| COTIDIANO | |
| Trabalhador é usado como laranja em golpes Quadrilha rouba nome de estivador para abrir firma no Acre e lesar empresas em todo o Brasil |
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Um dia ele descobriu que sua vida pacata de estivador, pai de cinco filhos, que sobrevive com a família morando em uma pequena casa emprestada, no bairro Base, era nada mais que uma rotina. É que nos cartórios, Robemar Nogueira, 38, figura como um grande empresário, dono da firma acreana Agropec Ltda., que golpeou dezenas de empresas de todo o país com encomendas de produtos agropecuários que nunca foram pagos. O prejuízo já ultrapassa os R$ 5 milhões e a cada dia que passa o montante vai aumentando. Como conseqüência, Nogueira hoje está com o Cadastro de Pessoa Física (CPF) cancelado, ficou sem emprego e já acumula mais de 15 metros de processos expedidos pelo Fórum Barão de Rio Branco toda vez que vai ao órgão fazer uma consulta sobre sua situação perante a Justiça. “Eu fui enganado por uma quadrilha que me ofereceu emprego, pediu meus documentos e usou tudo isso de má fé. Eles abriram uma firma em meu nome sem eu saber e hoje vivo apenas da misericórdia de Deus, esperando que a Justiça faça algo para mudar essa situação”, declarou Nogueira. A firma para qual Nogueira trabalharia era a própria Agropec Ltda. que ficava na rua Floriano Peixoto, próximo à Polícia Federal. A promessa de emprego foi feita pelo então gerente Raimundo José Pereira Barros, que lhe deu um documento para assinar afirmando que se tratava de um contrato de admissão. Com a assinatura e os documentos de Nogueira em mãos, o gerente, juntamente com os reais donos da firma, César de Castro Brasileiro Borges e Roberta Soares Brasileiro Borges - casal vindo da Bahia - abriu a firma, mas não passou a movimentação para o nome da vítima. Nogueira conta que chegou a trabalhar na firma por dois anos. Só descobriu que foi enganado pela quadrilha após fazer um curso de empreendedorismo do Sebrae, a partir de qual foi beneficiado por um empréstimo no Banco do Brasil. “Quando fui buscar o meu empréstimo o bancário disse que eu não poderia pegar, pois o meu CPF tava cancelado em razão de uma dívida muito alta, que na hora não quiseram me dizer”, completou. Nessa mesma época, os donos da firma fecharam as portas e desapareceram, segundo Nogueira. “Mas eu tenho certeza de que eles ainda moram aqui. Eles são donos de fazendas no Estado”, destacou. “O ex-gerente também mora aqui. Ele é dono de um pet shop da cidade e já declarei isso para a polícia e para o Ministério Público Federal.” “Uma cruz em minha vida” - O golpe foi aplicado no ano de 2001 e somente em 2003 Nogueira descobriu. Desde então, ele recorre à Justiça para que uma medida urgente seja tomada e ele possa retomar a sua vida. Sem trabalho, o ex-estivador conta que vem passando por situações constrangedoras desde que firma foi aberta em seu nome. “Uma vez fui buscar os benefícios do Peti a que meus filhos têm direito e a atendente perguntou se eu não tinha vergonha na cara, de ser um empresário e ficar atrás de dinheiro para pessoas carentes.” Nesse dia, Nogueira fez mais uma descoberta: por ser dono de uma firma, ele não poderia mais ser beneficiado pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti). Hoje, para sobreviver, ele está vendendo os móveis de sua casa. Já vendeu uma cômoda, um aparelho de som, e recentemente pôs um anúncio em frente a sua casa indicando a venda de um armário. “Eu to vendendo tudo para poder comer. É assim que eu vivo, com uma cruz em minha vida”. A ação da polícia - O delegado de Polícia Civil, Walter Prado, disse que esse não foi o primeiro caso de uso indevido de documentos que acontece no Estado. Ele orienta as pessoas vítimas do crime que procurem primeiramente uma delegacia e registre a ocorrência. A primeira medida adotada pela instituição, segundo ele, é instaurar um inquérito investigativo para chegar aos autores do feito. No caso de Nogueira, ele disse que a firma deve ter tido cancelamento imediato, no momento em que ele efetuou a denúncia. “Se isso ainda não aconteceu, sugiro que ele me procure pessoalmente e com certeza faremos algo urgente por esse caso”, completou. |
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