OPINIÃO
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Do Editor

 

Solidariedade já!

Antes de iniciar a leitura desta página, seria importante o leitor fixar um pouco de sua atenção na ilustração ao lado. Não se trata de montagem. É uma imagem real, verossímil, lamentavelmente comum nas grandes, pequenas e médias cidades do país como Rio Branco, a capital do Acre. O cenário é uma das esquinas da capital, não importa o horário. No espaço reservado exclusivamente ao pedestre, a prioridade são os automóveis, motos e outros veículos, cujos condutores ignoram a dolorosa caminhada do homem debilitado e refém da idade.

A propósito, é bastante oportuno o tema da Campanha da Fraternidade deste ano. A solidariedade é uma das múltiplas maneiras de demonstrar amor ao próximo. Multiplicam-se os discursos em favor das pessoas portadoras de deficiência física e mental, criam-se leis para ampará-las, mas, no momento de pôr em prática toda essa retórica, um componente essencial sai de cena: a sensibilidade, aquele sentimento segundo o qual todos os seres humanos são iguais.

Discriminar não significa, necessariamente, rir daqueles que, por alguma razão, não foram aquinhoados com a saúde perfeita - esse, por si só, já configura um ato reprovável, repugnante, condenável em todas as sociedades. Há discriminação quando o homem vê seu semelhante dois palmos abaixo do próprio queixo, quando repete frases fabricadas sobre respeito e dignidade, mas encolhe a própria mão ao infeliz, que o vê como se fosse um semideus.

Nem a mais alta tecnologia criada pelo mundo moderno vai conseguir destronar ou fazer cair de moda o significado do verbo amar, o mais importante de todos os dicionários. Praticá-lo, pois, é um dever universal.

 

 
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Rio Branco-AC, 11 de março de 2006
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