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Médicos do Programa Saúde Itinerante levam atendimento a Capixaba Equipe realizou em dois dias mais mil consultas e 400 exames na comunidade |
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Os médicos, enfermeiros, biomédicos, biólogos e assistentes sociais que integram a equipe do Programa Saúde Itinerante passaram o último fim de semana no município de Capixaba. Em dois dias eles atenderam 1.232 moradores provenientes dos projetos de assentamento Alcobrás e Zaquel Machado, Seringal São Luiz do Remanso e ramais Cajazeira e Brasil Bolívia. Ao todo, 22 profissionais, sendo 16 médicos, iniciaram o atendimento às 8h30 do sábado, na Escola Infantil Maria Noélia Alves de Souza e encerraram as atividades às 17h30 do domingo, 9. O contingente do Programa Saúde Itinerante levou atendimento especializado nas áreas de ginecologia, pediatria, cardiologia, neurologia, psiquiatria e gastroenterologia. Entre os pacientes estavam homens e mulheres das diversas idades. Durante as consultas também foram realizados 491 exames nas áreas de endoscopia, ultra-sonografia, eletrocardiograma, sangue, urina e preventivo do câncer de colo do útero, além da distribuição dos medicamentos. Neste fim de semana, tendo em vista o Dia Internacional da Mulher, comemorado no sábado, 8, o defensor público Rodrigo Chaves, acompanhou a equipe e ministrou palestra para a comunidade sobre a Lei Maria da Penha. Os profissionais do Saúde Itinerante prestaram informações relacionadas ao ‘planejamento familiar, com a apresentação dos métodos anticoncepcionais que estão à disposição das mulheres, podendo elas optarem pela pílula, injeção Diu e outros. A coordenadora do programa, Celene Maia, disse que o setor leva sempre o máximo possível de recursos em estrutura para que a população tenha acesso facilitado ao atendimento. Em quase oito anos de trabalho, a equipe de profissionais já se embrenhou em lugares aonde parte dela não tinha idéia de que existia ou de que chegaria tão longe. Os médicos e técnicos vão aos lugares mais longínquos ao encontro dos pacientes. Em se tratando de fazer valer o objetivo primordial do Saúde Itinerante, a grupo vai onde o doente estiver, seja na área urbana, rural ou nos seringais distantes dias de viagens dos povoados. Uma lição de vida A coordenadora Celene Maia, que faz parte da equipe de enfermeiros, acompanha de perto o trabalho dos profissionais do Saúde Itinerante e observa emocionada a relação de amizade e de respeito que há entre médicos e pacientes. “Nesses lugares somos todos aprendizes. Ensinamos às pessoas a cuidarem de sua saúde, e elas nos ensinam da forma mais simples possível que os maiores valores da vida, aqueles que nos fazem crescer como seres humanos, não têm preço”, explicou. Segundo ela, o trabalho é feito com dedicação, e com o tempo, os profissionais vão se tornando cada vez mais sensíveis com a convivência e o trato com o sofrimento das pessoas. “Aprendemos muito com elas. Nós levamos o atendimento médico, mas trazemos muitas coisas desses municípios. Essas pessoas nos ensinam muito”, acrescentou. Celene garante que a partir da experiência e dos dias de convivência com as comunidades, os médicos, enfermeiros e técnicos da equipe adotam posturas mais humanitárias no seu dia-a-dia. Para a coordenadora, eles começam a ver a vida de outro modo. Percebem que seus sofrimentos não são tão grandes ao verem outras pessoas com mais necessidades dando uma lição de vida ao enfrentarem problemas maiores com serenidade e sem perder a simpatia. “A gente que mora na capital acha que falta uma coisa ou outra, apesar de ter acesso direto à tecnologia e ao conforto. Já uma pessoa que mora no seringal, não dispõe de luz elétrica, banheiro ou transporte, e o que tem na cozinha às vezes mal dá para comer. Elas sim sofrem e teriam motivos para reclamar da vida, e não fazem. Isso é um grande ensinamento”, enfatizou. Trabalho começa de madrugada No interior o dia ainda nem amanheceu e as mães já acordam os filhos porque é o dia que o médico da cidade vai chegar para atender as pessoas da comunidade. Do lado de fora da casa (em maioria simples e rodeada de plantas frutíferas), o pai organiza a carroça ou a canoa que vai servir de transporte para a família chegar até o povoado. Enquanto isso, distante alguns quilômetros dali, o grupo de médicos, enfermeiros e técnicos do Programa Saúde Itinerante também está de pé. Homens e mulheres vestem seus jalecos brancos, conversam e verificam se os aparelhos de escuta, pressão e demais apetrechos necessários estão na bagagem. Poucas horas depois, todos se encontram em um cenário movimentado por crianças, adultos e muitas vozes, parecendo mesmo uma grande festa. Nos consultórios improvisados (muitas vezes no meio da selva), o doutor escuta as queixas das donas de casa, narrando suas próprias debilidades, as dos filhos e do marido. Numa sintonia única, o profissional e o paciente, ambos nascidos em ambientes e culturas distintas, falam a mesma língua e esquecem as diferenças que os separam na distância e no tempo. No final do dia, as partes voltam para casa cansados, mas satisfeitos, com a certeza do dever cumprido. Uma, porque viu que o intelectual que tem diploma na parede pode ser extremamente humilde e a outra, porque aprendeu que há muita “classe” na simplicidade. |
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