COTIDIANO

Energia infinita

Inventores acreanos criam máquinas que, uma vez impulsionadas, produziriam energia sem gastar combustível

Juracy Xangai
Motor pode produzir energia
por tempo indeterminado


Juracy Xangai

Voar e transformar chumbo em ouro sempre foram os grandes sonhos do homem desde o princípio do princípio das eras. Mas desde que aconteceu a explosão industrial, na primeira metade de 1800, o surgimento das máquinas trouxe aos inventores o sonho de levar o homem a sonhar com uma fonte de energia limpa, segura e que nunca se esgotasse: o moto-contínuo.

Coube ao brasileiro Santos Dumont a honra de realizar o sonho de voar, mas transformar chumbo em ouro ainda continua um mistério a ser desvendado. Mas caberia a dois acreanos a primazia de ter inventado em fundo de quintal o moto-contínuo que a ciência e a alta tecnologia modernas foram incapazes de conseguir?

Do alto de seus 84 anos e nove filhos, o empresário Pedro Gadelha e o técnico em refrigeração Jason Pereira de Souza, 63 anos, pai de dois filhos, ambos amigos e vizinhos na rua da Cadeia Velha, garantem construíram cada um sua máquina que serão ativadas ainda neste ano gerando continuamente energia sem gastar qualquer tipo de combustível após receberem o impulso inicial. Enfim, garantem ter criado o moto-contínuo.

Jason esclarece que, embora nunca tenha estudado eletrônica e outras ciências, aprendeu sozinho a arte de reparar geladeiras, aparelhos de ar-condicionado e outros sistemas que acabaram fazendo dele, por um tempo, instrutor de refrigeração do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) do Acre.

“Quero colocar este gerador de energia para funcionar até o meio deste ano para ele baratear os custos de minha fábrica de gelo”, esclarece ele , em termos econômicos, o objetivo pelo qual desenvolveu sua máquina.

A invenção é composta, fundamentalmente, por uma roda d’água metálica com 4,80 metros de diâmetro diretamente ligada por um eixo a um volante metálico de 3,20 metros de diâmetro que equilibra o giro do sistema movido por uma queda d’água artificial. A água fica reservada em duas cisternas, de onde é sugada por um sistema de vácuo para um depósito com capacidade para mil litros fixado a seis metros de altura, de onde desce com pressão fazendo girar a grande roda. Roda que impulsiona um dínamo capaz de gerar até 140 Kwa de energia, quantia mais suficiente para alimentar a fábrica de gelo, a casa e os equipamentos da oficina de refrigeração de Jason.

“Vou ter energia de sobra! Muita gente já tentou inventar esta maquina do moto-contínuo, mas seguiu pelo caminho errado. O segredo está em usar o vácuo como força que suga a água para o reservatório e de lá ela desce para a roda fazendo o sistema girar e produzir energia sem barulho, sem poluição, gastando apenas um litro de graxa por ano !”, garante Jason.

Na madeira

Conhecido tradicionalmente como um dos primeiros empresários do setor madeireiro do Acre, Pedro Gadelha debate suas idéias e projetos científicos com o amigo Jason. Apaesar disso, tomou para si caminho diferente para chegar ao objetivo comum que é de criar o moto-contínuo.

Para isso construiu um sistema de rodas d’água em madeira matemáticamente balanceadas e que suportam volume de 900 litros de água em cada caçamba utilizando uma caixa d’água com capacidade para mil litros, suspensa a seis metros do chão, para alimentar o sistema.

“Coloco esta máquina para funcionar ainda neste ano e vou gerar mais de 200Kwas de energia elétrica, quantia suficiente para rodar a oficina mais marcenaria e o funcionamento de tudo em casa, sem qualquer custo fora a manutenção dos desgastes naturais do uso da máquina!” Garante Pedro.

Seringueiro até os 15 anos de idade, esclarece que , embora só tenha estudado até a terceira série do ensino fundamental, sempre teve facilidade para aprender coisas novas e desenvolver sistemas complexos, assim foi um dos primeiros carpinteiros e marceneiros do Acre, sozinho descobriu os segredos da tornearia, fundição e usinagem de peças que hoje produz para sua tão sonhada máquina.

“A idéia surgiu há muitos anos, tanto que há 40 anos convidei o Luiz Guilherme da Eletroacre para construir uma hidrelétrica no rio Acre, mas ele respondeu que o rio oscilava muito entre o inverno e verão, também não havia condição para construir uma grande represa. Eu disse pra ele que não precisava, mas não entendeu que minha proposta era usar o fluxo corrente normal das água”.

Quanto à sua invenção, ele esclarece: “É uma inspiração divina que a gente recebe como forma de contribuir para o desenvolvimento da humanidade. Quando converso com as pessoas tiro a substância das palavras, assim aprendo mais. Gerando energia continuamente, esta máquina vai beneficiar muita gente, afinal de contas, não é bom ir buscar petróleo a não sei quantos metros dentro do chão, para depois queimar e poluir o mundo!”

 

 
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