não atingirá o Brasil, que tem autonomia alimentar e energética, reservas e contas públicas em razoável situação de equilíbrio. A questão, então, é como enfrentar o desafio de manter o crescimento, frente à perda de R$ 40 bilhões do Orçamento Geral da União, com o fim da CPMF, sem se deixar levar pelos caminhos fáceis da ortodoxia dos cortes de gastos públicos ou de uma política fiscal irresponsável. Nada mais pernicioso para o país que um corte linear no orçamento, principalmente nos investimentos. E nada mais arriscado que enviar uma mensagem de pânico ao mercado, como se o governo e o país não tivessem instrumentos para administrar esse brutal corte no orçamento. Acredito que a saída é uma só – crescer. Só o crescimento aumenta as reservas, a arrecadação, inclusive da Previdência Social, o emprego e viabiliza a continuidade da diminuição do déficit nominal e da relação dívida PIB, com a manutenção de reservas cambiais. Mas, para que isso seja fato, é preciso manter os investimentos e dar continuidade à reforma tributária e à queda dos juros, até para evitar uma aceleração da valorização do real e suas conseqüências na política comercial do país, já bastante afetada pelo fortalecimento da nossa moeda. O que interessa é manter a taxa de crescimento do investimento acima do índice de expansão do PIB. O governo tem instrumentos para tanto, não só por meio dos recursos do PAC, como os do PPI que não contam para o superávit primário. E já marcou ponto importante ao aumentar em R$ 12,5 bilhões o capital do BNDES, o que permitirá sustentar um nível crescente de financiamento dos investimentos em 2008. Mas é preciso que o BC corte a taxa Selic e mantenha a economia numa perspectiva de crescimento, já que os investimentos vêm se ampliando de forma satisfatória, afastando, assim, qualquer risco de inflação de demanda. Entre as medidas para não só manter como acelerar o crescimento, é hora de o país desonerar fortemente os bens manufaturados de exportação e criar zonas especiais para estimular não só as vendas no exterior como o acesso a tecnologia, a criação de empregos e o aumento da produtividade geral de nossa economia. Mas a criação dessas zonas especiais tem de ser articulada com políticas industriais que contemplem a vocação regional e articulem toda a cadeia produtiva para que não se transformem, a exemplo de vários exemplos que temos no país, em zonas de importação privilegiada de insumos estrangeiros e de maquiagem de produtos “made in Brazil”. Com foco e determinação na implementação de medidas como essas, podemos esperar um 2008 melhor que o ano que se encerrou, consolidando um ciclo não só de crescimento, mas de desenvolvimento econômico e social do nosso Brasil. * Ex-ministro da Casa Civil do governo Lula (artigo publicado no Jornal do Brasil, em 10 de janeiro de 2007) |
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