COTIDIANO

Santo de casa faz milagre?

Frei Galvão, o primeiro santo nacional, será canonizado em maio. Em Rio Branco, poucos fiéis conhecem sua santidade


Aparecida curou o marido
com as pílulas do frei Galvão


Andréa Zílio

Prestes a ser canonizado no país como o primeiro santo legitimamente brasileiro, frei Galvão ainda não se tornou figura popular na capital acreana. Nas igrejas e nas comunidades católicas de diversos bairros os fiéis já ouviram falar a seu respeito na televisão, mas são poucas pessoas, na verdade, raríssimas exceções, que o adotaram como santo protetor.

É de causar surpresa o fato de os fiéis acreanos ainda tratarem o nome de frei Galvão de forma tímida, devido à importância que a mídia nacional e a igreja católica têm dado ao caso, com toda razão já que se trata de um santo brasileiro. Mas há que garanta que isso é só questão de tempo, e logo ele será mais um santo bastante procurado nas orações, preces e nos produtos religiosos.

Entre várias mulheres que costumam visitar a Paróquia Santa Inês, Tereza de Sá, de 61 anos, confessa ser a única que tenha conhecimento ali, que já adotou frei Galvão entre seus santos protetores. Diz que ficou sabendo na televisão e acompanha o processo de canonização do frei.

Diferente da coordenadora da Comunidade do Imaculado Coração de Maria, Claudia Dourado, 33, que também conhece a história de frei Galvão somente pelas reportagens na televisão, a empresária Aparecida Baião, 41, que possui uma loja de produtos religiosos, diz que já foi agraciada pelos milagres do padre, e já esteve em seu mosteiro, em São Paulo. Mas em sua loja nenhum produto carrega o nome de padre que será canonizado na visita do papa Bento XVI ao Brasil. Aparecida garante que antes não encontrava, mas agora fará pedidos para sua loja e com toda certeza o nome dele estará incluído.

A cerimônia solene de canonização de frei Galvão acontecerá no dia 11 de maio, no aeroporto de Campo de Marte, em São Paulo, durante a missa campal celebrada pelo papa Bento XVI.

Nasce um santo - Nascido em Guaratinguetá, em 1739, de uma família de muitas posses, frei Galvão descendia dos primeiros povoadores da Capitania e corria em suas veias sangue de bandeirantes. Renunciou a uma brilhante situação no mundo e ingressou na Ordem Franciscana.

Em 1774, fundou, juntamente com madre Helena Maria do Espírito, o Recolhimento de Nossa Senhora da Luz, na capital paulista. Formou e conduziu espiritualmente as religiosas desse mosteiro, e também o edificou materialmente, ao longo de  48 anos de esforços contínuos.
Foi o arquiteto, o engenheiro, o mestre de obras e muitas vezes o operário da sua edificação, que somente se tornou possível porque ele incansavelmente pedia, ao povo, esmolas para a magnífica construção. Sacerdote procurado e estimado por todos, era chamado “Homem da Paz e da Caridade”. Decidiu tornar-se padre em 1822. Foi beatificado em 1998.

O milagre das pílulas - Até hoje a sepultura do frade franciscano, na capela do mosteiro, é visitada por multidões que vão lhe pedir graças e milagres, e também à procura das famosas e prodigiosas “pílulas de Frei Galvão”, que são papéis com uma frase em latim de devoção à Virgem Maria.

Foram os pequenos bilhetinhos que teriam curado Daniela Cristina da Silva, cuja recuperação, após 26 dias em coma por encefalopatia hepática, foi responsável pela beatificação do frei Galvão em 1998.

Nove meses de orações e novenas e mais a ingestão de suas pílulas teriam dado a Sandra Grossi de Almeida e ao filho Enzo o “milagre duplo” em 1999, com a superação de uma gravidez de alto risco e a cura de uma doença grave do recém-nascido. Foi este o segundo milagre atribuído ao franciscano, que fez dele o primeiro santo nascido em terras brasileiras.

Milagre no Acre – Há quase dez anos Aparecida Baião sofreu a angústia de ver o marido em uma cama de UTI, devido a um acidente de automóvel. Católica de muita fé, ela recorreu aos santos na busca por ajuda. Em são Paulo, foi conhecer o mosteiro de frei Galvão, onde conseguiu as suas famosas pílulas, e deu ao marido. Depois de curado, ela confessa que hoje suas preces são voltadas mais para outros santos, mas jamais esquece o momento que viveu.

Em sua pequena loja conta que algumas poucas pessoas procuram por objetos ligados à história e vida de frei Galvão, não solicitava produtos dele, porque eles praticamente não existiam. Hoje, com a canonização, acredita que tudo mudará, inclusive, suas preces, que serão retomadas ao padre. “Na época pedi ajuda para vários santos acredito que frei Galvão foi um dos que nos ajudou. Acho que logo ele se tornará tão popular quanto os outros”, comenta.

Informações sobre história de vida de frei Galvão no site: www.santosdobrasil.org

 

 
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