| PÁGINA DO EMPREENDEDOR | |
| Essas mulheres maravilhosas! 22 acreanas disputaram o prêmio Mulher Empreendedora; todas mereciam, mas só dava para escolher duas histórias de vida |
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Noélia e Raimunda. Duas mulheres, que como outras tantas lutadoras, além de cuidar da família ainda encontram tempo e força para correr riscos, vencer no mundo dos negócios. É a essas mulheres com suas jornadas duplas e triplas, muitas vezes mal compreendidas, que o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-AC) presta sua homenagem. Noélia, uma bem sucedida empresária, proprietária de uma das mais sofisticadas lojas da Capital no ramo dos calçados e acessórios em couro. Raimunda, dona de casa que não tem salário nem renda fixa, mas dedica seu tempo a orientar mulheres, jovens e desempregados na realização de trabalhos manuais geradores renda que garantam uma sobrevivência digna. Duas mulheres, duas histórias de pessoas, cada uma a seu modo, nasceram e vive trabalhando para ajudar a desenvolver o Acre. Por isso mesmo, vencedoras do prêmio Mulher Empreendedora 2006.
Sucesso nos negócios Maria Noélia Daher Lima, 48 anos, é a feliz proprietária da Nietze Calçados, loja que com suas vitrines e decoração refinada é uma das mais sofisticadas da Capital. Mas para que toda essa beleza e refinamento fosse possível, houve toda uma história de trabalho cheia de altos e baixos, muitos obstáculos vencidos e outros ainda por vencer. Neta de sírios-libaneses que começaram a vida como regatões pelos rios e igarapés de Sena Madureira, Noélia “trás no sangue” o tino para os negócios iniciados ainda na adolescência vendendo perfumes. Professora, casou-se e em julho de 1980 ganhou do esposo uma perfumaria em frente ao estádio José de Melo onde trabalhou por 23 anos até ter condições para mudar-se para o prédio próprio hoje localizado entre a avenida Getúlio Vargas e a rua Don Bosco, em frente ao Bradesco do Bosque. “Quem vê esta loja onde estou a apenas três anos, não pode nem imaginar que comprei o terreno em 1990. Quando resolvi construir o prédio vendi minha casa, o carro, o dinheiro foi indo, indo e a obra não ficava pronta, então vi que precisaria pegar um empréstimo do banco para completar as despesas. Foi sacrificado, mas valeu a pena”, explica com um sorriso de satisfação. Voltando ao princípio da história, ainda na loja do estádio seu foco era a venda de perfumes das melhores marcas do mundo. “Até que um dia fui viajar pelo Rio Grande do Sul e lá conhecia a fábrica de calçados e acessórios em couro Czarina. Era tudo do melhor que havia na época, comprei 50 pares de sapato, trouxe para Rio Branco e coloquei no fundo da loja para experimentar o negócio. Foi um sucesso, não demorou para que a loja fosse tomada pelos calçados, bolsas e demais acessórios em couro”. A boa sorte de encontrar um produto bem aceito pelo mercado não livra o empreendedor de enfrentar crises geradas fatores mais surpreendentes. “Enfrentei muita dificuldade, momentos em que parecia que teria de fechar as portas, não foi fácil, principalmente, porque sempre fui muito sozinha, meu esposo faleceu logo depois do casamento, mas me deixou o filho que tornou-se a grande motivação para vencer todos os desafios”. Apesar de tudo, ela faz um desabafo: “Apesar de toda a concorrência, sempre acreditei que o sol nasceu pra todos, por isso precisamos acreditar em nós mesmas, acreditar que podemos vencer e conquistar uma vida digna. Hoje posso dizer que valeram as lagrimas, valeu a luta, valeu tudo mesmo!” Quanto à sua escolha como vencedora do prêmio Sebrae Mulher Empreendedora na categoria micro empresa, ela destacou: “Sem falsa modéstia, foi uma surpresa, até porque tivemos 22 histórias maravilhosas de mulheres que são exemplos de luta e que mereciam o prêmio. Fiquei muito satisfeita porque é um reconhecimento público do nosso trabalho. Ser vista entre tantas outras nos faz um bem muito grande pra gente”. Tudo pelo social Raimunda Silva de Assis, 48 anos, mãe de cinco filhos mora no bairro Plácido de Castro, ao lado da comunidade São João Batista onde milita no trabalho comunitário. Transformou a própria casa num misto de oficina para cursos, loja de produtos artesanais, restaurante popular onde às quatro horas da tarde de todas as quartas-feiras distribui sopa para 211 crianças e mães carentes, aposentados e desempregados. Tudo isso, sem contar que o quintal funciona como viveiro para dezenas de tipos de plantas medicinais e decorativas que vendidas às sextas-feiras na feira do Tucumã, sábado na Vila Acre e domingo na Cidade nova para financiar a continuação outras atividades na comunidade. “Sempre gostei de estimular as pessoas a trabalhar por conta própria para garantir seu sustento e assim melhor a vida. Nossas atividades comunitárias começaram com um curso de cestaria feita com jornal aqui na comunidade da igreja. Depois veio a vereadora Marinheiro que nos doou alguns tubos de cola, o que foi suficiente para que a gente pudesse fazer uma quantidade de cestos, tapetes e outros objetos para vender e as pessoas ficaram muito animadas com isso”. O relato de Raimunda põe à tona verdades cortantes: “Assim cada um vai se virando até conseguir coisa melhor, saem, outros vão chegando para continuar o trabalhando e isso serve a todos. Temos sempre muita dificuldade, agora mesmo ganhamos uma grande quantidade de jornal, mas falta cola pras pessoas trabalharem e elas não tem dinheiro para compra, então a gente pede doações. Às vezes demora um pouco, mas sempre aparece alguém para ajudar”, consola. Além da reciclagem de papel, a comunidade fabrica produtos de limpeza, higiene e embelezamento pessoal como sabão, detergente, sabonetes com ervas medicinais e perfumes naturais, fazem tapetes de retalhos, fuxico, corte e costura, aprendem a preparar alimentos alternativos, cultivar ervas medicinais e fazer chás e tinturas para tratar seus males, ainda produzem doces da temporada para comer e vender, em fim, transmitem conhecimento e se ajudam uns aos outros. Mas é o sopão preparado com a ajuda de 10 mulheres que mais atraia a atenção para a comunidade apoiada pelo programa Mesa Brasil, do Serviço Social do Comércio (Sesc) e, neste ano, apoiados pelo desembargador Arquilau Melo receberam doação de mil quilos de alimentos, mais 300 quilos de alimentos recolhidos durante o show de Zezé di Camargo e outros 400 quilos de feijão do Fome Zero já distribuídos às famílias ali atendidas. “Aqui trabalhamos e produzimos, quem quer usar ou comer usa, quem quer vender vende, as pessoas são livres porque tudo é produto do trabalho delas. Recolhemos parte do dinheiro para garantir a compra de materiais para outros trabalhos, mas as vezes o cobertor não dá pra cobrir todas as necessidades, então a gente apela pras doações”, confessa. Quem puder contribuir materialmente ou ensinando alguma atividade às pessoas pode entrar em contato com Raimunda pelos telefones 3225-4498, 9281-4330 ou ir até a comunidade. |
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E x p e d i e n t e : |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Com Leonildo Rosas |
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