COTIDIANO

CDD aproveita visita do papa ao Brasil para manifestar-se

Fiéis contestam posicionamento conservador do Vaticano


Católicos do CDD entregaram
carta-manifesto nas ruas do
centro de Rio Branco ontem


Renata Brasileiro

Milhares de fiéis da Igreja Católica foram as ruas na manhã de ontem para entregar uma carta-manifesto à população, que aborda os motivos pelos quais são contra o posicionamento conservador do Vaticano quanto ao uso de preservativos, anticoncepcionais, quanto ao divórcio e ao casamento gay.

No Acre, o ato público também tomou força e as representantes da entidade responsável pelo engajamento “Católicas Pelo Direito de Decidir” (CDD) ficaram em frente ao Palácio Rio Branco, realizando a distribuição das cartas.

A líder do movimento, Julia Matias, disse que a entidade aproveitou a vinda do Papa Bento XVI ao Brasil para fazer o ato. Ela admite que a vinda do pontífice ao país é um momento privilegiado de ação pastoral, além de um reconhecimento do papel do catolicismo brasileiro no futuro da igreja no mundo.

Entretanto, ela disse que o grupo entende que é necessário que a igreja reconheça a realidade de cada país, para que as regras criadas não sejam, na verdade, prejudicial a quem segue à risca as doutrinas católicas.

“Queremos que tudo isso seja revisto pelo Papa. Não podemos, por exemplo, aceitar que as mulheres deixem de usar métodos contraceptivos e coloquem filhos no mundo todos os anos sem ter condições de fazer isso. A nossa realidade é outra”, destacou.

As católicas dizem que se alegram com a visita do Papa ao Brasil, mas que sua preocupação neste momento é com os rumos que a igreja vem tomando no país e no mundo.

Na carta, elas fazem diversas considerações, dentre elas a de que a participação do Papa na Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, somente terá papel relevante se for colocado às claras os problemas da região e as contribuições surgidas a partir de movimentos fundamentados na Teologia da Libertação e em Teologias Feministas.

“Tudo que queremos é o direito de decidir o que fazer com as nossas vidas. Isso porque a maioria das regras imposta pela igreja vai encontro a nossa realidade e acabam contribuindo para a exclusão social”, destacou.

No encerramento da carta, as católicas deixam a seguinte mensagem: “Queremos que, neste Pontificado, a igreja inicie o diálogo com as mulheres, com todos aqueles que vivem a diversidade sexual, aprofunde suas relações com as outras religiões e se abra desafios contemporâneos”.

 

 
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Rio Branco-AC, 11 de maio de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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