| COTIDIANO |
| COLUNAS |
| EDITORIAL |
| ENTREVISTA |
| ESPECIAL |
| ESPORTE |
| POLÍTICA |
| OPINIÃO |
| VIA PÚBLICA |
| VARIEDADES |
| EDIÇÕES |
| EXPEDIENTE |
| POLÍTICA | |
De portas abertas para o Oriente Representantes do governo chinês vêm ao Acre em busca de parcerias e negócios |
|
O embaixador da República Popular da China no Brasil, Jiang Yuande, está no Acre desde a manhã de ontem liderando uma missão de seu governo e de empresários interessados em manter cooperação econômica e negócios no Estado, especialmente na área madeireira. A China é um dos países que mais consomem madeira no mundo, principalmente o bambu (chrysalidocarpus luytescens), palmeira exótica originária da Ilha de Bouboni e utilizada tanto na dieta alimentar do país (broto) como na construção civil. A vegetação no Acre, segundo dados da Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac), é composta de autênticos mananciais de taboca (Guadua weberbaweri), um tipo conhecido como “bambu amazônico” e que atrai o interesse dos chineses na área da construção civil para a fabricação de pisos e de pequenos artefatos de madeira. “Os chineses têm uma competência peculiar na manipulação de resíduos florestal para a fabricação de pequenos objetos. Têm também tecnologia de ponta no processamento de bambu para a construção de pisos”, afirmou o secretário de Florestas do governo do Estado, Carlos Ovídeo Rezende. A missão chinesa foi recebida ontem, no Palácio Rio Branco, pelo governador em exercício Arnobio Marques e os secretários de Estado de Planejamento, Gilberto Siqueira, o presidente da Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac), Pedro Dotto, além de Carlos Rezende. Na visita, o embaixador chinês chamou a taboca amazônica de “bambu especial”. Ao lado do embaixador, o empresário Yang Jianzhong, presidente da Brazil Timber Group Ltd., empresa de capital chinês sediada em Belém (PA), apresentava-se como um especialista no beneficiamento do bambu, inclusive na geração de carvão vegetal destinado à indústria química. “Penso que há muitas possibilidades de negócios e estamos aqui para estudar a viabilidade disso. A China tem uma história de milhares de anos no aproveitamento do bambu, inclusive para a produção de alimento e também no desenvolvimento de tecnologias para a construção civil. Aqui há um tipo de bambu especial”, disse o embaixador ao se referir à Taboca. “Nós estamos aqui para estudar os tipos de bambu aqui existentes e sua viabilidade econômica”, disse o presidente da Brazil Timber Group. A visita do embaixador e da missão chinesa ao Acre é mais um reflexo da viagem, em maio 2004, do governador Jorge Viana à China, como integrante da comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, lembrou o vice-governador Arnóbio Marques. Em Xangai, o centro financeiro do país, Jorge Viana fez conferências para empresários chineses sobre oportunidades de negócios na Amazônia, especialmente no Acre. A palestra do governador na época foi feita para pelo menos 60 representantes dos maiores conglomerados financeiros da China, no hotel onde estava hospedada a comitiva presidencial, atendendo a uma solicitação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É que os empresários e investidores chineses demonstraram interesse em produtos brasileiros, especialmente da Amazônia. Depois disso, uma missão de empresários chineses já esteve no Acre e agora o embaixador veio para ajudar consolidar aqueles contatos. Único governador da região Norte na comitiva de Lula, Jorge Viana falou sobre o assunto sobre o qual mais tem se dedicado nos seus quase oito anos de governo: o desenvolvimento sustentável do Acre. Ao se dirigir aos chineses, o governador acreano expôs as muitas vantagens de se trabalhar com madeira certificada e mostrou o grande potencial do Acre, não só no setor madeireiro. Os empresários chineses demonstraram interesse em produzir móveis em madeira retirada da Amazônia e Jorge Viana propôs a transferência de empresas chinesas para o Acre argumentando que o Estado tem interesse em que os móveis sejam fabricados aqui e depois exportados e que tem pronta, através da Estrada do Pacífico, uma rota que aproxima a América do Sul da Ásia. “Através do Peru, pelo Oceano Pacífico, a América Latina está mais próxima da Ásia do que de qualquer outro continente”, disse o governador na época. O mesmo discurso foi reafirmado ontem pelo governador em exercício Arnóbio Marques ao embaixador chinês. “Existe uma amizade muito grande entre a China e o Brasil. Penso que a cooperação é de interesse dos dois países. É nossa intenção ter mais cooperação com o Brasil não só nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. O nosso princípio é de uma cooperação com o envolvimento de empresas que possibilitem ganhos mútuos, com ganhadores dos dois lados. São esses princípios que a China trabalha no Brasil e em outros países com os quais mantemos cooperação”, disse o embaixador. “A visita do embaixador e desta missão é reflexo das viagens do governador Jorge Viana à China. Isso mostra que ele não foi lá a passeio e que isso vem se refletindo no estreitamento das relações do Acre com esse grande país”, acrescentou Arnóbio Marques. A China e seus números astronômicos: US$ 280 bilhões para investir no Brasil Caso dêem certo os negócios entre o Acre e os chineses, os acreanos passarão a ser inseridos num mercado de números astronômicos. Um exemplo: o embaixador Jiang Yuande revelou que a China tem reservas de US$ 5 trilhões para adquirir produtos de outros países até o ano de 2010 e que o Brasil vem se firmando como um dos grandes parceiros comerciais daquele país. “A China já é o terceiro parceiro comercial do Brasil.” A balança comercial entre Brasil e China fechou o ano de 2005 em US$ 12,1 bilhões, entre exportações (US$ 6,8 bilhões) e importações (5,3 bilhões) e o crescimento das vendas de produtos nacionais para os chineses foi de 25,62% em relação a 2004, segundo dados da Câmara Brasil-China de Desenvolvimento da Secretaria de Comércio Exterior - órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. “Em relação a números na China, tudo é de fato muito grandioso”, admirou-se o governador Arnobio Marques. E não é para menos: daqueles trilhões anunciados pelo embaixador, a China dispõe de nada menos que US$ 280 bilhões de reservas em divisas para investir no Brasil pelos próximos anos. Situada no leste do continente asiático, com uma extensão próxima a 9,5 milhões de quilômetros quadrados, a República Popular da China é a décima potência comercial do mundo. Já soma mais de 1,2 bilhão de habitantes e registra PIB (Produto Interno Bruto) da ordem de US$ 1 trilhão (dados de 1999). Dados do Centro de Pesquisas de Desenvolvimento e do Instituto de Economia da China revelam que, nos próximos 20 anos, o país manterá crescimento anual de 7,3% e como resultado disso precisará buscar novas fontes de suprimentos e aumentar as importações de alimentos para complementar a produção doméstica. |
|
| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
| |